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Showing posts from January, 2018

O FILME DA SEMANA É "THE POST", COM A TRINCA DE ASES SPIELBERG-STREEP-HANKS

por Luiz Mendonça de Lisboa par a A construção heróica do jornalismo em “The Post – A Guerra Secreta” (2017) é perto de pífia quando comparada com um filme como “Todos os Homens do Presidente” (1976), a obra-prima de Alan J. Pakula sobre o escândalo Watergate, que encontra aqui uma espécie de prequela. É que no filme de Spielberg toda a intriga gira à volta de uma decisão editorial e administrativa de publicar ou não matéria classificada de altamente confidencial pelo governo norte-americano. A grande aventura do jornalismo, que no filme de Pakula era a procura labiríntica e perigosa da verdade, aparece aqui reduzida à gloriosa decisão de deixar passar ou não material confidencial fornecido por uma fonte secreta – “Garganta Profunda”, no filme como na vida, não havia “feito a papinha toda” aos jornalistas do The Washington Post, ao passo que aqui, o “Whistle Blower”, a quem Spielberg dispensa pouca atenção dramática, e não encontra particular heroísmo, fornece tintim por...

DE SAMPA AO CAIS (por Flávio Viegas Amoreira)

Já lá se vão 40 anos que vivo duas atmosferas apaixonantes: o planeta Sampa e a terra onde nasci, o mítico porto de Santos. Me sinto um Levi-Strauss percorrendo essa estrada semanalmente nos "Tristes Trópicos", afinal o maior antropólogo do século XX era fissurado nesse trecho da costa e pela Paulicéia. No seu clássico dedica um capítulo inteiro a chegada a Santos e a subida da Serra do Mar entrando por Piratininga. A estação Jabaquara e a Praça dos Andradas de Santos são dois terminais dum mesmo entroncamento para o mundo onde me desdobro epidérmica e poeticamente indo e vindo ....Sampa é de certa forma extensão desse litoral histórico assim como a retroalimentação com a megalópole faz da chamada Baixada espécie de continuidade marítima de Sampa: Malibu, Brighton ou qualquer litoral que desce por uma metrópole. Plínio Marcos fazia essa mesma viagem temporal e geográfica: era um cidadão tanto do Macuco quanto do Copan. Oitenta quilômetros nos separam e quanta enr...

QUEM É VOCÊ NA FILA DO PÃO? (por Marcelo Rayel Correggiari)

A descrença desse faminto merceeiro em relação aos rumos da humanidade costuma ter lá seu fundamento... ... uma coisa do tipo: “... veja essa foto!”. Não que “... uma imagem vale mais do que mil palavras...”. Cascata! Mil palavras, a 3.000 Hertz de frequência vibracional energética, podem movimentar o universo bem mais do que uma simples foto. Entretanto, a iconografia que ilustra a “Mercearia...” dessa semana é real, tem ‘pedigree’, é verossímil e “... dou fé”. Panificadora Vila Belmiro, na esquina das ruas Guararapes com D. Pedro I. Afixada pelo interior da vitrine dos pães doces, a mensagem ilustrativa dessa semana. Ora, ora, ora... é de se imaginar o ‘bas fond’ que ocasionou a emissão de tal comunicado. Há exato um ano, descobri, após 46 anos de vida, uma predileção local, santista e, para variar, bem rasteira, por um tal de “... cará-do-meio...”. Hmm... Certo. “Cará-do-meio?!”. “Sabia, não!”. “Cará-do-meio?! ‘Tá’...”. Graças ao meu querido amigo dos tempos de es...

OS PRIMÓRDIOS DA TV PELO OLHAR DE PAGU (uma crônica de Ademir Demarchi)

Patrícia Galvão, a Pagu, “Musa-mártir antropófaga” do modernismo, como a definiu transformando em clichê Décio Pignatari, foi escritora de múltiplos interesses. Romancista, poeta, crítica de teatro, de literatura, jornalista e militante comunista, teve o registro desse seu variado interesse registrado no estudo Pagu Vida-Obra, pelo poeta Augusto de Campos. Boa parte da sua atividade de escritora foi estampada em A Tribuna, de Santos-SP, jornal onde trabalhou até o fim de sua vida, em 12/12/62, ao lado do companheiro e também escritor Geraldo Ferraz. Além dos textos dedicados ao teatro, Pagu publicou no jornal uma coluna dedicada à então nascente televisão brasileira. Iniciada a partir de 2/6/56 e intitulada sugestivamente de Viu?Viu?Viu?, essa coluna saía diariamente assinada com o pseudônimo Gim. Ela a começou seis anos após a inauguração da primeira emissora de TV na América do Sul, a PRF-3, TV Tupi-Difusora, Canal 3, em São Paulo, que foi o mais ambicioso empreendimento d...

AS BOAZUDAS DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO:#47: TAMARA TAXMAN

por Chico Marques Tamara Braga Taxman nasceu em 24 de fevereiro de 1947, na cidade de Woodstock, Illinois, filha de um americano com uma mineira de Varginha, mas veio para o Brasil com apenas três meses de idade. Estudou no Rio de Janeiro, trabalhou como modelo e como cantora, mas decidiu que queria mesmo é ser atriz, e estreou no teatro na peça musical “Alice no País Divino Maravilhoso” (1970). Estreou na TV na primeira versão de “Selva de Pedra”, como a empregada de Simone (Regina Duarte) que morre em um acidente de carro, e depois disso ganhou vários pequenos papeis em produções da emissora, até vingar como a falsa Selma em “Água Viva”, a solidária Gisa em “Sétimo Sentido” e a gringa Dorothy de “Um Sonho a Mais”. Mas brilhou mesmo pra valer quando mudou de mala e cuia para a TV Manchete no final dos Anos 80, ganhando papeis de muito destaque nas novelas “Kananga do Japão” e “Ana Raio e Zé Trovão” – que acabou gerando um convite inusitado para virar apresentadora de um program...