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WALTER FIRMO DESCE A SERRA (uma Bofetada do Passado por Angelo Manjabosco)


Finalmente consegui adquirir uma revista Quatro Rodas do período que procurava, primeiros anos da década de 1960.

E, no dia mais quente do ano em São Paulo, uma sexta-feira beirando o insuportável, um post sobre praias.

Mais precisamente as praias do litoral sul de São Paulo, tema da reportagem principal da revista Quatro Rodas de dezembro de 1965. O texto é do repórter Carlos Coelho e as fotografias são de Walter Firmo, que era carioca e começou a trabalhar para a Editora Abril no início dos anos 1960. Firmo fez parte da primeira equipe de fotógrafos da Realidade, de 1966 até 1967, quando saiu para trabalhar na editora concorrente, a Bloch. Para os mais novos, vale lembrar que Adolpho Bloch tinha seu próprio império, assim como Victor Civitta: no seu auge, Bloch tinha duas gráficas, uma fábrica de tintas para utilizar em impressos(algo muito importante e complexo naquele período), editora e distribuidora de livros didáticos e revistas, um teatro, 16 emissoras de rádio e cinco de TV.

Lá Walter Firmo publicou principalmente nas extintas revistas Fatos & Fotos e Manchete (ainda estou caçando essas publicações: encontrei algumas, mas sem fotos de Firmo). Trata-se de um fotógrafo com carreira meteórica. Autodidata, começou a trabalhar em 1957 e seis anos depois, em um trabalho para o Jornal do Brasil, venceu o Prêmio Esso de Jornalismo com uma série de cinco reportagens chamada Cem Dias na Amazônia de Ninguém. Ou seja: quando fez a matéria reproduzida abaixo, já era um profissional reconhecido e requisitado. Foi ainda fundador e primeiro diretor do Instituto Nacional de Fotografia da FUNARTE, entre 1986 e 1991.

O texto fala sobre a imensidão da Praia Grande (“uma praia de 70 km”), esportes, comida, pesca, caça(!) e como fazer para se deslocar de carro de um lugar para outro (o “gancho” da Quatro Rodas).

Novamente, todos os créditos são da Editora Abril. Dessa vez as imagens não ficaram assim tão boas: o problema é que a revista está muito maltratada, as páginas ficam desalinhadas quando manuseadas e a lombada está por um fio de se romper. A boa notícia: resolvi o problema do tamanho das fotos, sacrificando um pouco da qualidade. Agora é possível clicar para ler o texto e a imagem não está tão pesada quanto no post anterior.

Nas fotos produzidas por Firmo (chefiado por Lew Parrella, diretor de fotografia da revista) é possível ver, na beira da praia, uma charrete e uma moça a cavalo. A estrada de areia não tinha transito, mas apresentava desafios: “Aqui e ali aparece um córrego, que convém atravessar bem perto das ondas, para não atolar”, escreveu o autor.

quatro rodas n65-13quatro rodas n65-14O encarte acima veio com a revista. No verso há um mapa indicando como chegar em cada localidade. O mapa que aparece atrás da revista é outra coisa, não faz parte desta matéria.

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quatro rodas n65-17quatro rodas n65-18quatro rodas n65-20quatro rodas n65-21quatro rodas n65-22quatro rodas n65-23         Revista Quatro Rodas, dezembro de 1965. Reprodução completa da reportagem “Uma Praia de 70 km”, exceto pela última página, que não foi incluída por conter um rasgo.



Ângelo Manjabosco é pós-graduado em Fotografia (Senac SP) e mestre em Estética e História da Arte (USP). Foi professor de fotografia no Senac (2010-2014), assistente de pesquisa na exposição Fronteiras incertas (MAC USP, 2013) e pesquisador em diversas exposições, entre elas Claudia Andujar, a luta Yanomami (IMS, 2018). É co-curador da exposição Entre Nós, 10 anos de Bolsa ZUM/IMS (2023). Publicou artigos na Folha de São Paulo, Revista ZUM e SP Arte. Trabalha no departamento de Fotografia Contemporânea no Instituto Moreira Salles.







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