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Showing posts from May, 2019

POEMA EXPRESSO: PELA FRESTA NA JANELA (por Fábio Rossi)

Pela fresta da janela Resta a luz, no rosto dela Seu sorriso se amarela A cidade se ilumina Manhã triste que desperta Nas mãos vazias e desertas Olhos postos no horizonte Tardes frias e cinzentas Chuva chora sua ausência A paisagem se transforma A lua se afugenta As palavras que me consomem São no peito a sentença A certeza que se morre Noite, madrugada adentro Seu perfume me consola Quartos, sala um mundo imenso Sem seu corpo, sua presença A tristeza que me assola É ver seu sorriso virar choro O fechar de minha janela Casas brancas e amarelas Na paisagem pela janela Um jardim verde e florido Colorindo seu caminho No olhar triste e sozinho Nenhum aceno de adeus Pela fresta da janela Reza a luz A ausência dela Meu coração, então, se fecha Pulso fraco, quase para Varanda triste e deserta Vara a noite, a luz de vela Fábio Rossi é um cara admirável. Santista radicado em São Paulo, é dublê de ...

UM DIA CULTIVADO (para Walt Whitman, por Flavio Viegas Amoreira)

Vivemos um Tempo sem tempo ,   a pressa se impõe ‘a percepção,   o caos não criativo substitui a reflexão criadora,   a busca de um sucesso oco escraviza nosso cotidiano estéril.   ´´Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração´´ diz-nos Drummond : para onde vão todos na manhã que se esvai como se esvai o dia, o mês que corre, o ano que escoa nessa sensação de que tudo voa e nada se fica em nossas retinas tão cansadas de tanto e tudo?   Talvez só os poetas não se impõem essa correria doida porque os poetas são antenas da raça e precisam observar a atmosfera eterna por trás da paisagem barulhenta das cidades.   Os poetas são mantenedoras do encanto,   da fruição atemporal , das nesgas de infinito que ainda deitam raízes em nossos hábitos prosaicos,   o eterno que ainda teima colorir nossas pegadas por esse mundo já esgotando-se   por maus tratos .   É preciso alguns minutos para contemplação,   alguma pausa para saudad...

MUITO, MUITO DIFERENTE... E PARA PIOR! (por Marcelo Rayel Correggiari)

Cada país possui seu jeito: uns acertam mais, outros, bem menos. Com o último dia de circulação do Expresso Popular nesta sexta, 31 de Maio de 2019, vi jornalistas e ex-empregados da casa lamentarem o fechamento do jornal. O que, realmente, é lamentável mesmo que o "Expresso..." não seja mais um "modelo de negócio" pertinente. Compreensível. Vi algumas manifestações, aqui & acolá, sobre a efeméride de amanhã. Em alguns, o "... o Brasil encolhe...", em outras, "...o jornalismo está em crise...", nessa linha. Algumas comparações com o tipo de jornalismo que se faz em outros lugares do planeta. Vira, mexe, cai na BBC como uma espécie de 'modelo a ser seguido'. Opa! Por conta de uma amiga pessoal, a Srª Susan Lovell, "comissioner" da BBC Ulster (Irlanda do Norte), "... dessa empresa, eu conheço". Começam, assim, "as jabuticabas", internacionalmente conhecidas como "de...

A SOLIDÃO DO HOMEM FOFO #3 (por Germano Quaresma)

A SOLIDÃO DO HOMEM FOFO Cap X Volto aqui eu, o narrador, para uma breve reflexão: O que quer o homem fofo? Filho espúrio de uma época de ocaso, protagonizada por tristes figuras qual Fernando Gabeira, o homem fofo surge como reação ao crepúsculo de um macho romântico, sadio e bondoso, que amava as mulheres sem alienar sua alma ao diabo. Na aurora de enxofre que sucedeu o arrebol do velho macho luziu este espécime execrável, descontextualizado (ele próprio se diz "desconstruido"), sem identidade nem opinião firme. Arroja-se a infâmias como comer saladinhas, cheirar a rolha do vinho e fazer observações sobre safra, acidez, oxidação, combina cores de roupa. Degradou-se, enfim, no afã de agradar a pauta feminista impositiva que matou seu antecessor. Pra não sucumbir, capitulou. Em vez de lutar, aliou-se ao dominador. Mas, tal e qual o colonizador norte americano tem profundo desprezo pelo índio brazuca que o bajula, as mulheres nutrem pelo homem fofo verdadeir...

OS 40 ANOS DA ESTREIA FONOGRÁFICA DO JOY DIVISION (por Eduardo Cavalcanti)

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

PROFESSOR TONINHO, A METAMORFOSE AMBULANTE (por Marcus Vinícius Batista)

Jesus Cristo cambaleava pela rua Oswaldo Cochrane, na esquina com a avenida Afonso Pena, em Santos. O estalar do chicote reforçava o sofrimento físico e psicológico, provocado pelos movimentos ritmados, automáticos do soldado romano. Jesus contorcia o rosto e recolhia o corpo a cada chibatada. No meio das pessoas que acompanhavam a encenação da Via Sacra nos arredores da Igreja de São Benedito, um menino de seis anos começou a gritar: “Mãe, mãe, manda ele parar. Ele tá machucando Jesus.” O professor Antônio Carlos da Silva, de 50 anos, sorriu entre uma e outra expressão de dor. Ele encarnava Jesus Cristo naquela sexta-feira santa e considerava a aula dada com sucesso. O professor interpreta o papel há sete anos. Toninho nasceu para interpretar. Assim, ele consegue cuidar dos outros. Ele se transforma para transformar gente. Na religião católica, pessoas de todas as faixas etárias. Na sala de aula, 75 estudantes de 7º e 8º anos do Colégio Rita de Cássia, onde traba...