Tuesday, May 23, 2017

AS BOAZUDAS DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO #22: NADIA LIPPI


por Chico Marques


Nadia Lippi tinha menos de 10 anos de idade quando estreou na TV Excelsior como atriz-mirim.

Hoje, aos 61, longe das telas, onde atua muito raramente, e sempre em participações especiais --, Nadia não se ilude mais com o brilho das luzes dos refletores: aprendeu ao longo dos anos que tudo nesse meio é muito mais efêmero do que aparenta.

Mas, por outro lado, adora ser reconhecida na rua e tem plena noção de que a memória afetiva dos telespectadores ñão deve ser subestimada. Até porque, no caso dela, existia nos Anos 70 e 80 uma verdadeira legião de marmanjos apaixonados que só assistiam novelas na TV para vê-la em cena, e que jamais a esqueceram.


Nadia Lippi é linda desde pequena, mas sempre foi muito mais que um rostinho bonitoo e um corpo insinuante. É uma boa atriz, aprendeu a atuar trabalhando ao lado de grandes craques do ofício. Não foi à toa que conseguiu o que a maioria das atrizes-mirins tenta, mas raramente consegue realizar: passar para a idade adulta e permanecer no métier.

Nadia nasceu em uma família bem simples na Zona Leste de São Paulo, na Vila Guilherme, atrás do campo do Corinthians. Sua mãe, costureira, a ensinou a lavar, passar, cozer e torcer para o São Paulo. Já seu pai, tipógrafo, era corintiano. Seu tio, que era policial civil, morava próximo à TV Excelsior, na Mooca, conseguiu uns testes com Nádia por lá, e deu certo: ela acabou sendo convidada por Dionísio Azevedo, que viu muita expressividade nela, para ingressar no elenco de "A Pequena Orfã", onde seria protagonista na fase inicial da novela.

Para Nadia, foi como mergulhar de cabeça num mundo mágico. Ela tem lembranças curiosas da primeira visita que fez à TV Excelsior, em 1968. Conheceu Johnny Rivers, que estava em São Paulo para um show ao vivo no Teatro Cultura Artística que a emissora exibiu ao vivo. Viu também o Nenê, bai­­­xista do grupo Os Incríveis, que nessa época balançava o coração das me­­­ninas -- e por quem ela era completamente apaixonada. Anos mais tarde, Nenê soube que a agora estrela Nadia Lippi, era completamente apaixonada por ele quando tinha 10 anos de idade, e ele nunca se deu conta disso, e então declarou para uma revista: "Depois dessa, jamais serei cogitado para ser o Homem de Visão do Ano".

Quando a TV Excelsior quebrou espetacularmente em 1969, metade do elenco de suas novelas mudou para o Rio de Janeiro, para buscar colocação nas produções da emergente TV Globo. Já a outra metade permaneceu em São Paulo buscando colocação nas produções da TV Record e da TV Tupi. Nadia seguiu Dionísio Azevedo na Record. Onde ele era escalado, a pequena Nádia sempre ia junto. Juntos fizeram "As Pupilas do Senhor Reitor" e "O Príncipe e o Mendigo", entre outras novelas. Depois disso, ela foi para a TV Tupi, onde fez mais 7 ou 8 novelas. Cresceu, desabrochou, ficou ainda mais linda e encantadora, e acabou se casando com o também ator Ney Santanna -- filho do maior cineasta brasileiro vivo:  Nelson Pereira dos Santos. Foi então, em 1978, que ela finalmente aportou na TV Globo para participar de "Pecado Rasgado" e de outras 3 novelas: "Pai Herói" (1979), "As 3 Marias" (1980) e "Brilhante" (1981).

Quando seu casamento com Ney Santanna acabou em 1979, Nadia conheceu um economista ligado à área siderúrgica. Se apaixonou, casou e logo engravidou. Ela estava no auge de sua carreira, mas, paradoxalmente, também estava insatisfeita com os rumos que sua carreira vinha tomando. Foi quando ela decidiu se afastar da vida artística e virar mãe de família por uns tempos. E então, 18 anos se passaram, sem que Nadia Lippi desse as caras em novelas de TV.

Nadia voltaria à TV em 1998, na novela "Brida", da TV Manchete. Mas, dessa vez, sem o encantamento de outras épocas. Para ela, o brilho dos corredores da Excelsior e da Record ficou longe, muito lá lá pra trás. Nadia se sentia agora muito mais à vontade dedicando-se a sua atividade como produtora teatral, além de tocar alguns empreendimentos em Ipanema, bairro carioca onde mora.









Só aos 17 anos, quando Dona Valquíria baixou a guarda sobre a filha famosa e arrimo de família, foi que Nadia Lippi começou a colocar as manguinhas de fora e revelar sua face namoradeira. Namorou um bocado naquela época. Era presença constante nas noites da boite Hippopotamus em meados dos Anos 70. No entanto, nunca curtiu bebidas e drogas. Ti­­nha um senso de responsabilidade que lhe pesava muito nos ombros -- afinal ninguém é arrimo de família impunemente.

Ela se preparava para iniciar as gravações de Brilhante em 1981 quando recebeu o enésimo convite da Revista PLAYBOY para posar nua. Como na época seu irmão passava por apuros financeiros, e o cachê era bastante vultuoso, ela não pensou duas vezes: aceitou. Acabou virando estrela da edição de aniversário, fotografada pelo então jovem fotógrafo J. R. Duran, e realizou o sonho dourado daquela legião de marmanjos apaixonados por ela de que falamos alguna parágrafos atrás.

Poucos meses depois de posar para o ensaio na PLAYBOY, Nadia deixaria a TV e o cinema e passaria a se dedicar exclusivamente a ser mulher do Marco e mãe da Thalita e do Rodrigo, Os quatro passaram a viver juntos no Rio de Janeiro. A mulherada recalcada comentava a boca pequena que ela tinha aplicado o golpe do baú. Mas não era nada disso. A experiência da maternidade e de ter uma família completa -- algo que ela nunca teve em sua casa, pois seus pais se separaram quando ela era muito jovem -- ganharam prioridade número um em sua vida. Nadia fazia de tudo para interagir com seus filhos na maneira mais lúdica possível: vestia-se de Mu­­lher Maravilha, rolava no chão, fazia o diabo.

Hoje, Nadia sabe que fez a coisa certa. Acha legal der deixado de ser estrela para se tornar a mãe da Thalita, exBBB que agora faz parte do time de atrizes da TV Globo. Diz que Thalita herdou a personalidade forte e turbulenta da mãe, e tem o maior orgulho de suas conquistas pessoais e profissionais.

Se você passar por Nádia nas esquinas de Ipanema, talvez não a reconheça. Ela está bem mais magra do que era antes. Mas continua com os mesmos olhos azuis e o mesmo sorriso cativante. E se calhar de sorrir, aí vai ser impossível não reconhecer aquela doçura de outras épocas.

Sem forçar a barra, Nadia parece ter muito menos que seus 61 anos. Vaidosa, ela tem um certo orgulho de seus quase inexistentes pés de galinha. Apesar de gostar das fotos que fez para a PLAYBOY, acha injusto ser lembrada mais por esse ensaio do que por seu passado como atriz em novelas e no cinema. Nunca conseguiu entender como essas fotos acabaram ganhando tanta longevidade. Mas então, recentemente, reprisaram "Pai Herói" no Canal VIVA e alguns de seus filmes voltaram a circular na programação do Canal Brasil, e Nadia ficou bastante feliz com isso.

Nós aqui também ficamos.












TELEVISÃO
1968 A Pequena Órfã
1969 A Menina do Veleiro Azul
1970 Tilim
1970 As Pupilas do Senhor Reitor
1972 O Príncipe e o Mendigo
1972 A Revolta dos Anjos
1972 Signo da Esperança
1973 Rosa dos Ventos
1974 A Barba-Azul
1974 Os Trapalhões
1975 Um Dia, o Amor
1975 O Sheik de Ipanema
1975 Teleteatro Antunes Filho (Somos Todos do Jardim da Infância)
1976 Tchan! A Grande Sacada
1976 Sossega Leão
1978 Pecado Rasgado
1979 Pai Herói
1979 Aplauso (Angélica)
1980 As Três Marias
1980 Chega Mais
1980 Plantão de Polícia (O Homem que Veio do Brás)
1980 Geração 80
1981 Globo de Ouro
1981 Brilhante
1982 Sítio do Picapau Amarelo (A Canastra da Emília)
1982 Caso Verdade (Casa, Comida e Carinho)
1985 Caso Verdade (Ano Novo, Vida Nova)
1990 Fronteiras do Desconhecido (Maria do Cais)
1996 Você Decide (Justiça)
1997 Você Decide (Epidemia)
1998 Brida
2005 Prova de Amor







CINEMA
1973 A Virgem
1975 Efigênia Dá Tudo Que Tem
1976 Ninguém Segura Essas Mulheres
1976 A Noite das Fêmeas
1976 Já Não Se Faz Amor como Antigamente
1977 A Árvore dos Sexos
1977 O Mulherengo
1981 Na Estrada da Vida
1982 Insônia
1983 O Trapalhão na Arca de Noé
1988 O Casamento dos Trapalhões
2016 Nocebo



ESCOLHEMOS QUATRO BONS FILMES
ESTRELADOS POR NADIA LIPPI
PARA CELEBRAR SUA PASSAGEM POR
AS BOAZUDAS DA ERA DE OURO
DO CINEMA BRASILEIRO.

ENJOY





















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