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Showing posts from October, 2018

O FILME DESTE FIM DE SEMANA: "PRIMEIRO HOMEM" (por Fábio Campos)

Nostalgia é um componente sempre presente na obra de Damien Chazelle.  Whiplash é praticamente um lamento à morte dos anos de ouro do jazz e de seus grandes ícones -- e, ao mesmo tempo, uma crítica à preguiça do público e dos músicos atuais. Depois veio La La Land e a coisa ficou ainda mais explicita na homenagem aos musicais já quase extintos no cinema atual. Com Primeiro Homem Na Lua , a nostalgia continua. Desta vez, Chazelle aponta para um momento icônico da história americana: a conquista do espaço. A euforia do pós-guerra vai dando lugar à desconfiança com o governo por conta da Guerra do Vietnã, a guerra fria vai ficando mais intensa e os russos elegem a conquista espacial como símbolo de uma suposta supremacia sobre os americanos. Com o projeto Gemini, o Governo Americano inicia os esforços para reverter a sequência de pioneirismos russos, tendo como meta o plano arrojado de, em poucos anos, colocar um homem na superfície da lua. O filme narra essa cor...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA OS 50 ANOS DO ALBUM BRANCO DOS BEATLES

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

PEGA FOGO, O CABARÉ (por Marcelo Rayel Correggiari)

Olhem o perigo das coisas! A 48 horas de um pleito presidencial que anda valendo discurso de ódio e gente se estapeando (literalmente!) nas ruas (na melhor das hipóteses), nosso querido editor desse nobilíssimo Leva um Casaquinho fez a convocatória para o retorno às atividades costumeiras. Brincadeiras (dessa perdida Mercearia) à parte, justamente num período em que, no caso de palavras tanto bem quanto mal usadas, todas as situações de litígio andam sendo resolvidas ‘no tapa’ (literalmente!). Já sabem: domingo, agora, à noite, o Cabaré começa a pegar fogo, sem hora para acabar. A estupidez nos últimos pleitos anda fazendo saudade diante da ignomínia estarrecedora comportamental nacional da disputa eleitoral desse ano. É de cair o queixo! É de absurdar como é que chegamos nesse ponto. É de estarrecer como a população brasileira coloca, no segundo turno presidencial, tanto de um lado quanto de outro, o que há de mais espúrio em termos de populismo extremista. É...

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO (por Alvaro Carvalho Jr)

Nos idos de 1989 -- como esquecer? -- eu já estava com 43 anos e me preparava para votar -- imaginem! -- para presidente da República pela primeira vez. Quatro anos antes, em 1985, já vibrara com a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, eleito com 480 votos derrotando o representante da Redentora, Paulo Maluf (de triste memória...), esse mesmo que está em prisão domiciliar, depois de anos e anos de tramóias. Eram os ventos democráticos que me entusiasmavam. O cheiro e a sensação de poder tocar a Liberdade, aquela mesma que me haviam arrancado desde os 18 anos e que agora, já pai de filhos, voltava para meu aconchego. Surpreendentemente, entre os 22 candidatos (todos queriam ser presidente!!!), apresentava-se apenas uma novidade, Fernando Collor de Mello (outro de triste memória), o famoso caçador de marajás que conseguiu apenas caçar a poupança da população e acabou escorraçado do Palácio do Planalto pela mais fantástica  De lá para cá a história vem se repetin...

TRÊS TEXTOS CURTOS E GROSSOS (por Germano Quaresma)

Literatura & Ideologia Definitivamente não há qualquer relação entre postura politico-ideológica e talento literário. É um erro crer que só um medíocre abraçaria uma posição ideológica diversa da nossa. Eu faço aqui minha autocrítica e me declaro incondicional admirador de Gustavo Corção, Chesterton, Fernando Pessoa, Anthony Burguess e tantos. Não acho que o fato de algum intelequituau brazuca apoiar o candidato fascista seja indicativo de escrotice, idiotice, desconexão dazideia ou incapacidade de exprimir seu pensamento em um texto. Creio mesmo que deva haver um novo Ezra Pound prestes a florar da sarjeta dos apoiadores dessa coisa. Se alguém souber, mim aviza, por favor. Que eu até agora só vi merda. Mas num perdi a fé. Lista de Apoio Hoje o meu nome saiu numa lista de apoio. Primeira coisa que fiz foi compartilhar a lista. Não que me seja confortável ou lucrativo, pode ser, dada a conjuntura política que se apresenta, inclusive perigoso. Mas, reafi...

MEDUSA NA AUGUSTA (por Flávio Viegas Amoreira)

Descubro um grande poeta brasileiro por semana, quando dou sorte um imenso. Nesse inverno morno fui a um lançamento que era mais que necessário: no já mítico Cemitério de Automóveis ali onde a não menos Frei Caneca se entrega a Rua Augusta num eixo gozozo ímpar. A autora é antologia pura do fascínio de Sampa: Rita Medusa, górgona assustadora ao imbecis desavisados da sôfrega literatura brasileira. Nós felizardos acostumados com sua verve e poemas lançados em facebook agora podemos apontar de livro em punho: eis uma puta poeta que se dá ao mundo altura dos melhores de sua geração e já nascida gênio. Chega de adjetivos!  Conheci-a faz década ali entre o Satyros e o Clube Noir brilhante exalando poesia maldita entre intermináveis baforadas: personagem de Jarry, Artaud, Breton na melhor tradição de Roberto Piva e Claudio Willer: uma destacada nesse mar de tibiezas e lugares comuns da poesia anêmica e “fofa”. Porque a noite é sábia e louca a poesia lhe faz morada. Ali ...