Tuesday, February 21, 2017

AS "BOAZUDAS" DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO #11: NÍDIA DE PAULA







Nídia de Paula tem 67 anos de idade.

Quem a vê hoje, trabalhando como corretora de imóveis numa imobiliária no Morro do Vidigal, pode demorar um pouco para reconhecer nela a morena linda e libidinosa que virou símbolo sexual nos anos 70 desfilando nua em mais de 18 pornochanchadas produzidas no Rio de Janeiro, e que enlouqueceu milhares de marmanjos babões com seu corpo escultural vestindo absolutamente nada na capa e nas páginas de STATUS, ELE&ELA e PLAYBOY.

 Nascida em Lage do Muriaé, uma cidadezinha de dois mil habitantes na divisa do Rio com Minas, Nídia Maria de Paula começou a atuar ainda pequena, aos 8 anos, em peças infantis na escola onde estudava, e na adolescência participou de montagens de A Exceção e a Regra, de Bertold Brecht, e de Picnic no Front de Fernando Arrabal.

Chegou ao Rio em 1970 para estudar direito, mas logo um olheiro a convidou para fazer algumas fotos, e em pouco tempo ela já estava na capa de O CRUZEIRO e de FATOS E FOTOS.

Virou uma modelo muito requisitada, provocando engarrafamentos em todo o Brasil ao aparecer de biquini com seu corpo bronzeado de linhas perfeitas em outdoors do bronzeador Copertone em 1971.

Daí para o cinema foi só um pulinho.

E o resto é história: 18 filmes realizados entre 1972 e 1979, quase todos sucessos de bilheteria que encheram os bolsos de produtores, mas que não permitiram a Nídia sequer comprar um apartamento no Rio para sua mãe.

Por essas e outras, Nídia de Paula abandonou sua carreira no cinema de forma definitiva em 1981, para nunca mais voltar.

Quem a acompanhava no cinema, por sua vez, nunca a esqueceu. Como esquecer aquele corpo arrebatador? Impossível... Eu confesso que tive uma espécie de revelação ao assistir no cinema Ainda Agarro Esta Vizinha em 1975, quando a vi pela primeira vez falando e se movimentando e pude confirmar que aqueles belíssimos seios que ela exibira poucos meses antes nas páginas da revista STATUS não só existiam como balançavam suave e maravilhosamente.

Nídia de Paula foi tão impactante na minha adolescência que até hoje, quando vejo que algum de seus filmes está programado para passar na sessão Como Era Gostoso o Nosso Cinema do Canal Brasil, fico em polvorosa, e não sossego enquanto o filme não acaba, mesmo estando com sono e tendo que acordar cedo no dia seguinte.

Nídia merece... Nídia é demais...













NÍDIA FALA:

“Sempre recebi propostas indecentes. Uma cafetina famosa me incluiu no seu booking sem minha autorização, e meu nome circulou sem eu saber. Mas jamais fiz programa, ainda que muitos falassem que foram para cama comigo”

Sempre que fiz algum filme melhorzinho, como As Garotas Daquela Hora, imaginei que minha carreira iria enfim deslanchar para além das pornochanchadas. Mas infelizmente isso nunca aconteceu

Nunca me importei de fazer pornochanchadas e de exibir meu corpo em filmes, mas ficava irritada quando os produtores me contratavam apenas para me deixar nua diante das câmeras

Deixei de fazer cinema em 1981 porque as ofertas que chagavam não eram mais para fazer pornochanchadas ou dramas eróticos, e sim para filmes pornôs com sexo explícito. Em São Paulo, produtores inescrupulosos pegavam filmes já rodados, mas ainda não lançados, e durante a montagem inseriam cenas de sexo explícito com dublês de corpo. Vários atores e atrizes que nunca fizeram filmes desse tipo acabaram ficando com fama de terem feito. Não queria algo assim para mim e caí fora sem olhar pra trás

Sou corretora de imóveis e síndica do meu prédio, mas o que eu gosto mesmo é de dar aulas de dança do ventre. A dança me dá um prazer enorme! Apesar de minha idade, e mesmo com essa barriguinha que não tinha antes, continuo bem treinada. Vou te mostrar...






FILMOGRAFIA

TORMENTO
(1972 dir: Özen Sermet)
MISSÃO: MATAR
(1972 dir: Alberto Pieralisi)
UM VIRGEM NA PRAÇA
(1973 dir: Roberto Machado)
AS MOÇAS DAQUELA HORA
(1973 dir: Paulo Porto)
OS MANSOS
(1973 dir: Braz Chediak, Aurélio TeixeiraPedro Carlos Rovai)
COMO EVITAR O DESQUITE
(1973 dir: Konstantin Tkaczenko)
UM VARÃO ENTRE AS MULHERES
(1974 dir: Victor Di Mello)
O TROTE DOS SÁDICOS
(1974 dir: Aldir Mendes de Souza)
O SUPER MANSO
(1974 dir: Ary Fernandes)
AINDA AGARRO ESTA VIZINHA
(1974 dir: Pedro Carlos Rovai)
O SEXUALISTA
(1975 dir: Egídio Eccio)
O LEITO DA MULHER AMADA
(1975 dir: Egídio Eccio)
CADA UM DÁ O QUE TEM
(1975 dir: Adriano Stuart)
COSTINHA E O KING MONG
(1977 dir: Alcino Diniz)
O HOMEM DE SEIS MILHÕES DE CRUZEIROS CONTRA AS PANTERAS
(1978 dir: Luiz Antonio Piá)
NOS TEMPOS DA VASELINA
(1979 dir: José Miziara)
O CAÇADOR DE ESMERALDAS
(1979 dir: Oswaldo de Oliveira



















ASSISTA LOGO ABAIXO
AS MOÇAS DAQUELA HORA,
COM NÍDIA DE PAULA E MONIQUE LAFOND
DIRIGIDO POR PAULO PORTO
QUE FOI SUCESSO DE BILHETERIA
NOS CINEMAS BRASILEIROS EM 1973

UMA CORTESIA YOUTUBE
PARA OS LEITORES DE
LEVA UM CASAQUINHO







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