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Showing posts from November, 2018

A MAIS NOVA INVESTIDA DE SPIKE LEE NO CONFORMISMO REINANTE EM HOLLYWOOD (por Eduardo Cavalcanti)

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

IMPRESSÕES RÁPIDAS SOBRE TRÊS FILMES EM CARTAZ (por Fábio Campos)

O QUEBRA-CABEÇAS Escolhi assistir a O Quebra-Cabeças, refilmagem do filme argentino Rompecabezas de 2009, por causa da Kelly Macdonald. Ela é uma as atrizes mais subjugadas do cinema atual, desde Transpotting já demonstra o seu talento, mas sua carreira nunca decolou de verdade – seu melhor trabalho foram as 5 temporadas de Boardwalk Empire. O filme acabou sendo bastante agradável, apesar de tratar de um tema bastante recorrente no cinema, por isso não conseguir escapar de alguns clichês. Kelly é Agnes, uma dona de casa que se dedicou ao marido e aos filhos durante 20 anos de casamento, que segue uma rotina previsível até que ganha um quebra-cabeças de presente de aniversário. Ela descobre que é muito boa em montar aquilo e é aí que fica difícil escapar dos clichês, já vimos várias vezes filmes sobre donas de casas desvalorizadas pela família que a partir de algum evento passam a questionar a vida que levam. Mas o filme tem dois trunfos, Kelly, que está ótima, encan...

BALANÇA, MEU BEM... BALANÇA! (por Marcelo Rayel Correggiari)

(...) O ponto principal é que nem todos os conjuntos de instituições, consideradas como um todo, são iguais. Há combinações boas e ruins. Em alguns conjuntos de instituições, as pessoas podem florescer livremente como indivíduos, como famílias, como comunidades. Isso porque as instituições nos incentivam efetivamente a fazer coisas boas – como inventar maneiras novas e mais eficientes de trabalhar ou de cooperar com nossos vizinhos em vez de tentar assassiná-los. Em contrapartida, há estruturas institucionais que têm o efeito oposto: incentivam o mau comportamento, como matar pessoas que nos incomodam, roubar propriedades que cobiçamos ou desperdiçar nosso tempo. Onde há instituições ruins, as pessoas ficam presas a círculos viciosos de ignorância, má saúde, pobreza e, muitas vezes, violência. Infelizmente, a história indica que há mais dessas estruturas medíocres do que boas. Um conjunto de instituições realmente boas é difícil de se alcançar, ao passo que é muito fácil ficar empe...

NOVA ADMINISTRAÇÃO, PROBLEMAS ANTIGOS (por Alvaro Carvalho Jr)

Não será nada fácil para a nova administração brasileira, agora sob o comando do capitão Bolsonaro, tocar em frente todas a necessárias mudanças na economia. Tanto que, numa forma de revolta subliminar, deputados de vários partidos já lançam torpedos contra as reformas tão necessárias para que este País saia de sua inércia. E o cinismo desses deputados chega a níveis tão descarados e cínicos que assustam: falam claramente que dificilmente apoiarão a reforma da Previdência, por exemplo, sem que não haja uma contrapartida, usando a impopularidade da reforma como moeda de troca. Uns canalhas. Segundo esses deputados, só há uma maneira de tocar as reformas: os partidos precisam ser ouvidos e receber, proporcionalmente, o que tem de direito, como se nossa política fosse um pedaço de carne a ser repartido. Argumentam, Pasmem!, não encontrarem motivação suficiente para aprovarem uma proposta tão importante e tão rejeitada pelo eleitorado! Só há uma saída: a troca por alguma co...

O LANCE PERFEITO (um contículo cult de Flávio Viegas Amoreira)

Serpenteava pela Frei Caneca pensando o que é uma cidade? O que faz pensar que uma cidade é aquilo que vejo? Não será a cidade por onde Artur passa e onde imagino estar Artur bebericando sem minha espera, olhando as garotas,  fumando sem tédio por minha ausência? Parei de pensá-lo , ele voltou para Santos ,  surfando  e agora retomo inventar outra metrópole.  Sinuosa essa rua por quem ninguém dava nada e se inventa.  Um lugar são as pessoas que cruzam ,  cada boteco partícula dessa metáfora.  Como a lembrança do pau de Artur, sua bunda com marca de sunga,  o filete de caipiroska na baba pelo peito cabeludo. Não  tão desatento com entorno : ´´Por quê São Paulo não é tão conhecida nesse mundo?´´ ´´Será por estar em latitude meridiano fora de mão?´´  Mesmo sem Artur por perto havia ali um despenhadeiro vale um platô onde meteram imensa avenida:  mais um pouco iria me encontrar com Fiducia , eu sem jeito com as mulheres,  e...

COISAS QUE ACONTECEM COMIGUINHO (por Germano Quaresma)

Chove de fato a cântaros na minha hortinha, e é por conta disso que eu, a princípio, julgava mais um presente/armadilha de Eros o fato de moça tão bela tomar assento ao meu lado naquele avião voltando de Salvador. Feitas as concessões de estilo, um sorriso acolhedor e meio tímido, pra que ela não visse ali um velho tarado, também retribuiu o sorriso e fechou-se em copas, de modo não visse eu ali uma oferecida. Protocolo feito, calados ouvimos a preleção da aeromoça, que nos convidava a eventualmente operar a porta de emergência. Foi quando a baianidade falou, um riso gostoso em minha direção, a mão no meu braço, Tamo lascado, espero que a gente não tenha que operar isso, Será doce morrer do teu lado. Fechou a cara de novo, pedi desculpas, Brincadeirinha, recolhemos. Veio lanchinho da Azul, comi as balinha de goma tudo, ela sacou um livro. Bisbilhotei de rabo d'olho, livro de poesia, um poeta da moda que vai até na Fátima Bernardes. Sem sarcasmos, que seriam fatais ali, ...

NA SEGUNDA TEMPORADA DA SÉRIE "THE DEUCE", MAIS UM PASSEIO NOTURNO PELO BAS-FOND NOVAIORQUINO DOS ANOS 70 (por Fábio Campos)

Tive o primeiro contato com uma produção do David Simon em Treme , a série que iniciou em 2010 e retratava a tentativa de volta à normalidade dos habitantes de Nova Orleans depois da passagem do furacão Katrina, em 2005. Logo depois assisti à excelente mini serie baseada num caso real Show Me A Hero , de 2015. Nas duas produções é nítida a preocupação em retratar ao máximo a realidade com toda a sua complexidade de forma quase documental, cobrindo a realidade de uma grande variedade de personagens sempre com foco seus respectivos ambientes. Com isso, além da esfera pessoal, são retratados em detalhes ambientes como a policia, os políticos, os músicos, os empreiteiros e vários outros, que vão formando um mosaico cada vez mais interligado e complexo. O que eu não sabia é que a sua obra prima tinha sido lançada em 2002 e durou até 2008 -- a série The Wire , que usa os mesmos elementos com maestria. Ano passado, Simon se voltou ao ambiente da prostituição na Nova York dos ano...

CELEBRAMOS OS 56 ANOS DE NASCIMENTO DO GRANDE WAGNER PARRA COM UM TEXTO SAUDOSO DE MARCELO RAYEL CORREGGIARI

Sem Conserto para o Sol Mirada 2014. No serviço oficial de táxi do evento, tremenda sexta-feira, encerramento interno do festival que terminava no domingo seguinte, um DJ contratado para animar a festa. O motorista, sujeito rústico e sem o refinamento linguístico, verbal, para as novidades que entravam e saíam de seu veículo ao longo do evento (um festival ibero-americano de teatro), adquiriu naquele cliente com uma mesa de mixagem, dois CDJs e um monte de caixas de discos, além dos CDs, a confiança necessária para “... abrir o coração e matar a curiosidade...”. Curiosidade, sim! É de conhecimento geral que o mundo das artes possui forte presença LGBTI e, no teatro, não seria muito diferente. Naquele ano, inclusive, “Valmor & Cacilda”, do Uzyna Uzona, tinha entrado na programação. Vai que o pobre do motorista tinha prestado serviço para o Zé Celso?!? Ao descarregar o material de trabalho na porta do Sesc, o motorista não titubeou: não dava para deixar a oportunidade d...