TUBARÃO Lá no fundo do mar, enquanto dorme a gente Um triste penitente nada, olhos de vidro Como eu, na madrugada, escrevo, renitente Meu caro Tubarão, 'stamos mesmo fodidos. Que sina o Criador nos deu, peixe doente, Escrevo pra viver, coração comprimido Escrevo enquanto nadas, seguimos em frente Sou solidário à tua dor, monstro querido. Tua sede por sangue, a minha por libido Não nos deixam dormir, põem-nos em movimento Levanto pra fumar um cigarro sentido Enquanto segues cego pelo mar profundo. Tens que nadar pra sempre, quieto, triste, lento - Eu, se não escrever, também, meu peixe, afundo. Germano Quaresma, ou Manoel Herzog, nasceu em Santos, São Paulo, em 1964. Criado na cidade de Cubatão, trabalhou na indústria química e formou-se em Direito. Estreou na literatura em 1987 com os poemas de Brincadeira Surrealista . É autor dos romances A Jaca do Cemitério É Mais Doce (2017), Dec(ad)ência ...
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