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Showing posts from July, 2018

LETTERE DA LECCO #2 (por Solange Menegale Piasentin)

Eccoci. Sob uma arvore em Viale Turati. Mais ou menos uns 300 metros de alameda, na calçada de um bar, grudadinha na rua principal. Sim, digamos que é a Champs-Elysées de Lecco. Ok, pura sacanagem... Só que não. O verão esse ano encontra sérias dificuldades para se afirmar. Os ciclones são frequentes e estão ameaçando a "bella stagione". Bela pros outros, eu acho um horror. Quente demais com um mormaço killer!! O anti-ciclone africano, ou o dos Açores, lambe a região mediterrânea com muito esforço. O italiano em geral ama falar do tempo. Nessa estação, vivemos preocupados e ocupados com os  anti­ciclones quotidianamente. Eu já estou viciada nisso. Todos eles tem nomes inspirados na mitologia grega ou romana, o que torna o evento meteorológico de uma elegância quase cultural: Annibale, Scipione, Caronte, Nerone, Caligola, Lucifero ou o Colosso dos Desertos... Obviamente, os nomes já predizem o inferno dantesco que teremos de afrontar. Pois é. Agora beiramos os ...

E LÁ VAMOS NÓS... (por Alvaro Carvalho Jr.)

Fim de Copa nos leva a encarar a realidade, depois de 32 dias entorpecidos pelos jogos. E, como era de se esperar, as coisas pouco mudaram nestas terras tropicais descobertas por Cabral (o navegador português, não o preso). A política continua chafurdando na lama; a proximidade das eleições começa a afunilar e apertar o bom senso e o começo de espaço de TV e rádio anda movimentando mais dinheiro que a Bovespa. Sim, meus caros, a coisa está feia e a gente não vê possibilidade de melhorar, pelo menos a curto prazo. Os candidatos até agora apresentados são de dar piriri em qualquer um. Considerando-se os grandes partidos, não há um candidato sequer que entusiasme, que nos tire do sério. Bolsonaro, Ciro, Alckmin, Álvaro Dias, Marina...mais uma grande dose do mesmo. Fica-se com a impressão de que o País está viciado em incompetência, em mesmice; atolado em desesperança, sem sonhos, sem nada. Como explicar isso? Bolsonaro, que vem liderando as pesquisas, dificilmente chegará a...

INDIGÊNCIA (por Marcelo Rayel Correggiari)

Há certo sofrimento para um país periférico como o Brasil construir um ícone, uma imagem: em geral, é um lugar pouco dado a se referir ao que realmente vale, ou tudo aquilo que lhe permitisse bom lastro a partir de algo erigido como resultado da própria lavra. Ao fim de mais uma Copa do Mundo, cabe aproveitarmos o ensejo para uma de nossas referências domésticas, a “camisa 10” dos times de futebol, por exemplo. Uma assinatura tipicamente brasileira. Cada time tinha o seu: o Corinthians ia de Rivelino, o Santos de Pelé, o Flamengo de Zico, o Palmeiras de Ademir, a Ponte de Dicá... isso para tentar encurtar o parágrafo. Todos na equipe nacional para quase mitificar o número: a contribuição de cada um para esse ícone internacional que se tornou a camisa 10 amarela. E não é invenção do delírio nacional: esse envelhecido merceeiro, no exterior, já presenciou o que esse símbolo, de fato, significa. Até que... ... vindo do mesmo clube do principal “camisa 10” de todos os temp...

OS INVERTIDOS (um contículo cult de Flávio Viegas Amoreira)

Théo olhava o fim de tarde lembrando o verão passado nas ruas de San Lorenzo em Roma. Uma espécie peninsular da Vila Madalena onde conhecera Andrea por quem ainda suspirava de saudade do seu corpo, das tertúlias particulares sobre filmes noir e o desencanto amoroso na andropausa.   Homens maduros são tão desiludidos sobre romance quanto solteironas desistentes.... Passara a noite lendo um ensaio sobre Max Jacob: por quê afinal todos louvam Picasso, Apollinaire e Jean Cocteau esquecidos daquele burlesco poeta tão a cara de MontMartre que foi Max Jacob?   Refletia quanto o vintage literário é gay e quanto o culto a divas como Kiki de Montparnasse e Arlety eram fenômenos de ´entendidos´. - Onde minha coleção de filmes soviéticos? -   pergunta a Jerusa, sua faxineira fissurada por LPS de trilhas sonoras dos anos 70. - Tá aí do lado desse retrato de Rita Hayworth em “Gilda”! - A tarde quero café fraco, me passa essa cópia de Klimt, olha se chegou correspon...

JOÃO e JEREMIAS - A PORRA DA HISTÓRIA (um folhetim beat de JR Fidalgo - 17ª de 17 partes - FINAL)

CAPÍTULO XXX João já tinha passado por ali centenas de vezes e só naquele dia reparou que, no lugar onde agora funcionava uma casa de ferragens, havia, muitos anos atrás, um bar gay. Eles tinham tocado ali uma ocasião, dividindo um pequeno palco com uma outra banda, da qual ele não recordava nem o nome nem os integrantes. Todos os contatos para a apresentação haviam sido feitos por Sami. Portanto, nem ele, nem Jeremias, nem os outros membros da banda sabiam que iriam tocar num bar gay. Não que isso fizesse alguma diferença, já que todos chegaram ao lugar, como sempre, muito altos, a ponto das pessoas, que se aglomeravam em frente ao palco, serem apenas vultos difusos se balançando ao som das canções que eles tocavam. A única coisa impossível de não perceber, apesar de toda a chapação, era a animação daquele pessoal, com certeza um dos públicos mais receptivos para o qual já tinham se apresentado. Os problemas começaram mesmo quando alguém se aproximou do palco...