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Showing posts from July, 2017

DAME HELEN MIRREN CHEGA AOS 72 ANOS E NÓS COMEMORAMOS COM LOUVOR

por Chico Marques Dame Helen Mirren é uma grande atriz respeitadíssima na Inglaterra e com uma carreira espetacular pelas costas. Só que, estranhamente, só há pouco anos, com o sucesso internacional de A Rainha, é que o resto do mundo começou a se dar conta disso. Ela começou sua carreira na Royal Shakespeare Company em 1967, e é uma das pouquíssimas atrizes a ganhar a Triple Crown of Acting, a maior honraria do Teatro Britânico.  Fez uma carreira brilhante no cinema inglês, e, entre os muitos prêmios que recebeu, ganhou a Palma de Ouro de Melhor Atriz pelo filme irlandês "Cal" em 1984. Finalmente ganhou o Oscar de Melhor Atriz aos 62 anos de idade, quando Stephen Frears a convocou para interpretar a Rainha Elizabeth II.  De lá prá cá, tem sido escalada frequentemente para produções americanas, depois de ser esnobada solenemente em Hollywood por mais de 30 anos. Dame Helen Mirren ganhou recentemente um Tony pela peça "The Audienc...

NOSSO MOVIEGOER FÁBIO CAMPOS FOI ASSISTIR "DE CANÇÃO EM CANÇÃO", NOVO FILME DE TERRENCE MALICK, E GOSTOU DO QUE VIU

Terrence Malick tem uma trajetória muito particular. No início da carreira dirigiu dois filmes bastante elogiados -- o ultimo deles, "Cinzas no Paraíso", no longínquo 1978 --, aí interrompeu a carreira por 20 anos. Mesmo assim, quando retornou, dirigindo "Além da Linha Vermelha", foi muito celebrado e conseguiu angariar, em Hollywood, um batalhão de estrelas de primeira grandeza para o filme. Daí em diante vem mantendo uma razoável constância. Por essa trajetória dá para perceber que ele está longe de se encaixar nos padrões da indústria. Nem entrevistas ele dá. Mas essa reputação é o bastante para ele conseguir filmar à sua maneira. Seus filmes são extremamente autorais, sem nenhuma concessão comercial, mas, mesmo assim, ele sempre tem financiamento disponível uma fila de astros sempre prontos para trabalhar com ele. Confesso que Malick está muito distante dos meus cineastas favoritos -- digo mais ainda, acho praticamente todos os seus filmes chatíss...

A CONTA DO MOTEL (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)

O encontro semanal era religioso. As três podiam faltar à missa ou se esquecer do culto, mas o final da tarde de segunda era sagrado. Paula, Andréia e Jussara se encontravam no mesmo cafezinho do centro de comercial, meio do caminho para todas. Entre uma bebida quente com adoçante, um salgado integral e uma sobremesa diet, as três atualizavam o papo, faziam confissões e acabavam sempre na mesma pauta: maridos, namorados, cachos, transas eventuais, nomes que variavam conforme o status atual do colaborador. Como trabalhavam no mundo corporativo, adoravam incorporar os termos na vida pessoal. Achavam que, assim, garantiriam os empregos e seriam pró-ativas. Depois dos beijos e das perguntas mecânicas sobre família, trabalho e tal, sentaram-se, fizeram os pedidos e Jussara, sem cerimônia, despejou nas amigas: — Terminei com o Paulão! — Mas você não estava apaixonada? Disse que queria ter filhos com o cara, só enchia o saco com as histórias dele, - reagiu Paula. — Enchia o saco...

CAFÉ E BOM DIA #68 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Sim eu sei, repentinamente desliguei as rodas do mundo e parei para Ver os olhos de Elizabeth Taylor, a Barbarelice de Jane Fonda dançando sensualidade, as pernas perfeitas de Cyd Charisse, Busto de Jane Mansfield E o olhar mágico de Lauren Bacall. A leveza, suavidade irrepreensível de Ginger Rogers, a voz de Shirley Jones, a mítica Greta Garbo e Betty Davis, de Miss Davis que dizer então. Os cabelos de Maureen O'Hara, também os cabelos ondulados de Gene Tierney, O nariz de Barbra Streisand, A delicada Grace Kelly. Ainda faltam Loretta Young, Joan Crawford, Lena Horne, Katherine Hepburn, Vivian Leigh, Theda Bara e Claudia Cardinale. Agradeço demais Vilson e Osvaldo e a gentileza da Isabel Nascimento pelo registro. Minha felicidade em rever filmes que marcaram minha vida não pode ser escrita. Eu, Lucy e minha mãe estamos em êxtase. Bette Davis teve seu apogeu nos anos 40. trabalhou em mais de 100 filmes dos quais tenho um quinto deles. Miss Davis subiu as...

O ABRIDOR DE LATAS (uma bofetada do passado por Millôr Fernandes)

(pela primeira vez no Brasil, um conto escrito inteiramente em câmera lenta) Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira de uma estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1.200 anos, e uma tartaruga bem pequenininha ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas, dizia eu. E dizia-o muito bem pois elas estão sentadas mesmo. Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse: - Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia dessa vida? - Formidável - disse a tartaruguinha mais nova 12 depois - vamos fazer um pique-nique? Vinte e cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o pique-nique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerante, elas partiram. Oitenta anos depois chegaram a um lugar mais ou menos aconselhável...