Saturday, July 15, 2017

COM VOCÊS, MAIS UM ELETRIZANTE EPISÓDIO (O 74°) DA SAGA CONJUGAL "AH, O AMOR"



— Oi, amor!

— Oi!

— Como foi sua viagem?

— Três dias de trabalho. Nada de novo. E você? Ficou bem?

— Fiquei.

— Sentiu falta de mim?

— Muita!!

— Ah, que bom! E o que fez nesses dias de solidão?

— Ora, também trabalhei.

— Que sem graça! Conta alguma coisa.

— Ah, li até tarde, na cama. Coloquei as leituras em dia.

— Por quê? Quando eu estou em casa você não lê?

— Você reclama da luz do abajur.

— Sempre se pode ler na sala.

— Não tem a mesma graça.

— Hum... E o que mais você fez, além de ler?

— Almocei de pijama.

— Cacete, tô vendo que você se esbaldou.

— Esbaldar? Ler e almoçar de pijama?

— Tá dizendo que eu te reprimo.

— Não, só tô dizendo o que eu fiz.

— Vai, continua.

— Não tomei banho de manhã. Deixei pra depois do almoço.

— Não consigo fazer isso. Preciso tomar banho logo de manhã.

— Eu sei. Acabo fazendo o mesmo.

— Faz porque quer.

— Você me olha torto, fico me sentindo um lixo.

— Problema seu, né?

— Médio. O seu olhar de reprovação é terrível.

— Ai... tá ficando cada vez pior.

— No outro dia almocei no restaurante chinês.

— Aff! Aquelas comidas engorduradas?

— Pois é. Há muito tempo eu queria ir lá. Foi bem legal.

— Foi só você?

— Fui com o pessoal do trabalho.

— Aquela gente metida?

— Aquela gente que você não suporta.

— Você aproveitou todas as chances, né?

— Eu pedi pra você não ir trabalhar fora. Podia ter mandado alguém no seu lugar.

— Podia, mas ia pegar mal.

— Tudo bem. Foi legal você ter ido.

— Como? Você gostou de ficar sem mim?

— Não apela. Aconteceu de eu ficar sem você e aproveitei pra fazer umas coisas.

— Então não sentiu a minha falta.

— Claro que senti.

— Isso tá meio confuso.

— Nada a ver. Fiz o que eu queria e senti a sua falta.

— Tô vendo. No intervalo de suas peripécias até percebeu que eu não estava na área.

— Quero te contar mais uma coisa que eu fiz.

— Deixa pra lá. É melhor você falar outro dia.

— Vou falar agora. Arrumei o armário dos fundos.

— Ai, que delícia! Deixa eu te dar um beijo.





Luiz Antonio Guimarães Cancello
é Escritor, Psicólogo, Professor e Músico.
Foi editor, ao lado do poeta Jair Freitas,
da lendária revista cultural ARTÉRIA,
marco da Cultura Santista dos Anos 1980.
Possuí vários livros publicados,
alguns sobre Psicologia,
outros de Ficção,
que podem ser adquiridos
na Realejo Livros
(Marechal Deodoro, 2 , Tel: 13 3284-9146)
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(Conselheiro Nébias, 850, Tel: 13 3232-4767)
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www.luizcancello.psc.com

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