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Showing posts from January, 2019

TUBARÃO (um poema de Germano Quaresma)

TUBARÃO Lá no fundo do mar, enquanto dorme a gente Um triste penitente nada, olhos de vidro Como eu, na madrugada, escrevo, renitente Meu caro Tubarão, 'stamos mesmo fodidos. Que sina o Criador nos deu, peixe doente, Escrevo pra viver, coração comprimido Escrevo enquanto nadas, seguimos em frente Sou solidário à tua dor, monstro querido. Tua sede por sangue, a minha por libido Não nos deixam dormir, põem-nos em movimento Levanto pra fumar um cigarro sentido Enquanto segues cego pelo mar profundo. Tens que nadar pra sempre, quieto, triste, lento - Eu, se não escrever, também, meu peixe, afundo. Germano Quaresma, ou Manoel Herzog, nasceu em Santos, São Paulo, em 1964. Criado na cidade de Cubatão, trabalhou na indústria química e formou-se em Direito. Estreou na literatura em 1987 com os poemas de  Brincadeira Surrealista . É autor dos romances A Jaca do Cemitério É Mais Doce  (2017), Dec(ad)ência ...

JENIFER, MON AMOUR (por Marcelo Rayel Correggiari)

O verão... ah, o verão! Com suas musas de biquíni, “aquela gelada”, caipora de pinga, vodka, saquê... ... um calor desumano e todo mundo indo para a praia... ... caixas de som ‘no talo’ com bastante funk-putaria-ginecológico... ... dentadura, conversor de canal a cabo, brinquedo, pedaços de caibro, coco, tudo ao longo da praia... ... dança do acasalamento, bastante rebolado, essas coisas... ... e depois chamam esse pobre merceeiro de chato, de que só gosta de “ir à praia” nas meias-estações. Mas... parafraseando o lendário personagem Caco Antibes, “... é, ou não é, a visão do inferno?!?”. 24/7. Ah, o verão! E tem o “hit” do carnaval (pelo jeito!) que não mais seria a boa e velha marchinha (José Roberto Kelly & Cia Ltda.) com letras bem sacadas e que levantam a multidão. No Brasil ‘mudérrnu’, saiu do samba e foi parar numa estilo que ora é reggaeton, e ora é um troço perto do indescritível. Anotem, aí: é Jennifer, o nome da ‘sujeita’. “... não é minha ...

ACIDENTES ACONTECEM (por JF Fidalgo)

Os fios estão bem na sua frente. Vermelho, azul e verde. Você sabe a sequência em que devem ser desconectados para, digamos, evitar acidentes. Vcoê foi treinado para isso. É tudo uma questão de lógica, você pensa, enquanto observa os fios: um azul, outro verde, outro vermelho. Incrível como ainda há gente que se confunde, e você não consegue entender como isso acontece. Não importa, você conclui: é tudo questão de lógica. Não há, portanto, motivo para esse suor frio escorrendo da sua nuca pescoço abaixo. Como também não há razão para suas mãos, de repente, estarem úmidas. Não, nada disso está realmente acontecendo. Você deve estar imaginando coisas. Uma breve alucinação, mero sintoma de um possível e leve estresse. Sim, é somente isso. Interessante, essa sensação nunca surgiu antes. Você sempre foi lá, desconectou os fios, fechou a maleta e deu o fora. Agora está aí, olhando fixamente para esses fios, hipnotizado. Vermelho, azul, verde e amarelo. Amarelo? Não, não há...

EDUARDO CAVALCANTI COMENTA A GENIALIDADE MEDÍOCRE DE M. NIGHT SHYAMALIAN EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

VARIAÇÕES PARA O FUTURO (por Flávio Viegas Amoreira)

O futuro é sempre fascínio, por vezes ansiedade, o homem é mais projeção do que qualquer outro predicado. No pessoal os desejos, no coletivo a busca da Utopia.  Convenhamos que os desejos pessoais pesam mais ultimamente que a bem-aventurança do grupo, da comunidade, do ideal fraterno de convivência mais igualitária e justa. No passado dizia-se que o importante é ser e não ter, hoje existe uma imposição quase histeria por querer. Querer coisas, viagens, alternativas de vidas, cessar o processo de envelhecimento, querer não como reflexão mas anseio em si. A prática da acumulação desmedida, da renovação de utensílios, móveis e imóveis, a mutação constante do perfil, a reciclagem que é bem mais aparente que essencial. Aliás o conceito de essencial caiu em desuso, tudo é prioritário e urgente, eficiência é um mito endeusado pelo mercado assim como descartabilidade um valor frenético.  A ultima onda é a descartabilidade do trabalho, das funções, do humano.  Sempre ob...

OS FARISEUS DO FACEBOOK (por Denise Marino)

Imagem do filme "Monty Python: A Vida de Brian"   Que atire o primeiro post quem nunca cometeu uma contradição! Essa singela corruptela da “Perícope da Adúltera” deveria estar escrita na entrada do Facebook. A exemplo de Jesus, que teria escrito na areia, à entrada do Templo, a frase original que sintetiza a história: “aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra.” Tem sido quase impossível adentrar ao FaceTemplo tranquilamente, sem precisar desviar das pedradas. Todos os dias tem um fariseu – “formalista e hipócrita” por definição – cobrando alguma postura. Há, por exemplo, os que cobram atitudes: “– Cansei de esperar por atitudes de pessoas que não têm nada de positivo para dar.” Quer dizer, o fariseu esperava as “atitudes” dos outros na atitude passiva e nada positiva de esperar... Há, também, os fariseus ecológicos. Cobram dos amigos e dos governos políticas de despoluição do ambiente, mas não dispensam o automóvel-polu...

EDUARDO CAVALCANTI APRESENTA O OUTRO LADO DA DÉCADA DE 80 EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

SATORI EM BAGDÁ (por JR Fidalgo)

Absurdo não é viver nessa guerra sem fim, mas sim sentir que não há nada a fazer sobre isso. Você está nas cordas. Os socos em sequência fazem você beijar a lona. O gosto do sangue se mistura à sensação de pedaços de dentes se mexendo de um lado para o outro na boca. Ainda assim você se levanta antes do juiz gordo e careca conseguir contar até dez. Dessa vez, vai ser diferente. Você vai, enfim, descobrir um jeito de acabar com a porra dessa guerra. Mas logo você percebe que a coisa ficou ainda mais violenta. Então tenta arrancar as entranhas com as mãos. Apesar da dor insuportável, não consegue parar. Na guerra não há espaço para compaixão. É privilégio para fracos, covardes, desertores. E eles vivem te assegurando que você não é um deles. E eles sempre têm razão, porque já lutaram em mais guerras do que o número de anos que você já viveu até hoje. E você descobre que já não se lembra mais quantos anos já viveu até hoje. Tudo passou muito rápido. No momento, porém, isso ...

TRANSFERÊNCIA DE PEPINO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Um dos prazeres das férias para um merceeiro sem filhos é a paz encontrada na ‘padoca’ da esquina. Porque morar ao lado de um dos clubes mais famosos do mundo que recebe centenas de ‘candidatos a Neymar’, mais duas escolas estaduais, duas particulares e uma municipal, tudo num raio de 50 a 100 metros, é passar a maior parte do ano em eterno turbilhão. Chega essa época do ano, das tais ‘férias’, e um sossego impera em cada centímetro de chão. Uma belezura! Sem filas, sem pais fazendo filas duplas em boa parte das ruas do bairro, uma tranquilidade que esse envelhecido merceeiro já tinha perdido o costume. Que tesão! Paz! Uma coisa... Tudo geladinho, no ponto, dentro do tempo cronológico. Uma maravilha! Sim, porque a algazarra, nessa época do ano, empurramos para os chamados ‘bairros da orla’. Três meses que nós, cá no fundão da ilha, mandamos nossas boas energias de força & fé, mais nossas extremas-unções para os(as) cidadãos(ãs) moradores(as) dessas locali...