Monday, February 27, 2017

COM VOCÊS, MAIS UM ELETRIZANTE EPISÓDIO (O 60°) DA SAGA CONJUGAL "AH, O AMOR"




— Precisamos falar sobre um assunto delicado.

— O que foi?

— É meio constrangedor, mas é necessário

— Diga lá. Acho que nós temos intimidade suficiente para tratar de qualquer coisa.

— Bem, são os seus gases.

— Os meus gases?

— É

— Você quer dizer meus puns e arrotos?

— Arrotos não. Só puns.

— Mas eu solto muitos puns?

— Não sei se é muito. O problema é quando você solta os puns na cama. Embaixo das cobertas.

— Mas eu tomo o maior cuidado!

— Que cuidado?

— Eu levanto as cobertas com o pé e sacudo um pouco, para o cheiro não vir pra cima.

— É que às vezes não adianta muito.

— Além disso procuro soltar aos pouquinhos.

— Acho legal seu esforço, mas o fato é que eu sinto um cheirinho.

— Ah, eu sempre tento ir ao banheiro antes de dormir. Depois de fazer cocô cheira menos.

— Não sei onde você aprendeu essa teoria, mas não tem funcionado.

— Do jeito que você está falando, só eu tenho gazes, no casal.

— Mas você sente quando eu solto pum?

— Ora, você solta pum até dormindo, como todo mundo.

— Acho que não.

— Solta, sim. E às vezes é barulhento.

— Não pode ser verdade. Você deve estar querendo dar o troco.

— Eu não faria isso. O assunto é sério.

— Não é tão sério, é só uma questão de conversar.

— Isso pode abalar um casamento.

— Credo, não chega a tanto.

— Talvez. Mas é delicado, como você disse.

— Espera aí. Eu comecei o assunto e a coisa virou pro meu lado. Estávamos tratando dos seus gases, não dos meus. Você sempre faz isso.

— Isso o que? Soltar gazes?

— Não, inverter o assunto. Vamos tratar primeiro dos seus puns, depois dos meus. Se é que faço isso.

— Tá bom. O que você quer que eu faça? Vá dormir na sala, quando estiver com gases? E como é que eu vou saber quando vai acontecer?

— Você tenta segurar?

— Claro. Mas confesso que alguns são involuntários.

— O que acha de procurar um médico?

— Tenha paciência! O que eu vou dizer pra ele? Que peido? Ora essa, isso é normal!

— Calma, não se ofenda. Talvez a gente precise rever nossa alimentação. Consultar uma nutricionista.

— Deixa de besteira. Nossa alimentação é ótima.

— Se a gente deixar uma vela acesa no quarto, será que ajuda a queimar?

— Boa. Aproveita e faz uma promessa. Pede para eu peidar menos.

— Tem algum santo que trata dessas coisas?


Luiz Antonio Guimarães Cancello
é Escritor, Psicólogo e Professor de Psicologia.
Foi editor, ao lado do poeta Jair Freitas,
da lendária revista cultural ARTÉRIA,
marco da Cultura Santista dos Anos 1980.
Possuí vários livros publicados,
alguns sobre Psicologia,
outros de Ficção,
que podem ser adquiridos
na Realejo Livros
(Marechal Deodoro, 2 , Tel: 13 3284-9146)
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