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Showing posts from June, 2015

"VIRANDO A PÁGINA": UMA ÓTIMA REFLEXÃO SOBRE A JUVENILIZAÇÃO DE HOLLYWOOD

por Chico Marques A parceria de Hugh Grant com o roteirista Marc Lawrence vem de longa data.  Juntos, fizeram comédias românticas extremamente bem recebidas pelo público adulto, como  "Forças do Destino" (1999), "Cadê os Morgans?" (2009) e "Letra e Música" (2007). Como time bom é time que está ganhando, Grant e Lawrence acabam de retomar a parceria nesse "Virando A Página", que é uma variação sobre o mesmo tema de "Letra e Música", só que focado na Indústria Cinematográfica ao invés da Indústria Fonográfica. Grant faz um roteirista, Keith Michaels, conhecido mundialmente por um sucesso na década de 1990 -- um drama teológico chamado "Paraíso Fora de Lugar". Infelizmente, este sucesso não se repetiu nos filmes seguintes que ele escreveu, e como em Hollywood existe a regra que diz "você é o seu último filme", Keith se vê obrigado a deixar seus projetos de roteiros de lado e dar aulas em uma univers...

TORCE PARA O SANTOS FC? VAI ESTAR NOS ARREDORES DA VILA BELMIRO HOJE À NOITE? ENTÃO ESTE POST É PARA VOCÊ.

CAMERON CROWE DRIBLA AS ADVERSIDADES E ACERTA A MÃO EM "ALOHA-SOB O MESMO CÉU"

por Chico Marques "Aloha", novo filme de Cameron Crowe, é uma comédia romântica incomum e fora dos padrões, com diálogos rápidos e inusitados, e que segue num tom debochado, quase altmaniano. Não é um filme em tom menor, como o anterior "Comprei Um Zoológico". Também não é um projeto extremamente ambicioso, como "Vanilla Sky" e "Quase Famosos". É, na verdade, mais um mergulho na alma da América após uma descida ao Inferno em busca de alguma espécie de redenção pessoal, como em "Elizabethtown". Considerando a extrema má vontade com que a crítica recebeu tanto "Elizabethtown" quanto "Comprei Um Zoológico", não é de se espantar que "Aloha" também fosse mal recebido por eles. E como foi.  "Aloha" (que aqui ganhou o estranho título "Sob O Mesmo Céu") começou a apanhar da Imprensa Especializada meses antes de seu lançamento, por conta de emails desfavoráveis ao projeto da ex-presi...

A IMAGEM DA SEMANA: MENSAGEIROS DO INVERNO CHEGAM ÀS PRAIAS DE SANTOS

FOTO DE ANDRÉ MARESCA

POEMINHA DE DOMINGO (por Antonio Luiz Nilo)

PONTO E TRAÇO Mais uma vez estamos nós no papel. Eu e minha infiel caneta, a brilhante delatora da discreta intimidade. Deslizando, independente e segura, sobre a superfície de pautas estreitas, a pena, sem a mínima pena, apenas flui seu veneno. Encouraçada pela sutileza das entrelinhas vai rasgando o papel e a alma como os orientais que espetam sem dor. A velha caneta, apesar de infiel, é mesmo a velha e única confidente. Às vezes penso que faz parte da gente, como um membro implantado. Uma espécie de prótese da personalidade. Na verdade, a velha caneta e eu somos apenas um. Um único traço de ódio e amor preenchendo os espaços. Um único jeito de confessar as culpas de quem peca por viver. O que a velha caneta representa pra mim é tão somente a própria existência. Algo como o começo, o meio e o fim. Se hei de responsabilizá-la pela força da tristeza e a insegurança da alegria, assim o faço. E com ela, eu assino embaixo. Antonio ...

A BELEZA MAJESTOSA DE ISABELLE ADJANI RESISTE BRAVAMENTE AOS 60 ANOS DE IDADE

por Chico Marques Isabelle Adjani completa 60 anos de vida neste sábado, 27 de Junho.  Lá se vão 40 anos desde que ela foi apresentada ao público internacional através de 'Adele H", de François Truffaut. Foram quase oito anos tentando filmá-lo. No final dos Anos 60, Truffaut quase conseguiu. Jeanne Moreau seria Adele H. De repente, a produção empacou. Em meados dos 70, o filme finalmente entrou em pré-produção. Catherine Deneuve, namorada de Truffaut na época, foi escalada para fazer Adele. Mas então, ele viu acidentalmente a jovem e desconhecida Isabelle num teleteatro e ficou impressionadíssimo, tanto com sua beleza e seu vigor quanto com seu talento. Não teve dúvidas: chamou-a para fazer o papel (dificílimo) de Adele Hugo, e emplacou um sucesso internacional. Obviamente, seu namoro com Catherine Deneuve não resistiu a tantos solavancos, e acabou. Só Truffaut mesmo para fazer uma desfeita dessas com uma mulher do quilate de Catherine Deneuve... Isabelle Adjani n...

"ENQUANTO SOMOS JOVENS": UM RITO DE PASSAGEM AGRIDOCE DE NOAH BAUMBACH

por Chico Marques Há mais de 50 anos, o cinema produzido na cidade de Nova York lança constantemente no mercado novos talentos que acabam se revelando de valor inestimável para a renovação do cinema americano.  Nos Anos 60, quem brilhou foi John Cassavetes.  Nos Anos 70, Woody Allen.  Nos 80, Spike Lee, e nos 90, Edward Burns.  Todos poderiam ter seguido para Hollywood, mas a maioria deles preferiu permanecer em Nova York, fortalecendo o cinema produzido na cidade e dando sequência a carreiras notáveis. Pois a bola da vez do cinema novaiorquino é Noah Baumbach, c ineasta com uma filmografia em construção desde a metade dos anos 1990.  Graças ao surpreendente sucesso de sua comédia FRANCES HA, de 2012, o agora quarentão Baumbach vem transformando em ficção uma certa perplexidade diante do que imagina vir pela frente em sua vida. A descoberta de que o tempo passa sem que notemos isso com clareza é o tema de ENQUANTO SOMOS JOVENS, nov...

UMA NOITE COM BRUNA SURFISTINHA (por José Luiz Tahan)

Foi no auge do seu livro, O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO (Panda), do Marcelo Duarte. Auge mesmo: o livro estava em primeiro lugar na lista dos mais vendidos por todos os lados. O relato da menina de classe média que ganha a vida satisfazendo os clientes com o seu corpo conquistou o Brasil. E num sábado eis que a nossa escritora surge pela porta da livraria. Usava uma camiseta branca e jeans de marca, me pareceu tímida, um pouco deslocada, dá pra entender. Foi um dos primeiros eventos feitos por Raquel, que assim se apresentou: “Prazer, Raquel”. Lembrando dos dias que antecederam a sessão de autógrafos, vale contar que a imprensa local nos ignorou solenemente. Passamos em branco por todos os veículos que sempre nos apoiavam em pequenos ou grandes encontros com autores. Recebi até um telefonema irritado e ameaçador de uma senhora (a voz parecia a de uma senhora), que bradava contra a nossa escolha. “Como que uma livraria séria traria uma, uma, você sabe”...   No dia passamos...

A REVISTA MIRANTE COMPLETA 32 ANOS NESTA SEXTA NO FOYER DO TEATRO MUNICIPAL (20hs)

Nesta sexta-feira, a partir das 20 horas, a Secretaria de Cultura promoverá o lançamento da edição nº. 89 da Mirante - Revista Literária Santista, coordenada pelo poeta Valdir Alvarenga e coeditada pelo poeta Antônio Canuto e pela também poeta Irene Estrela Bulhões, responsável pela diagramação visual da Revista.  A Mirante é uma publicação independente, das mais tradicionais da região, que circula há 32 anos em Santos. Lançada e editada durante todo esse período pelo poeta Valdir Alvarenga, surgiu da efervescência do movimento que ficou conhecido nacionalmente nas décadas de 70 e 80 como “poesia marginal”.  Detentora do título de mais longeva revista literária independente do país, atravessa os anos dando a ver tanto os escritores consagrados pela história quanto talentos anônimos da literatura santista e mundial. Na edição nº. 89 a ser lançada nesta sexta, a Mirante traz os centenários de Batista Cepelos (poeta, natural de Cotia, 1872 - 1915), Saul Bellow ...

AL PACINO E BARRY LEVINSON NUM BELO FILME BASEADO NUM BOM ROMANCE DE PHILIP ROTH

por Allyson Oliveira publicado originalmente no CineWeb Há mais ou menos uma década —talvez desde sua participação como o personagem central de "O Mercador de Veneza"—, Al Pacino não procurava algo no cinema que se assemelhasse o mínimo que fosse a um desafio. Desde a participação em um filme de Adam Sandler ("Cada Um Tem a Gêmea Que Merece") a policiais inócuos ("88 Minutos" e "As Duas Faces da Lei", no qual divide cena com Robert DeNiro), o ator que interpretou Michael Corleone na trilogia "O Poderoso Chefão" não saía da zona de conforto. Em "O Último Ato" —adaptação do romance "A Humilhação", do escritor norte-americano Philip Roth, que estreia nesta quinta (2)—, Pacino mostra do que é capaz, algo que talvez tivéssemos esquecido há algum tempo, e se destaca mais do que o filme, algumas vezes histérico, em outras certeiro. O tema é um ator envelhecido que está perdendo a razão num mundo gov...