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Showing posts from 2019

A MISANDRIA VEM AÍ! (por Marcelo Rayel Correggiari)

Pense num sujeito de voz grossa, daquelas bem graves, conforme os(as) regentes de coral, o famoso “baixo”, conhecido no meio como “basso profondo”. Pois bem, pense num sujeito com essa voz, barba na cara, um pênis e saco entre as pernas. Pensou?! Pois é: se tem alguém mais fora-de-moda, “démodé”, na face da Terra, esse alguém é esse sujeito com essas características. ‘Homem’, com suas características naturais. Já ouviram falar?! Bebe cerveja, assiste a jogo de futebol e/ou rugby, come boceta, carrega consigo afetos e sentimentos que ser humano algum (muito menos do gênero oposto) consegue sequer intuir. Não é dado a excessivas frescuras de indumentária, morre pela sua dama e pelos seus/suas filhos(as), é capaz de se submenter às condições mais espúrias em prol dos(as) seus/suas... de sua ‘patota’. Ronca, coça o saco (até mesmo porque tem um!), possui certa dificuldade de se assentar com as pernas cruzadas (só quem tem saco sabe!), bebe birita, aquela voz que parece...

SOB O REINADO DA LUA (por Flavio Viegas Amoreira)

Cinquenta anos duma era que ainda acreditava e apostava no futuro. Por onde andam o sonho, a esperança ,  onde repousa a vontade de acreditar no mundo,  alçar vôo ao porvir? Em que canto desse planeta deixamos a memória do infinito, nós agora nessa compulsão pelo caos , a destruição ,  essa entrega coletiva ao abismo? Naquele verão norte-americano de 1969 a humanidade pisava o cosmo e todos nós perguntamos:  onde eu estava quando o homem pisou na Lua?  Garimpando as lembranças me vejo atônito menino diante da tela de TV preto e branco  as pegadas míticas de Neil Armstrong  sobre nosso satélite prateado antes só anseio dos poetas enamorados.  Aqui na Terra divididos na Guerra Fria , os russos apertando o cerco na Cortina de Ferro e os ianques chafurdando no horror vietnamita : no deu tanta insânia ?  A União Soviética é peça de museu e o Vietnã depois de vencer a guerra se tornaria um tigre capitalista.  Quantas guerras são necessá...

POEMA EXPRESSO: PELA FRESTA NA JANELA (por Fábio Rossi)

Pela fresta da janela Resta a luz, no rosto dela Seu sorriso se amarela A cidade se ilumina Manhã triste que desperta Nas mãos vazias e desertas Olhos postos no horizonte Tardes frias e cinzentas Chuva chora sua ausência A paisagem se transforma A lua se afugenta As palavras que me consomem São no peito a sentença A certeza que se morre Noite, madrugada adentro Seu perfume me consola Quartos, sala um mundo imenso Sem seu corpo, sua presença A tristeza que me assola É ver seu sorriso virar choro O fechar de minha janela Casas brancas e amarelas Na paisagem pela janela Um jardim verde e florido Colorindo seu caminho No olhar triste e sozinho Nenhum aceno de adeus Pela fresta da janela Reza a luz A ausência dela Meu coração, então, se fecha Pulso fraco, quase para Varanda triste e deserta Vara a noite, a luz de vela Fábio Rossi é um cara admirável. Santista radicado em São Paulo, é dublê de ...

UM DIA CULTIVADO (para Walt Whitman, por Flavio Viegas Amoreira)

Vivemos um Tempo sem tempo ,   a pressa se impõe ‘a percepção,   o caos não criativo substitui a reflexão criadora,   a busca de um sucesso oco escraviza nosso cotidiano estéril.   ´´Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração´´ diz-nos Drummond : para onde vão todos na manhã que se esvai como se esvai o dia, o mês que corre, o ano que escoa nessa sensação de que tudo voa e nada se fica em nossas retinas tão cansadas de tanto e tudo?   Talvez só os poetas não se impõem essa correria doida porque os poetas são antenas da raça e precisam observar a atmosfera eterna por trás da paisagem barulhenta das cidades.   Os poetas são mantenedoras do encanto,   da fruição atemporal , das nesgas de infinito que ainda deitam raízes em nossos hábitos prosaicos,   o eterno que ainda teima colorir nossas pegadas por esse mundo já esgotando-se   por maus tratos .   É preciso alguns minutos para contemplação,   alguma pausa para saudad...

MUITO, MUITO DIFERENTE... E PARA PIOR! (por Marcelo Rayel Correggiari)

Cada país possui seu jeito: uns acertam mais, outros, bem menos. Com o último dia de circulação do Expresso Popular nesta sexta, 31 de Maio de 2019, vi jornalistas e ex-empregados da casa lamentarem o fechamento do jornal. O que, realmente, é lamentável mesmo que o "Expresso..." não seja mais um "modelo de negócio" pertinente. Compreensível. Vi algumas manifestações, aqui & acolá, sobre a efeméride de amanhã. Em alguns, o "... o Brasil encolhe...", em outras, "...o jornalismo está em crise...", nessa linha. Algumas comparações com o tipo de jornalismo que se faz em outros lugares do planeta. Vira, mexe, cai na BBC como uma espécie de 'modelo a ser seguido'. Opa! Por conta de uma amiga pessoal, a Srª Susan Lovell, "comissioner" da BBC Ulster (Irlanda do Norte), "... dessa empresa, eu conheço". Começam, assim, "as jabuticabas", internacionalmente conhecidas como "de...

A SOLIDÃO DO HOMEM FOFO #3 (por Germano Quaresma)

A SOLIDÃO DO HOMEM FOFO Cap X Volto aqui eu, o narrador, para uma breve reflexão: O que quer o homem fofo? Filho espúrio de uma época de ocaso, protagonizada por tristes figuras qual Fernando Gabeira, o homem fofo surge como reação ao crepúsculo de um macho romântico, sadio e bondoso, que amava as mulheres sem alienar sua alma ao diabo. Na aurora de enxofre que sucedeu o arrebol do velho macho luziu este espécime execrável, descontextualizado (ele próprio se diz "desconstruido"), sem identidade nem opinião firme. Arroja-se a infâmias como comer saladinhas, cheirar a rolha do vinho e fazer observações sobre safra, acidez, oxidação, combina cores de roupa. Degradou-se, enfim, no afã de agradar a pauta feminista impositiva que matou seu antecessor. Pra não sucumbir, capitulou. Em vez de lutar, aliou-se ao dominador. Mas, tal e qual o colonizador norte americano tem profundo desprezo pelo índio brazuca que o bajula, as mulheres nutrem pelo homem fofo verdadeir...