Saturday, May 13, 2017

COM VOCÊS, MAIS UM ELETRIZANTE EPISÓDIO (O 66°) DA SAGA CONJUGAL "AH, O AMOR"



— Oi, meu amor!

— Oi! Por que esse jeito saltitante?

— Por que hoje é hoje!

— Óbvio que hoje é hoje. Não entendi.

— Não se lembra que dia é hoje?

— Não... já vi que estou dando alguma mancada.

— Força um pouquinho a memória.

— Agora dançou. Com nervosismo não dá.

— Tenta se acalmar e força um pouco.

— Impossível. É melhor você dizer logo.

— Acho um desaforo eu ter de lembrar você do dia de hoje.

— Eu sou muito ruim pra guardar datas.

— A sua cabeça é ótima.

— Pra essas coisas não funciona tão bem.

— Tenta.

— É o dia em que eu conheci você?

— Não. Quer dizer, mais ou menos.

— Não tem mais ou menos. Ou é ou não é.

— Nem com essa dica? Tá mal mesmo!

— Você quer me perturbar? Tá conseguindo.

— Foi o dia em nos conhecemos. No sentido bíblico.

— Foi hoje que nós transamos a primeira vez?

— Foi. Há cinco anos. Lembra?

— Lógico que lembro, como é que eu ia esquecer?

— Lembra onde foi?

— Claro!

— Onde foi?

— Na minha casa?

— Não, não foi na sua casa. Quer mais uma chance?

— Não, por favor. Eu me lembro muito bem da transa, minha memória é afetiva. Esses detalhes de espaço e tempo não são comigo.

— Não se lembra mesmo? Nem se eu der uma dica?

— Chega. Não vou arriscar. Foi muito legal, é o que importa. E a gente tá junto até hoje.

— Não sei como a gente tá junto até hoje.

— Você fala isso por que eu não lembro de algumas datas?

— O problema não é lembrar. O esquecimento mostra que você não se liga na relação. Não é só falta de memória.

— Nada disso. Eu dou o maior valor pra gente, me ligo em você o tempo todo. Não leva pra esse lado.

— O seu pouco caso me magoa.

— Já disse que não é pouco caso, o que você quer que eu faça?

— Vou te mandar pelo WhatsApp uma lista das nossas datas. Vê se salva no celular e não esquece mais. Põe um alarme pra esses dias.

— Isso é muito ridículo.

— É um jeito de não me magoar.

— Já que você quer assim, manda aí. Mas é ridículo.

— Ridículo é você não lembrar das datas.

— Tá bom, tá bom. Agora esse maldito celular vai ficar me perturbando por causa disso.

— Perturbando? É assim que você encara as nossas datas importantes?

— Não foi isso o que eu quis dizer.

— Foi o que você disse.

— É melhor eu ficar quieto.

— Certo. Mas não esquece de prestar atenção no celular.





Luiz Antonio Guimarães Cancello
é Escritor, Psicólogo, Professor e Músico.
Foi editor, ao lado do poeta Jair Freitas,
da lendária revista cultural ARTÉRIA,
marco da Cultura Santista dos Anos 1980.
Possuí vários livros publicados,
alguns sobre Psicologia,
outros de Ficção,
que podem ser adquiridos
na Realejo Livros
(Marechal Deodoro, 2 , Tel: 13 3284-9146)
na Disqueria Santos
(Conselheiro Nébias, 850, Tel: 13 3232-4767)
ou pelo website
www.luizcancello.psc.com



No comments:

Post a Comment