Sunday, November 12, 2017

SAUDAMOS NOSSAS ANIVERSARIANTES VINTAGE DESTA SEMANA (1 a 6 de Novembro)

TEXTOS DE CHICO MARQUES


KATE CAPSHAW
Fort Worth, Texas
November 3, 1952





A estonteante texana Kate Capshaw não pretendia ser atriz. Fez teatro na High School, como muitos fazem, mas nunca pensou em estudar Artes Dramáticas. Ao contrário: estudou Pedagogia e se especializou em lidar com crianças excepcionais. Mas então ela se casou com um gerente de marketing, largou sua carreira para ser mãe e dona de casa, e quando o casamento acabou em 1980 ela, aos 27 anos, decidiu tentar a sorte como atriz em Nova York. E deu sorte: fez testes para um filme independente chamado A Little Sex que foi visto pelas pessoas certas. Seu talento natural e sua beleza chamaram a atenção de gente de Hollywood, que a indicaram para Steven Spielberg, que por sua vez estava escolhendo o elenco para o segundo filme da série Indiana Jones. O resto é história: o filme foi um sucesso estrondoso, Kate Capshaw e Steven Spielberg se casaram, e Kate só não virou uma grande estrela porque preferiu se dedicar a produções mais independentes, jamais permitindo que sua carreira se misturasse à de seu marido. Da virada do século para cá, assim que completou 50 anos de idade -- uma idade perigosa para atrizes, pois estão jovens demais para interpretar mulheres idosas e velhas demais para interpretar mulheres de 30 e 40 -- ela optou por deixar a carreira de lado por uns tempos e cuidar dos filhos e da casa, e ajudar o maridão na produção de seus filmes. Aos 64 anos de idade, extremamente bem conservada, Kate Capshaw continua afastada de sua carreira como atriz. Mas nada impede que ela volte a qualquer momento. Convites não faltam. Basta ela querer voltar.







MONICA VITTI
Rome, Italy
November 3, 1932







Monica Vitti nasceu Maria Luisa Ceciarelli numa família de classe média. Linda, espirituosa e extremamente talentosa, ela se envolveu seriamente com teatro desde a adolescência, profissionalizando-se depois de um treinamento na Academia Nacional de Artes Dramáticas, onde se formou em 1953. Estreou no cinema em 1954 fazendo filmes ligeiros, mas não escondia de ninguém que sua paixão era mesmo pelo teatro. Circulou pela Europa com várias companhias teatrais, até que, em 1957, foi aceita no Teatro Nuovo di Milano, comandado por Michelangelo Antonioni, com quem se casou e viveu mais de 15 anos. Monica ficou encantada com o approach cinematográfico originalissmo de Antonioni, e participou da maioria dos filmes que ele realizou a partir de A Aventura (1960). Só que apesar de ser uma mulher lindíssima e uma excelente atriz dramática, Monica tinha o dom da comédia -- algo que Antonioni jamais teve. Passou a engatar uma comédia atrás da outra, o que a distanciou um pouco da órbita do marido. Ciúme À Italiana (1970), de Ettore Scola, é, de todos os filmes cômicos que ela fez, certamente o melhor e mais original. Monica interpreta uma mulher toda atrapalhada que ama demais dois homens diferentes (Marcello Mastroianni e Giancarlo Giannini) extremamente ciumentos e igualmente atrapalhados, e faturou o Prêmio David Donatello de Melhor Atriz. Outro filme que marcou sua carreira e alcançou grande sucesso internacional foi a versão cinematográfica bem psicodélica da heroína dos quadrinhos de Peter O'Donnell Modesty Blaise (1966), dirigido por Joseph Losey. Sem contar o interessantíssimo e pouco visto Um Caso de Amor Quase Perfeito (1979), de Michael Ritchie, rodado na Cote D' Azur, onde Monica faz uma estrela de cinema que se envolve com um jovem diretor americano que contrabandeou seu filme de estreia dos Estados Unidos para a França para tentar incluí-lo numa mostra paralela no Festival de Cannes. Monica Vitti sempre usou e abusou de sua versatilidade, e sempre tirou de letra qualquer papel que lhe entregassem. Atuou no cinema até o início dos anos 90, quando se aposentou, passou a dirigir filmes e retomou sua carreira teatral. Sumiu misteriosamente do olho público desde a virada de século, logo após lançar sua autobiografia. Cinco anos atrás, seu marido divulgou um comunicado para a Imprensa explicando que ela sofre de um tipo raro de demência, e que está internada desde 2002 numa clínica na Suíça, e não reconhece mais ninguém -- um triste epílogo para uma das mulheres mais encantadoras da história do cinema. Quem prestar muita atenção no jeito de Jennifer Lawrence, talvez consiga perceber um certo ar de Monica Vitti no rosto e nas expressões dela. Beleza e Talento nunca faltaram para nenhuma das duas.












ELKE SOMMER
Berlin, Germany
November 5, 1940









Elke Sommer foi uma das muitas loiras europeias que tiraram proveito do sucesso internacional de Brigitte Bardot para tentar chegar ao estrelato em Hollywood. Ela tinha uma carreira no cinema alemão desde o final dos Anos 50, mas só começou a aparecer para o mundo quando aperfeiçoou seu Inglês e passou a filmar na Inglaterra. Veio para Los Angeles em 1961 e fez muitas pontas em filmes e muitos papéis figurativos em especiais de TV de Bob Hope e Jack Benny, até que conseguiu emplacar dois filmes de muito sucesso: O Prêmio (1964) ao lado de Paul Newman e Um Tiro No Escuro (1965) com Peter Sellers como o Inspetor Jacques Clouseau. Ao longo dos três anos seguintes, tornou-se uma das atrizes europeias mais requisitadas nos Estados Unidos. Quando sentiu que as ofertas de trabalho em Hollywood começaram a escassear, não pensou duas vezes e voltou para a Europa, onde retomou sua carreira na condição de estrela em thrillers e filmes eróticos ao longo dos Anos 70. De 1980 a 2010, Elke fez muita TV na Inglaterra e muito cinema na Alemanha. Não atuou mais desde então, mas não está oficialmente aposentada. O grande legado de Elke Sommer talvez tenha sido mostrar ao mundo que a mulher alemã -- tida como gelada por muitos latinos apressadinhos -- pode ser muito, muito quente, e cheia de mistérios deliciosos.

















KARIN SCHUBERT
Hamburg, Germany
November 6, 1944








Karin Schubert definitivamente não deu sorte em sua carreira no cinema. Apesar de lindíssima, opulenta e com uma sensualidade à flor da pele, ela chegou atrasada ao grupo de Brigitte Bardot lookalikes, num momento em que o Hollywood começava a se fechar para atrizes com esse perfil e o cinema popular europeu ficava restrito a spaghetti westerns extremamente formulaicos e comédias bobocas estreladas por Lando Buzzanca. Em 1972, ela ainda conseguiu papeis em bons filmes como O Atentado de Yves Boisset, fazendo par com Jean-Louis Trintignant, e O Barba Azul de Edward Dmytryk, ao lado de Richard Burton. Mas logo a seguir pegou a decadência do cinema europeu, e aceitou papeis em filmes eróticos como Emmanuelle Negra e em filmes de horror de última categoria com muita nudez das atrizes escaladas. Nessa época, a maioria dos atores e das atrizes preferiu mudar de mala e cuia para a TV em busca de papeis mais dignos a permanecer no cinema. Só que Karin Schubert, estranhamente, não fez isso, e decidiu embarcar no emergente cinema pornô italiano, ao lado de Ilona "Cicciolina" Stadler. Mas não enriqueceu. Nem ganhou projeção mundial. E quando foi rejeitada pela Indústria Pornô, caiu de cabeça nas drogas, na vodka e na prostituição, tentou suicídio duas vezes, e hoje vive num hospital psiquiátrico na Alemanha. Karin Schubert definitivamente não deu sorte em sua carreira no cinema.












No comments:

Post a Comment