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Showing posts from February, 2015

UM PRELÚDIO PARA "JACKIE BROWN" (por Chico Marques)

Quem conhece o romance "The Rum Punch" (1992), de Elmore Leonard, que foi adaptado por Quentin Tarantino e se transformou no filme "Jackie Brown", sabe bem que o resultado final do filme tem muito pouco a ver com o tom da literatura de Elmore Leonard. Não que Tarantino não tenha sido fiel ao romance.  Ele até tentou ser.  Mas o tom às vezes sombrio, às vezes cômico dos personagens originais acabou trocado pela habitual sucessão de exageros estilísticos que Tarantino simplesmente não consegue evitar em seus trabalhos. Fora isso, tem ainda a obsessão de Tarantino em celebrar os filmes da Era da Blaxploitation -- quase todos horrendos, extremamente caricatos, e de baixíssimo gabarito artístico -- que afastam "Jackie Brown" ainda mais do tom original de "The Rum Punch" Sendo assim, pode-se até considerar que "Jackie Brown" seja um dos melhores filmes já realizados por Quentin Tarantino, mas dificilmente será uma das melhores...

SELMA: UMA LUTA PELA IGUALDADE (por Sérgio Prior)

(texto publicado originalmente em  www.setimaarte.iron.com.br ) A Academia de cinema de Hollywood foi pressionada por não incluir "SELMA" como concorrente nas principais categorias do Oscar de 2015.  A vida e a obra de Martin Luther King é um dos pontos altos da história norte-americana do século XX, com seu discurso pacifista contra o racismo, mas isso não torna o  filme obrigatoriamente bom.  A causa é pra lá de justa e atual, mas não assegura que a direção de Ava DuVernay seja burocrática. O dinheiro e a presença de expoentes da comunidade negra hollywoodiana, entre eles Oprah Winfrey, não consegue fazer jus à luta do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King (David Oyelowo, ator inglês, por sinal) em sua luta contra o racismo no sul do país, onde se concentrava - e ainda ocorre o mesmo nos dias de hoje - o maior número de racistas, de membros da Ku Klux Klan, enfim, de "rednecks" que se interpõem entre a integração dos negros na sociedade...

20.000 DIAS NA TERRA (Quarta, 20hs, Cinespaço Miramar, SESC Circuito Indie Festival)

NA CAVERNA DE NICK por Hugo Gomes  para o CINEMATOGRAFICAMENTE FALANDO  Por norma, quando se pretende concretizar um documentário sobre uma personalidade musical (e não só), facilmente se recorre à modelização narrativa numa alternância entre testemunhos / imagens de arquivo e vice-versa.  Com 20,000 Days on Earth, tal matriz seria desrespeitosa e automaticamente transformada numa oportunidade desperdiçada face a um homem tão curioso como Nick Cave, o líder dos Nick Cave and Bad Seeds, que no cinema ficou célebre como o autor do argumento de um dos mais envolventes filmes australianos dos últimos anos (The Proposition, de John Hillcoat).  Nesta obra que celebra a criatividade e a multifacetada forma do documentário, a dupla Ian Forsyth e Jane Pollard acompanham um Nick Cave autónomo e autodidático, um poeta ilusionista que profere vulgares "ordinarices" e que descaradamente transforma-as em prosa graças à sua voz carismática e sapiência.  Mas ac...

O FABULOSO INSTRUMENTO DE SOPRO DE MONSIEUR PUJOL

por Luigi Marnoto Falemos de tempos menos aborrecidos. Você sempre ouviu falar na grande atriz Sarah Bernardt. Mas aposto a minha coleção do Zéfiro que pouco (ou nunca) ouviu falar em Joseph Pujol, certo? Por que será, já que ambos dividiram o sucesso e os palcos parisienses na mesma época? Mais intrigante ainda é saber que no auge de suas carreiras, lá pelo final do século XIX e começo do XX, enquanto Sarah faturava 8 mil francos por apresentação, Pujol embolsava 20 mil e lotava as melhores e maiores casas de espetáculos de Paris. E olhe que, numa atuação, o esforço físico e intelectual da grande dama do teatro era infinitamente maior que o de Le Pétomane – o apodo artístico de Joseph Pujol ( e você já vai entender porquê). Enquanto Sarah se esfalfava decorando, encenando e contracenando com grande elenco um texto como A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, Pujol, com sua indefectível gravata vermelha e culote preto de cetim, entrava em cena sozinho, curvava-se l...

O BRILHO INTENSO DE MARION COTTILLARD NUM FILME DENSO.

por Sérgio Prior para  www.setimaarte.iron.com.br "DOIS DIAS, UMA NOITE", de Jean-Pierre e Luc Dardenne, está em cartaz no Cinespaço, do Shopping Miramar.   Os irmãos Dardenne já venceram a Palma de Ouro do festival de Cannes duas vezes.  A primeira vez  por "ROSETTA". A s egunda por "A CRIANÇA".  Tudo gira inevitavelmente sobre as relações familiares e as crises sociais na Europa.  Pode-se dizer que estes irmãos belgas são os maior es herdeiros do neo-r ealismo italiano, de Rossellini.  A temática não difere dos seus filmes anteriores neste "DOIS DIAS, UMA NOITE".  Sandra (a maravilhosa Marion Cottilard, que concorre ao Oscar de melhor atriz deste ano) é uma operária, que teve de tirar licença médica em função de um provável quadro depressivo.  O seu salário é fundamental para pagar as contas e as prestações de sua casa.  O esposo, Manu (Fabrizio Rongione), não consegue suprir as necessidades financeira...

SILVA TRAZ SUA NOVA BANDA NESTE SÁBADO NO SESC-SANTOS

Depois de um álbum de estréia muito elogiado, "Claridão" (2012), o  cantor e compositor capixaba Silva, de 25 anos de idade, que até então não acreditava na tal "síndrome do segundo disco", passou a sofrer com os seus sintomas: "É assustador. Você não quer repetir o que já fez e quer ver que riscos pode assumir. É uma prova de fogo". "Vista Pro Mar", o tal segundo disco, chega a ser um paradoxo, pois é surpreendentemente leve e não passa recibo de ter sido o resultado de um parto prolongado e difícil.  "É um disco para ouvir na beira da praia, da piscina, com um instrumental sem tanto drama. 'Claridão', o disco anterior, tinha letras mais densas. Já "Vista Pro Mar" está mais de bem com a vida. Moro em Vitória. Não me enxergo em uma cidade sem praia". "Vista pro Mar" traz letras em português —a maioria sobre relacionamentos— em música eletrônica de batida leve, com arranjos de teclados e s...