Friday, September 25, 2015

BRIGITTE BARDOT FAZ 81 ANOS COM A BELEZA PRESERVADA EM 10 FILMES BEM ESCOLHIDOS

por Chico Marques


Brigitte Bardot foi a primeira mulher moderna do cinema mundial. A primeira realmente de carne e osso. Nunca pretendeu ser uma grande atriz, sabia não ter estofo para tanto. Mas foi uma personalidade cinematográfica única, que soube melhor que qualquer outra atriz de sua geração trazer para a tela sua sexualidade latente com uma naturalidade e uma delicadeza jamais imaginadas anteriormente por qualquer outra atriz. 

Como definir a magia que emanava dela, capaz de arrastar multidões de marmanjos para os cinemas só para vê-la? Acreditem: não é nenhum exagero dizer que antes de Brigitte as mulheres eram mostradas no cinema de uma determinada maneira. Depois dela, de outra.

Brigitte tinha uma beleza estonteante, longos cabelos loiros, boca carnuda, olhar penetrantes e um corpo perfeito. Cheia de graça, de paixão, de encanto e de joie de vivre. Mulher inquieta, transgressora, que nunca fez concessões à família, à maternidade, ao casamento, aos maridos e aos costumes de seu tempo, e que moldou a partir dela toda uma geração de mulheres liberadas. Tanto que se dizia na época que, perto dela, Marilyn Monroe era um homem. 

Para se ter uma idéia, foi criado nos Estados Unidos o termo Bardolatria para definir o frenesi que Brigitte provocava nos homens das mais diversas idades. Não foi à toa que, no auge de sua popularidade, em 1970, o escultor Alain Aslan a escolheu como inspiração para criar Marianne, a mulher que é a personificação da própria República Francesa.



Brigitte Bardot é a maior expressão feminina dos Anos 60. Permanece até hoje vinculada à imagem daquela década extraordinária. Nunca uma mulher foi tão odiada, invejada, incensada, insultada e amada. Seus filmes arrastavam multidões aos cinemas, seus namoros eram acompanhados de perto pela imprensa, suas viagens à América Latina e aos Estados Unidos causavam um furor inimaginável.

 Serge Gainsbourg compôs para ela uma das mais desconcertantes canções de amor de todos os tempos: “Je T’aime... Moi Non Plus”. A gravação original, poucos sabem, nao é aquele conhecido dueto de Gainsbourg com Jane Birkin de 1971, mas sim um outro dueto dele com Brigitte gravado no final dos Anos 60.

 

Claro que toda essa popularidade teve uma custo altíssimo para sua vida pessoal. 

Chegou num ponto tão insustentável que ela decidiu se aposentar precocemente do cinema assim que completou 40 anos, em 1974. 

Desde então, nunca mais fez filme algum. Recolheu-se a sua casa em St. Tropez e foi cuidar de seus animais, de quem virou uma defensora incansável. 

E enquanto tocava sua vida adiante e envelhecia naturalmente longe do public eye, sua imagem deslumbrante no cinema permaneceu cristalizada para sempre.


Brigitte Bardot completa 81 anos de idade nessa segunda feira, daí, decidimos reunir dez filmes seus lançados em DVD no Brasil para celebrar a data. 

Em comum entre esses filmes, apenas o fato de estarem disponíveis nas estantes da Vídeo Paradiso.

A NOIVA DO COMANDANTE
(Doctor At Sea, 1955, dir: Ralph Thomas)
Simon Sparrow (Dick Bogarde) se cansa de praticar medicina em terra firme e vai para trabalhar a bordo de um navio, onde conhece várias figuras excêntricas e vive uma série de trapalhadas. O seu interesse amoroso é pela tripulante Brigitte Bardot, em seu primeiro papel feito especialmente para o público inglês. Uma curiosidade do início de carreira de Brigitte, mas nada muito além disso. Indicado apenas à ala de fãs mais diehard da bela loura francesa. (disponível em DVD, 93 minutos)
GAROTA LEVADA
(Cette Sacrée Anée, 1956, dir: Michel Boisrond)
Jean Clery (Jean Bretonnièrre), um artista que trabalha em nightclubs, tem um romance com Lili (Françoise Fabian), uma psiquiatra muito atraente. O nightclub onde ele trabalha tem conexões fortes com o crime organizado, e a polícia de Paris suspeita que o dono da casa, Paul Latour (Bernard Lancret), seja o líder de uma organização criminosa que age por toda a cidade. Para evitar ser preso, Paul foge e deixa sua filha, Brigitte (Brigitte Bardot), com Jean, que logo descobre o quão selvagem, sexy e encrenqueira ela é. Uma comédia leve, adorável, e até meio ingênua, como muitas que Brigitte fez pouco antes de seu estrelato internacional. Quem é fã de Brigitte não pode perder. 
(disponível em DVD, 86 minutos)
E DEUS CRIOU A MULHER
(Et Dieu... Créa la Femme, 1956, dir: Roger Vadim)
O enorme sucesso deste filme de Roger Vadim praticamente abriu todas as portas do mercado mundial para o cinema francês e transformou Brigitte Bardot numa estrela internacional. Ela vive Juliette, uma garota órfã de 18 anos, sedenta de prazer. Seu marido Michel (Jean-Louis Trintignant) faz de tudo para controlá-la, mas não consegue. Enredo instigante, elenco competente, ótima direção, e, é claro, toda a sensualidade brutal de Bardot na flor de sua juventude. 
(disponível em DVD, 92 minutos)
AMAR É MINHA PROFISSÃO
(En Cas de Malheur, 1958, dir: Claude Autant-Lara)
Eis um filme que, na época de seu lançamento, sofreu duras críticas da Igreja Católica por seu conteúdo erotizado. Aqui, a belíssima prostituta Yvette (Brigitte Bardot) torna-se amante do influente defensor público Andre (Jean Gabin). Apesar de ter dinheiro o suficiente para cobri-la de jóias e peles caras, Andre não consegue comprar o coração da moça, pois ela está apaixonada pelo estudante Mazzetti (Franco Interlenghi), um jovem ciumento e perigoso que fará de tudo para terminar o caso de sua namorada com o advogado. Talvez o primeiro grande papel dramático de Bardot longe da tutela do maridão Roger Vadim. Um belo e inusitado filme baseado num romance de Georges Simenon. (disponível em DVD, 117 minutos)
TORNEIO DE AMOR
(La Bride Sur Le Cou, 1961, dir: Roger Vadim)
A jovem e  volúvel modelo Sophie (Brigitte Bardot) descobre que seu namorado (Jacques Riberolles) está planejando deixá-la em troca de outra mulher (Josephine James). Ela encontra duas alternativas para resolver o problema: ou tentar reconquistar o amor do rapaz, ou então matar a sua rival. Entra na história um médico bonitão (Michel Subor) para ajudá-la qualquer que seja sua decisão, e acontece o que seria de se esperar: ele acaba se apaixonando por Sophie. Um dos primeiros grandes sucessos internacionais de Brigitte Bardot e um filme agradabilíssimo de se ver até hoje. 
(disponível em DVD, 85 minutos)
VIDA PRIVADA
(Vie Privée, 1962, dir: Louis Malle) 
Jill (Brigitte Bardot) é uma jovem de classe média alta que vive na Suíça com sua mãe e tem uma paixão não-correspondida por Fábio (Marcello Mastroianni), que é casado com uma amiga sua. Para esquecê-lo, ela muda para Paris, onde passa a trabalhar como modelo e vira atriz de cinema. As pressões, o incômodo da fama e o assédio dos fãs a deixam transtornada, e então ela tira férias e volta para a Suíça, onde encontra Fábio já divorciado de sua amiga e inicia um romance com ele. Mas ela já não é mais a mesma de antes e nada sai do jeito que ela queria. Certamente, o melhor e mais denso filme de Bardot, ao lado do diretor que melhor soube entender sua alma: Louis Malle. 
(disponível em DVD, 103 minutos)
VIVA MARIA!
(Viva Maria!, 1965, dir: Louis Malle)
Filmado em sua maioria em locações no México, o filme conta a história de Maria II (Bardot), a filha de um terrorista irlandês que acabou de perder o pai, que conhece Maria I (Moreau), uma cantora de circo, no interior de um país imaginário da América Latina, em 1907. Maria II resolve fazer parte do circo com Maria I, e quando as duas fazem um número de canto, elas acidentalmente inventam o strip-tease, o que torna o circo famoso. Acidentalmente, elas conhecem um líder revolucionário (George Hamilton) e as duas acabam se tornando líderes de uma revolução contra o ditador local, a igreja e o capitalismo. Uma comédia deliciosa de Louis Malle, com Bardot e Moreau mais à vontade do que nunca e extremamente engraçadas. 
(disponível em DVD, 120 minutos) 
MASCULINO FEMININO
(MF, 1966, dir: Jean-Luc Godard)
A relação entre dois jovens: um militante chamado Paul (Jean-Pièrre Leaud) e uma cantora chamada Madeleine (Chantal Goya), em meio às transformações ideológicas e comportamentais na França dos Anos 60, pouco antes dos acontecimentos de Maio de 68. Contratado por um Instituto de Pesquisa para fazer entrevistas, Paul morre num estaleiro ao escorregar de um andaime. Teria sido suicídio ou acidente? Então Madeleine, que está grávida, fica na dúvida se deve ou não ficar com a criança. "Masculino, Feminino" é um clássico da nouvelle vague, talvez o filme mais truffautiano de Jean-Luc Godard. Marlène Jobert também está muito bem, enquanto a bela Brigitte Bardot faz uma pequena ponta numa seqüência rodada num Café Parisiense. 
(disponível em DVD, 110 minutos)
SHALAKO
(Shalako, 1968, dir: Edward Dmytryk)
Shalako (Sean Connery) está conduzindo uma expedição de caça em uma zona selvagem no Novo México. Lá se encontra um acampamaneto apache onde a Condessa Irina (Brigitte Bardot), uma dos membros do grupo, acaba sendo sequestrada pelo índios e é mantida como refém. O acampamento é roubado por Fulton (Stephen Boyd), que foge com a esposa do Sr. Dagget, e a Sra. Boyd abandona o seu endinheirado marido devido a uma grave discórdia matrimonial. Shalako deve agora usar as suas artimanhas pra libertar a jovem de seus captores, e também para combater alguns membros gananciosos de seu próprio grupo de caça devendo então conduzir os sobreviventes por perigosas montanhas, enfrentando até lutas corpo a corpo para tentar salvar a sua vida. Talvez o melhor filme americano de Bardot, mas mesmo assim um dos trabalhos menos representativos de sua carreira. 
(disponível em DVD, 112 minutos)
SE DON JUAN FOSSE MULHER
(Si Don Juan Était Une Femme, 1973, dir: Roger Vadim)
Jeanne (Bardot) é uma mulher moderna que vive em Paris e que se orgulha de ter destruído vários homens que se apaixonaram por seu estilo Don Juan. Ela resolve chamar um padre até seu apartamento para confessar um assassinato que cometeu, e começa a revelar detalhes de seus encontros sexuais do passado. Jane Birkin está lindíssima como Clara, a amiga de Jeanne, e Maurice Ronet está magnífico como Pierre Gonzague. Este foi o penúltimo filme de Bardot antes de se aposentar do cinema. Certamente, a melhor e mais ousada de todas as colaborações de Brigitte com seu ex-marido Roger Vadim. 
(disponível em DVD, 95 minutos)







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