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Showing posts from September, 2017

COISAS DO BRASIL: CABRAL E SUAS MULHERES (por Álvaro Carvalho Jr.)

pinturas: DiCavalcanti Susana Neves Cabral, funcionária da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e ex-esposa do ex-poderoso Sérgio Cabral, entrou com um pedido junto à Assembléia reivindicando um penduricalho econômico aprovado pelos nobres senhores-deputados-estaduais-cariocas conhecido por “Bolsa Reforço Escolar”. Isso significa que um dos três filhos que Susana teve com o ex-governador atualmente encarcerado, receberá a mísera quantia de R$1.136,50 mensalmente para pagamento da escola. Considerando-se, claro, que o rebento ainda não atingiu os 24 anos. Os outros dois, infelizmente, já perderam o prazo de validade. A desfaçatez desse povo não tem limites. Com as contas arrebentadas e com milhares de funcionários -professores incluídos- sem receber um tostão, o governador do Rio, Pezão (esse é outro...), vive de chapéu nas mãos em Brasília para tentar arrumar algum. Claro, Susana vai afirmar de pés juntos que tem todo o Direito de receber o tal penduricalho, pois está ...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA OS 70 ANOS DE STEPHEN KING EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em várias outras publicações.  É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

O JALECO E O HAMBURGER (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)

ilustração: Osvaldo DaCosta   Ariovaldo vestia todos os equipamentos de segurança para um trabalho de poucos riscos. Usava capacete branco, comum na construção civil, calça camuflada modelo militar, botas sete léguas, camisa escura e jaleco, além de luvas de borracha. Em silêncio, ele estava sozinho no combate. O exército de um homem só. Embora veja como coletiva sua responsabilidade profissional, Ari prefere agir por si mesmo. Ele não consegue lutar em grupos. Prefere fazer o serviço isolado. Assim, o controla. Garante a eficiência, sem palpites de subordinados ou chefes! Não se importa com os comentários; afinal, comunica-se discretamente e transpira vergonha. Conversa? Apenas o necessário, pois o trabalho é infinitamente mais importante do que jogar palavras com qualquer um. Pode ser alguém que passa apressado. Pode ser alguém que trabalha por ali e o vê duas, três vezes por semana. Depois de alguns segundos de reflexão, Ari se abaixou e recolheu um punhado de fo...

CAFÉ & BOM DIA #76 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Essa de carimbar como credenciado por ter sido traduzido em 70 ou sei lá quantos países não significa qualidade. Poderia citar uma centena de exemplos, mas não vou perder tempo. Li alguns autores de ficção e confesso que apreciei poucos dos que surgiram, nem um novo Asimov, Clark, Verne. Não me apraz essa de monstros disformes, alienígenas, predadores do espaço e por ai vai. Ficção que me dá prazer tem que ter vértice de serem possíveis acontecer. Minha companheira é fã incondicional e lá vou eu me sentido chapado de ácido lisérgico, não aguento mais super-hérois, a contrapartida é tê-la ao lado assistindo filmes tal como "Amour" do Haneke, Nebraska que para ela é de uma monotonia tal que dá vontade de tomar cicuta. Nunca li nada de Margaret Atwood e me interessei face a insistência dela para que assistisse o seriado "The Handmaid’s Tale" que de certa forma avança como se fosse um filme dos que gosto e ela não. Baseado no "Conto da Aia" nos faz atraves...

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DESTE FIM DE SEMANA NA NONA TARRAFA LITERÁRIA

O FILME DA SEMANA É "LADY MACBETH", UMA OBRA EXUBERANTE DE WILLIAM OLDROYD

por Carlos Natálio (de Lisboa) para   Quando vamos aí a metade de Lady Macbeth (2016) há duas coisas que não podemos ignorar. A primeira é uma certeza, ela conta ao seu amante ao que vem, qual o seu programa: deixar ir-se na folia psicótica do amor até à(s) morte(s). A partir daí o realizador William Oldroyd encena toda essa tese de que há que remover os obstáculos todos, sem suspense, sem ironia trágica a não ser a solidão de que os terríveis vencedores padecem. Mas felizmente há também uma incerteza, e essa é a segunda coisa que não se pode ignorar. Para onde irá saltar ou pousar a seguir o gato de Lady Macbeth? Em toda a sua dimensão imperscrutável, esse gato ruivo, bastante magro, traços vincados e hirta cauda é, em toda a sua animalidade, a única personagem deste jogo, o único cujos insondáveis mistérios mantém a nossa atenção, nos mantém a suspensão própria do suspense. Mas mais do que esta inversão recordo um plano em que o dito animal está pousado, salv...

PRINT SCREEN (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

Mercearia... tecnológica... Muito se fala das famigeradas ‘redes sociais’: que “... é isso...”, “... é aquilo...”. Há muita teoria para uma prática cada vez mais funesta. A começar pelo que é ‘tornado público’ (publicar!): sempre uma representação de ‘uma parte do todo’, uma ‘simplificação’ que nem sempre reflete a ‘complexidade’ inerente a qualquer ser. Há muita ‘redução’ nessas representações: a vida, mesmo, a de verdade, costuma ser bem mais acachapante do que sonharia nossa vã filosofia. Com as redes sociais, pudemos constatar uma máxima muito praticada por essa desinternetada Mercearia: que a vida de ninguém dá um livro. As histórias costumam ser as mesmas e são raríssimamente interessantes. Apesar da complexidade do desfile, nada que já não tenha sido visto antes. Eis, aí, o ‘pobrema’: se a vida de ninguém ‘dá um livro’, o que faz todo mundo pensar ‘que daria’?! As vidas privadas são razoavelmente desinteressantes como matéria-prima da Literatura: em nenhuma aula de...

O QUE VEMOS NO QUE VIAJAMOS (uma crônica de Ademir Demarchi)

Eu falava, na crônica anterior, sobre Águas de São Pedro e seus banhos de enxofre que, depois de conhecer essa cidade, li uma novela de Paulo Emílio que lá se passa. Graças à leitura, à redescoberta de um lugar através de uma dimensão imaginada, o ambiente da novela como que se moldou, de certa forma, às minhas impressões daquele balneário. A observação é interessante porque me sugere um dos dilemas típicos de Julio Cortázar, ou seja, de que os lugares se tornam mais presentes em nossa memória quando os imaginamos do que quando neles estivemos. Não chegaria a tanto, nesse caso, dizendo que esse balneário, tendo o conhecido antes, passou a existir depois da leitura da novela, porque minhas estadas naquele inferno de banhos de enxofre foram sempre mais divertidas que as impressões causadas pela novela. No entanto, com certeza, ele ganhou outra conotação, pois as impressões de leitura se mesclaram às minhas próprias impressões vividas e o prazer de transitar pelos salões do Gra...

O FORNECEDOR (uma reminiscência publicitária de Carlão Bittencourt)

“Nada é mais letal contra o ciúme do que uma gargalhada” Françoise Sagan O rapaz tinha chegado há pouco do seu país, a Suíça. Não conhecia nada de São Paulo. Nem ninguém. Veio com uma mala, a máquina fotográfica, a cara e a coragem. Apenas. O outro bem de valor que possuía, não precisou revelar na alfândega: o talento para a fotografia. Imenso. Consciente disso, passou a visitar as principais agências de propaganda da cidade atrás de trabalho. Numa delas encontrou uma conterrânea, diretora de arte. Foi a sopa no mel. Não só começou a fotografar como, de quebra, ainda arranjou um cantinho para dormir, enquanto as finanças não melhoravam. Virou hóspede na casa dela. Embora a moça fosse casada, isso não foi empecilho. O marido, paulistano da gema, também era do ramo, um bem sucedido diretor de comerciais. Em pouco tempo ficaram amigos. Os três. Corta. Seis meses depois, ele já tinha conquistado o respeito do mercado. Como fotógrafo e diretor de fotografia. Agend...