Tuesday, August 29, 2017

QUERIDA TIA EMMANUELLE...... ROLO DE FILME #18 (por Ariel Almada)



No rolo de filme #17, Tia Emmanuelle e eu nos divertimos um bocado num passeio de barco onde fizemos swing com um casal de Americana. Estávamos em nosso quarto dia em Santos. Bebemos um pouco no Quiosque Burgman no final da tarde, depois subimos para descansar um pouco para tomarmos um banho de mar no meio da madrugada, mas dormimos demais e acabamos indo para o mar pouco antes de amanhecer. Depois de uma hora dentro d'água, decidimos encerrar nossas férias à beira mar e subirmos de volta para São Paulo. É deste ponto em diante que começa este novo rolo de filme. Luz, Câmera, Ação!



Era domingo, por volta de meio dia. Tia Emmanuelle e eu acordamos em São Paulo, depois de vários dias em Santos. Era bom estar de volta à toca da Batgirl, cercado de gadgets e de discos e livros por todos os lados. A sensação era de aconchego. Santos é bom, mas cansa um pouco. E aquele apartamento com o chão desnivelado me dava um pouco nos nervos, além de ser bastante desconfortável. Era bom estar de volta a São Paulo. Tia Emmanuelle virou para mim e disse: 

"Vista-se, meu anjo. Vamos comer alguma coisa ligeira na rua. Hoje eu vou te levar para um tour cultural pela Paulista. Que tal?   Era aconchegante. m 11 da manhã. Que tal?"

"Olha... boa ideia... um dia desses li num jornal uma matéria enorme sobre o Calçadão Cultural que a Avenida Paulista virou aos domingos... Tem muitos lugares legais que estão inaugurando, não é isso?"

"Verdade... a Japan House acaba de ser inaugurada... e até o fim do ano inauguram também o SESC-Paulista e o Instituto Moreira Salles... Mas tem outros lugares que são bem legais, você vai gostar..."

"Então vamos..."

Tia Emmanuelle chamou um Uber e lá fomos nós até o Frevinho na Augusta para comer um beirute. A casa é bem descolada e tradicional, gostei de conhecê-la, mas confesso que não achei o beirute nada demais, o da minha mãe é bem mais gostoso, mas não falei nada. O chopp é servido num copo meio maluco, chamado Rabo de Peixe, mas é um chopp apenas correto, nada demais. Como Tia Emmanuelle era fã da casa, e parecia estar feliz em me levar lá, eu não iria cortar o barato dela por nada nesse mundo. Foi quando ela disse:

"Pensei em te levar para comer no bom e velho Riviera. É um bar tradicional lá na Consolação que reabriu dois anos atrás depois de uns bons anos fechado. Só que não abre aos domingos, vai saber porque..."

"Aqui está ótimo. Outro dia vamos ao Riviera, depois de vermos um filme no Belas Artes."

"A-ha, então você conhece o Riviera..."

"Conheço das tirinhas da Rebordosa. Ela vivia lá. Sou fã do Angeli, tenho a coleção completa do Chiclete com Banana. Comprei a maioria das revistinhas num sebo lá em Campinas. As que faltavam, comprei a peso de ouro no Mercado Livre."

"Que legal. Não vale a pena mandar encadernar?"

"Não vale não. Tira o valor das revistas. Estão todas guardadas em plásticos para evitar que a umidade as torne mais amareladas do que já estão. Tenho vontade de escanear uma por uma para preservá-las em arquivos jpg para lê-las no tablet."

"A ideia é boa. Se precisar de ajuda, tenho um scanner excelente em casa. Traga as revistas para cá da próxima vez que vier passar uma temporada na toca da Batgirl."

"Por falar nisso, preciso checar quando começam minhas provas. Pelo que me disseram, já tenho uma na terça-feira da semana que vem."

"Olha, se você quiser ficar aqui em casa mais essa semana, eu vou adorar. Dou um jeito de esticar mais uma semana de férias. Tenho muitas folgas guardadas. Posso tirá-las na hora que quiser."

"Isso é um convite?"

"É claro que é, meu anjo!"

"Okay então, convite aceito."

Nos beijamos e em seguida saímos do Frevo. Passeamos por algumas galerias bem descoladas nos arredores, com vários sebos de discos e livros, mas confesso que achei tudo muito caro. Então, subimos até a Paulista, e entramos no Conjunto Nacional. Foi bem legal conhecer a loja gigantesca da Livraria Cultura que tem lá. Meus avós eram frequentadores desde quando a loja abriu 48 anos atrás, meus pais também iam muito lá, e eu, que estou habituado a comprar livros deles pela web, estou finalmente pisando na loja. Entrar e respirar o clima daquele lugar é um prazer e tanto. Deve ser a maior livraria do país, com três pisos e mais de 150 mil títulos, entre livros, revistas, CDs e DVDs. É tão legal que tem um Teatro com 200 lugares lá dentro, onde rolam cursos, leituras e até peças de teatro.

Eu não resisti e comprei um volume com as letras de Lou Reed traduzidas e um outro com as letras escritas por Bob Dylan em seus primeiros 14 anos de carreira. Tia Emmanuelle comprou dois romances em inglês em edições capa dura de Anne Tyler e de Ann Beattie. Levou ainda 3 livros da escritora carioca recém-falecida Elvira Vigna e a autobiografia da jornalista feminista Gloria Steinem -- de quem ela não é exatamente fã, apesar de considerá-la uma mulher inteligentíssima, com muitas histórias interessantes para contar. Perguntei a ela se era feminista.

"Acho que nunca fui, meu anjo. Mas não dá pra negar que nos Anos 60 e 70 as feministas tiveram uma importância vital na vida das mulheres urbanas no mundo inteiro. Hoje, bater em mulher é crime. Antes das feministas chutarem o balde, não era. Antes das feministas entrarem em cena, as mulheres eram vetadas em muitos postos de trabalho. Hoje não são mais. Tudo bem que as feministas que estão por aí sacudindo essa bandeira hoje em dia são muito, muito chatas. De qualquer maneira, o legado de Gloria Steinem é muito interessante. Imagine que ela era uma jornalista lindíssima em 1963 quando decidiu se candidatar a uma vaga como coelhinha no Playboy Club de Nova York para escrever contando como as coisas funcionavam lá dentro daquele lugar. Depois dessa matéria que ela escreveu, aquela conversinha mole liberal do Hugh hefner nunca mais colou entre as mulheres. Gloria não só o deixou nu em público como mostrou que ele um machão como outro qualquer, talvez mais ilustrado e melhor perfumado que os outros. Leia depois, que você vai ver como ela é interessante. Está com mais de 80 anos de idade e um dia desses, numa recepção, tentou meter o dedo na cara de bunda do Donald Trump. Ela é foda..."

"Legal. Vou querer ler, sim. Aliás, se você quiser me indicar alguns livros, vou ler com o maior prazer."

"Façamos assim: eu separo algumas coisas para você levar para ler em Campinas quando sentir a minha falta."

"Literatura erótica?"

"Por que não?"

"Opa... vou adorar..."

Seguimos pela Avenida em direção ao MASP, onde eu iria entrar também pela primeira vez. É engraçado, pois o prédio do MASP por si só já é uma escultura. Mas, francamente, entrar nele é uma experiência anticlimática, pois seus interiores são muito espartanos e austeros se comparados ao arrojo de suas formas externas. Tudo bem, é legal mesmo assim, mas o interior decepciona. Passeamos pelo acervo permanente da casa e demos uma conferida em duas exposições bem interessantes: uma com a pop-art da artista plástica carioca Wanda PImentel e outra com os ensaios fotográficos baianos do fotógrafo espanhol Miguel Rio Branco. Tia Emmanuelle não conhecia nenhum dos dois. Eu, menos ainda. Mas gostamos bastante do que vimos.

Depois de passarmos rapidamente pelo Itaú Cultural e pararmos diante do esqueleto do futuro SESC Paulista, que deve ficar pronto em breve, seguimos para a Casa das Rosas. Que lugar magnífico! Uma guia do local explicou que é um dos últimos casarões da Avenida Paulista da época dos Barões do Café, mas na verdade não pertenceu a ninguém da elite cafeeira. Foi projetado na década de 20 pelo arquiteto Ramos de Azevedo -- o mesmo do Teatro Municipal e do Mercado Central --, e permaneceu como residência da família do arquiteto até 1982, quando foi tombado pelo Condephaat e depois comprado pelo Grupo Itaú, que o restaurou e o transformou no Centro Cultural que é hoje. No fim de 2004, a Casa das Rosas ganhou um novo nome: Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, e recebeu a doação do acervo completo de livros e também alguns objetos pessoais do grande poeta e tradutor paulistano. Dizem que os saraus poéticos que rolam na casa são espetaculares, mas no domingo estava muito tranquilo, sem nenhum evento rolando por lá. Sem contar que na Casa das Rosas funciona a primeira e única biblioteca brasileira especializada em poesia.

Nossa última parada nesse tour cultural de domingo foi a Japan House. Eu achei as instalações do lugar muito interessantes e originais. Algumas paredes foram feitas com o papel artesanal washi e são móveis -- assim, é possível aumentar, diminuir ou mesmo criar diferentes espaços. Estava rolando uma exposição bem curiosa por lá, intitulada "Bambu – Histórias de um Japão"com 50 peças que exploram os diferentes usos do bambu – desde utensílios domésticos até obras de artistas japoneses modernos. Conversamos com um tal de 
Marcello Dantas, e ele explicou que a ideia era criar uma edificação real, gerida por pessoas daqui, com um ponto de vista do Brasil olhando para o Japão. Partindo do pressuposto de que a visão do Brasil sobre o Japão, baseada na visão da própria comunidade japonesa, está muito desatualizada, e que a comunidade japonesa no Brasil tem uma atitude tradicionalista e é pouco simpática a novidades, a missão de Japão House é divulgar a Cultura Japonesa para os brasileiros em geral. Aproveitamos para provar alguns quitutes nipônicos no Imi Café. Aproveitamos para dar uma olhada na Biblioteca de Artes com cerca de 2 mil volumes que tem logo na entrada. Ficamos folheando dois deles num dos sofás bem confortáveis que tem alí. Um lugar espetacular. Foi quando cheguei para Tia Emmanuelle e disse:

"Sabe o que eu queria fazer com você?"

"O quê?"

"Eu queria mesmo é que você fosse minha gueixa quando chegarmos em casa. Gueixa de verdade, com toda a indumentária, toda a maquiagem e todo o gestual das gueixas. Você topa ser minha gueixa por uma noite?"

Tia Emmanuelle sorriu e disse:

"Bonitinho, você não vai acreditar, mas eu já fiz esse número uma vez, e tenho toda a indumentária necessária lá em casa. E já fui mesa de sushi nua também, com várias pessoas se alimentando de bolinhos pousados sobre meu corpo. Uma experiência completamente insólita..."

"Você é doida demais... Aposto que rolou alguma suruba depois..."

"Acredite ou não, não rolou. Foi apenas um ritual oriental, que eu queria experimentar, só por curiosidade. Se tivesse brasileiros na brincadeira, fatalmente descambaria para uma suruba, ou para uma curra. Acho que dei sorte em sair inteira daquela brincadeira. Nunca mais encaro uma parada dessas com gente que não conheço direito."

"Bom, a conversa está boa mas já são 18 horas. Hora de ir para casa encontrar com minha gueixa..."

"Tá certo. Chega de rua por hoje."

"Metrô Paraíso ou Metrô Brigadeiro?"

"Vamos de Uber que hoje é mais rápido e talvez até mais barato. Mas antes quero pegar uns sanduíches para viagem no Ponto Chic alí adiante. Depois que a Gueixa Emmanuelle aqui sugar todo o seu "mojo" e deixar você exaurido sexualmente, você vai precisar de algo consistente para repor as energias."

"Uau! Acho que vou adorar conhecer a Gueixa Emmanuelle!"

"Bom, eu vou de Rococó. E você, vai de Baurú?"

"Acho que vou precisar de um de cada."

"Então tá. Vou levar quatro. Se sobrar, fica para o café da manhã de amanhã."

Ao chegarmos em casa, tomei um banho, me perfumei e deitei nu na cama enquanto aguardava a Gueixa Emmanuelle entrar em cena. Ela pediu que eu não fosse atrás dela, pois queria que eu a visse caracterizada somente quando já estivesse pronta para entrar em cena. Aguardei sua entrada em cena, curiosíssimo. 

Uma pequena digressão: por muito tempo achei que gueixas eram profissionais do sexo orientais, mas só recentemente descobri que elas não são exatamente prostitutas. Prostitutas são livres para trabalhar para quem quiserem. Já as Gueixas são prisioneiras das donas das Casas de Chá, que fornecem moradia e comida e bancam seus treinamentos para satisfazer a um único patrocinador cada uma -- e o dinheiro que recebem dos patrocinadores é pago diretamente a suas Senhorias. Para nós aqui no Ocidente, as Gueixas viraram uma espécie de sonho de consumo. Não apenas pelo servilismo, mas principalmente pelo treinamento sexual especializado que elas recebem para satisfazer aos homens. Os primeiros registros da palavra gueixa datam de 1750, quando muitos pais que não tinham como manter sua prole passaram a vender as filhas para as casas responsáveis pela formação dessas hiper-dedicadas trainées sexuais. Tanto a prostituição quanto a atividade das gueixas foram consideradas legais no Japão por dois séculos. Mas logo após o término da 2ª Guerra Mundial, todas as modalidades de meretrício foram proibidas no Japão e passaram para a marginalidade. De alguns anos para cá, foram legalizadas novamente e voltaram a fazer parte das tradições culturais japonesas.

E então, eis que surge diante de mim a tão aguardada Gueixa Emmanuelle, envolta em um roupão vermelho com um dragão branco, com seu rosto todo pintado de branco e seu cabelo arrumado com uma peruca com o clássico penteado japonês “pêssego partido”. Entra cantando uma melodia oriental e dançando suavemente pelo quarto, movendo a parte superior do corpo independente da inferior. Dizem que os japoneses sentem grande atração pelo pescoço de uma mulher, da mesma maneira com que os ocidentais sentem atração pelas pernas, seios ou nádegas. Por conta disso, as gueixas deixam as golas de seus quimonos e roupões escancaradas atrás, para que os homens vejam seus pescoços.

E então ela começa a esfregar rosas molhadas em água pelo meu corpo. A seguir, massageia minha pele com calma e carinho com um óleo de banho. Então tira o roupão, fica completamente nua e espalha em seu corpo o mesmo óleo, em movimentos lentos e delicados. Como a única luz no quarto vinha de um abajur, cada detalhe do corpo banhado a óleo de Tia Emmanuelle brilhava de uma maneira visualmente enlouquecedora. Então, de repente, para minha surpresa, ela pega um pequeno pote de tinta vermelha, e com o dedo indicador, desenha o kanji, caractere de “amor”, em sua barriga. Em seguida, faz o mesmo em minha barriga. E então, depois de chupar meu pau bem gostosinho e de largar muita saliva nele, encaixa-o em sua bucetinha e permanece massageando-o por mais de meia hora sem mexer seu corpo em momento algum. Fiquei encantado ao conhecer mais esse talento de alcova de Tia Emmanuelle, mais uma brincadeira maravilhosa que eu desconhecia por completo. Quando senti que não aguentaria mais tempo e iria gozar, eu a avisei com alguma antecedência, mas ela nem se moveu: simplesmente deixou que eu a inundasse com meu esperma. E, depois disso, tratou de manter meu pau jonjo bem quentinho e deliciosamente acomodado dentro de sua gruta maravilhosa.

Ao final, ainda sentada sobre mim, Tia Emmanuelle puxou um pequeno texto que estava num manuscrito ao lado do pote de tinta vermelha e o leu para mim:

"Os homens têm uma espécie de enguia. As mulheres não têm, mas os homens têm… Essa enguia passa a vida toda tentando encontrar um lar. Por sua vez, as mulheres têm cavernas dentro de si, onde as enguias gostam de viver. As enguias são meio territoriais. Quando encontram uma caverna de que gostam, entram nela algum tempo e se remexem lá, para ter certeza de que é uma boa caverna. E quando decidirem que é confortável, marcam a caverna como seu território, cuspindo nela."

CONTINUA
NA TERÇA
QUE VEM



Ariel Almada nasceu em São Paulo,
e foi criado em Águas de Lindoya.
Engenheiro Elétrico por formação,
desistiu da profissão
ao montar a rede de lanchonetes
PAMONHARIA DA LUZ VERMELHA,
presente em Shoppings do interior
de São Paulo e de Minas Gerais,
onde garçonetes vestidas como prostitutas
servem aos clientes da casa
comidas, sucos e cervejas à base de milho.


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