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O DISCO DE CABECEIRA DE JU CARTWRIGHT: NEVERMIND, DO NIRVANA

 


Nirvana “Nevermind”

 (Geffen 1991)

 

Foi um choque! Acho que todos temos esse momento, com uma canção, com um acontecimento, com um filme. Uma espécie de mudança decisiva.  Este disco, em particular, foi essa mudança, esse choque, para muita gente da minha geração. Nunca mais nada foi igual. E era inevitável ouvir o tema “Smells Like Teen Spirit” vinte vezes por dia. Falava-nos direto à rebeldia da adolescência! Foi o primeiro disco que me fez andar para a frente, sem primeiro ir para trás. Claro que depois também fui às raízes, mas naquela época já só queria avançar. Com os Nirvana fui parar a Smashing Pumpkins, Alice in Chains ou a Stone Temple Pilots. E depois percebi que os Pixies tinham tido aqui uma enorme interferência. E os Sonic Youth também. E os Jane’s Addiction. E, de repente, estava tudo ligado à música que eu já ouvia. O “Nevermind” aqueceu-nos o inverno de 91/92, mas aqueceu-nos ainda mais o verão de 1992! Foi o primeiro verão em que trabalhei a sério, num bar de piscina ao pé de casa. Esta cassete estava sempre a tocar! Nessa altura eu ainda não tinha o disco e acho que a cassete que tocava era a do meu amigo Clive, que nesse verão também me pôs a ouvir o “Use Your Illusion II” dos Guns N’ Roses e o “Unplugged” do Eric Clapton, mas que não tiveram grande consequência nas minhas escolhas musicais. Já o “Nevermind” teve enormes consequências, que depois se prolongaram em Temple of the Dog, Soundgarden, Pearl Jam, Screaming Trees, e depois em QOTSA, e depois em Arctic Monkeys e depois…

JU CARTWRIGHT nasceu em Santos SP em 1975 e estudou no recatado Colégio São José. Trocava fluídos corporais com suas coleguinhas de classe no vestiário da escola, até que um dia tomou um flagra de uma freira e foi expulsa. Seus pais se mudaram para o Litoral Norte de SP e ela virou surfista. Mas nunca se profissionalizou. Hoje ela vende caipirinhas em Toque-Toque Grande. Já foi salva-vidas em Maresias e Cambury, mas não gostou. Seus pais eram roqueiros nos Anos 70. Ela seguiu a tradição da família. Gosta de meninas e meninos. Gosta também de whisky escocês e guarda as garrafas na geladeira.




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