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Showing posts from March, 2019

SUMIDA DAQUI HÁ VÁRIOS MESES, NOSSA CORRESPONDENTE EM MADRID DÁ SINAIS DE VIDA E DE INDIGNAÇÃO

Madrid, 17 de Março de 2019, Há dois assuntos atuais que me preocupam muitíssimo. Não, não é a destruição do planeta, nem a quantidade de plástico nos mares, nem a reservas mundiais de água e grãos... já sabemos que de uma hora pra outra vai tudo pro vinagre, de um jeito ou de outro... Posso ser egoísta e politicamente incorreta, mas prefiro ocupar-me de assuntos que afetam a mim e às pessoas ao meu redor. E nesse balaio, como disse antes, há dois que me preocupam de especial maneira: o futuro do transporte nas cidades e a gentrificação dos centros urbanos. Sobre o primeiro, depois de quase 14 anos pegando o transporte público em Madrid, estava a ponto de surtar. Já não aguentava mais a corrida diária de casa ao metrô, pagar quase 55 euros de vale-transporte (o que é relativamente barato, se comparado a outras cidades europeias); logo dentro do vagão, aguentar a cara emburrada das pessoas, os olhares, o cheiro de sovaco e de gordura dos casacos alheios às oito da ...

REFLEXÕES SOBRE UM VOTO A MAIS (por Fernando Gabeira)

publicado originalmente em O GLOBO e no ESTADÃO (24 MARÇO 2019) A Lava Jato fez cinco anos com impressionantes números internos e grandes repercussões na política continental, algo que não se destaca muito aqui, no Brasil. Mas na semana do aniversário sofreu uma derrota: por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que crimes conexos ao caixa 2 vão para a Justiça Eleitoral. Os políticos acusados de corrupção terão um alívio. A Justiça Eleitoral não está aparelhada para investigar, dificilmente colherá provas. Alívio maior ainda é saber que, mesmo com excesso de provas, como no julgamento da chapa Dilma-Temer, ela decide absolver. Há um novo marco adiante: a votação da prisão em segunda instância. Se o grupo que resiste à Lava Jato vencer, trará alívio não só para investigados, como também para os presos. A Lava Jato vinha de uma semana difícil com a história da fundação que usaria R$ 2,5 bilhões para combater a corrupção. Era dinheiro da Petrobrás a ser ...

FÁBIO CAMPOS ASSISTIU E RECOMENDA "NÓS", NOVO FILME DE JORDAN PEELE

Sempre tive um problema em relação a Corra! . Foi difícil aceitar o Oscar de roteiro quando eu torcia para Três Anúncios Para Um Crime , mas o Oscar e o filme elevaram Jordan Peele à categoria de celebridade. A grande maioria dos críticos se curvou ao filme, viu uma forte e elaborada metáfora ao racismo, enquanto eu só consegui ver um filme divertido com uma pegada forte de filme B.  Agora veio Nós , que teve um trailer instigante, e eu fui assistir tentando compensar a má vontade que tive com o filme anterior. O filme começa com uma garotinha que se perde dos pais num parque de diversões e vai parar num labirinto de espelhos – daqueles típicos de parques de diversões toscos – e então acaba encontrando com uma cópia de si mesma, numa cena deliciosa, que antevê o clima de tensão do filme. Depois disso avançamos no tempo e reencontramos Adelaide, a garotinha já crescida – Lupita Nyong’o, num grande papel –, voltando para o mesmo lugar, agora com a família, marido e doi...

EDUARDO CAVALCANTI COMENTA A "MEXICAN INVASION" EM HOLLYWOOD EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

DIÁLOGOS DE PLANTÃO (por JR Fidalgo)

DIÁLOGOS DE PLANTÃO   – E agora? – E agora o quê? – O que você vai fazer? – Por que a gente tem sempre que fazer alguma coisa? – Por que é a ordem natural das coisas. Acaba uma coisa, começa outra. – Se   é assim, a gente não precisa fazer nada, já qua as coisas simplesmente começam assim que as outras coisas acabam. – Não enrola. Você sabe do que eu estou falando. – Não, não sei do que você está falando e gostaria que você me deixasse em paz, aqui no meu canto. Eu não preciso fazer porra nenhma pra continuar existindo. Basta continuar respirando, é o suficiente. Será que você é tão idiota que não percebe isso? – Você vai acabar se intoxicando, tendo uma overdose. – De quê? – De tanto ar entrando pelo seu nariz. – Não seja estúpido. –  Tudo bem, então diz aí! – Diz aí o que, porra? – O que você vai fazer agora? – Nada, absolutamente nada. Vou ficar senta...

AUGUSTA ERA SÓ E IMENSA (por Flávio Viegas Amoreira)

O quarto tinha sido arrumado pela diarista que a acompanhou por cinco anos gentis, tudo disposto com esmero sem tirar o jeito distinto de Augusta nesse mundo indiferente.   Pensei na meia dúzia de vasos com antúrios na pequena sacada, a estante brilhava de uso e eu perguntei ao zelador sobre os parentes distantes. Apartamento parecia ter o tamanho do seu despojamento:   lembrei do chá de erva-doce nos dias frios e a cerveja preta no almoço; deveras ela dizia, deveras.... Sábia não teve filhos não faltaram amantes nos anos antes do recolhimento e nenhum apego a animais domésticos, ela era sábia melhor adjetivo extenso a tudo que refletisse sua inquietação mansa.   Seria tão somente eu a remexer seus guardados.... - Ela deixou para o senhor essa mobília espero que tenha uso ´Seo Alfredo´.   Ela estimava sua família sua luta o carinho da sua esposa... -   Levo a geladeira e fogão os moveis vão para meu sobrinho que casa Dr. Rodrigo - Me ajuda a...

UMA DESPEDIDA (OU OS MERCEEIROS TAMBÉM CHORAM) (por Marcelo Rayel Correggiari)

Semana passada, este pobre merceeiro passou pelo seu ‘momento epifânico’. Após a magnífica apresentação da jornalista e mediadora de leitura Goimar Dantas, dia 19 último no Senac-Santos,   pus-me a pensar. Enquanto esperava a fila do autógrafo diminuir, fiquei sentado em meu lugar, olhando aquilo tudo, ainda tocado pela performance da velha amiga. E uma única pergunta: “Onde é que você se perdeu, ‘Marcelão’?!”. A Goimar é da minha época de Primo Ferreira, mas somente a conheci melhor (ela e o marido Maurício) nos tempos de Facos (nas famosas escadarias da Euclides da Cunha). Um quarto-de-século, caro(a) freguês(a)! Depois de tanto tempo, ao vê-la em ação, a impressão que tive é que o hiato não existe ou, se existiu, passou muito, muito rápido. Foi uma trombada vê-la com aquela mesma energia da juventude. Goimar não envelheceu. A casca... ‘tá’, tudo bem. Todos nós ficamos com a casca meio avariada pela passagem do tempo. Mas o espírito... ah, aquele espírito não mud...