Wednesday, June 7, 2017

COM VOCÊS, MAIS UM ELETRIZANTE EPISÓDIO (O 70°) DA SAGA CONJUGAL "AH, O AMOR"



— Sai daí!

— Mas eu vim te acordar com carinho. Adoro.

— Eu sei, também adoro, é que eu preciso espreguiçar.

— Puxa, não estou te imobilizando.

— Sai de cima de mim, não aperta minha barriga.

— Ok, ok, nem estou me apoiando em você.

— Sai mesmo, estou com vontade de fazer xixi. Você está apertando a minha bexiga.

— É que eu te vejo com esse pijaminha começo a ter umas ideias.

— Meu amor, longe de mim querer te podar, mas agora não é hora.

— Toda hora é hora.

— A gente precisa tomar café. Estou com fome.

— Eu tava brincando, não vou te agarrar. É só um ensaio pra mais tarde.

— Tá certo. Mais tarde a gente conversa. As crianças ainda não acordaram, suponho.

— As criança dormiram na casa da sua mãe, esqueceu?

— É mesmo, não me lembrei. Ainda não acordei direito, tá vendo? Você já está a mil.

— Posso dar só um beijinho no pescoço?

— Dá um tempo. Mais tarde.

— Ok. Vim aqui no maior love e tomo uma cacetada.

— Não precisava se jogar em cima de mim.

— Não me joguei. Estou me apoiando nos braços e nos joelhos. Nem estou encostando o meu corpo no seu, apesar da vontade. Que está passando, aliás.

— Ufa, ainda bem. Sai e deixa eu me espreguiçar e fazer xixi, ó fera indomável. Depois disso tudo vai ficar legal. Gosto muito de você.

— Tá bom.

— Por que você está rindo? Eu disse alguma coisa engraçada?

— Sei lá. Me deu um ataque de riso.

— Você pode rir em outro lugar? Com esse tremor eu vou fazer xixi na cama.

— Estou com paralisia. Não consigo sair daqui.

— Deixa de graça, eu estou no maior aperto, vai dar problema.

— Mija aqui! Mija aqui!

— O que é isso? Me deixa sair! Vou estourar!

— Pô, você não sabe brincar?

— Sai daí!

— Tá bom, tá bom. Que mau humor!

— Cacete, ainda tenho de ouvir isso. (...)

— Quando você disse pra eu fazer o xixi na cama, tava falando sério?

— Naquela hora eu tava.

— Foi o que eu pensei.

— Se arrependeu de não mijar, aposto.

— Um pouco.

— Eu sabia.



Luiz Antonio Guimarães Cancello
é Escritor, Psicólogo, Professor e Músico.
Foi editor, ao lado do poeta Jair Freitas,
da lendária revista cultural ARTÉRIA,
marco da Cultura Santista dos Anos 1980.
Possuí vários livros publicados,
alguns sobre Psicologia,
outros de Ficção,
que podem ser adquiridos
na Realejo Livros
(Marechal Deodoro, 2 , Tel: 13 3284-9146)
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(Conselheiro Nébias, 850, Tel: 13 3232-4767)
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www.luizcancello.psc.com

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