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Showing posts from February, 2016

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE A FESTA DO OSCAR DESTE ANO (QUE EU NÃO VI, FUI DORMIR CEDO)

por Odorico Azeitona Há pelo menos dez anos eu deixei de acompanhar a Festa dos Oscars. Encheu o saco. Festas corporativas, em geral, são muito chatas. É que cinema tem um certo glamour, e a gente finge que tudo o que o envolve ainda é interessante. Mas não é mais. O Oscar era tolerável quando concorria apenas com a transmissão dos Golden Globes pela TV. Hoje, a quantidade de premiações de cinema é tamanha que até o Sindicato dos Continuistas deve ter a sua Festa. E todas elas são exibidas pelos canais por assinatura. Deve ser irritante ser ator ou atriz nessa época do ano, não poder assumir compromissos de trabalho, não poder sair em férias, e ter que viver dois meses seguidos -- desde os Golden Globes até a Noite dos Oscars --  na iminência de ser premiado .  Muito, muito chato!  Não há quem aguente... Ah, bons tempos em que  Geena Davis e Cher arrombavam a Festa com aqueles vestidos espalhafatosos que desafiavam as leis da gravidade, e Jack Nicholson ...

ESCRITOR NÃO PEDE DESCULPAS

por Flávio Colker Escritor não pede desculpas por seu texto. Artista não pede desculpas por suas telas. Humorista não pede desculpa por piada. Cientista não pede desculpa por descobrir a velocidade da luz. Pensadores não pedem desculpas a turba de linchamento e a seus Cappos, sargentos, carcereiros. Quem pede desculpas por ter pensado não deveria pensar alto. Quando se trata do trabalho intelectual, da coragem de chegar as próprias conclusões, não existem diferenças entre homens e mulheres; entre cristãos, judeus ou muçulmanos; entre progressistas ou conservadores. Quando se trata de pensar em voz alta, existem pensadores e criadores.. apenas seres humanos. Para ser humano … tem que aguentar o tranco. Ninguém tem mais razão por ser mulher, por ser homem, por ser negro, por ser homossexual, por ser judeu ou palestino, trabalhador ou patrão, senhor ou escravo… Tem razão quem pensa o melhor para todos e para cada um de todos nós; isso significa que há mais de uma boa ...

"BONITA AVENUE", ÓTIMO ROMANCE DE PETER BUWALDA, HOJE AQUI EM CANTO DE PÁGINA

por Chico Marques Sempre que eu entro numa livraria e começo a dar uma geral nos livros novos que estão em destaque logo nos displays da entrada, sigo invariavelmente uma pequena lista de procedimentos para ver quais livros vão me surpreender de forma positiva. O primeira delas é alguma recomendação na contracapa de um crítico de alguma publicação de relevo. Outra é a breve biografia do autor,  que normalmente vem na segunda orelha do livroe: se eu estiver diante de um romance de estreia de algum escritor, as chances de levar o livro para casa são altíssimas. E, por último, o teste mais importante: o do parágrafo de abertura. Se ele for interessante o suficuente para me despertar interesse em ler o segundo parágrafo, já pode se considerar um feliz morador da minha estante de livros. "Bonita Avenue", romance de estreia do holandês Peter Buwalda, conta a trajetória de  Siem Sigerius, matemático de renome que é chanceler de uma importante Universidade holandesa, ...

HISTÓRIA QUE NOSSOS NETOS VÃO CONTAR PARA NOSSOS BISNETOS

por Antonio Luiz Nilo Era uma vez um pequenino país chamado Uruguai. Seu presidente, acreditem, doava 90% do seu salário para programas sociais. Ele vivia numa chácara, onde dividia o espaço de sua casa de um quarto, de teto de zinco, com a mulher e um cachorro de 3 patas. O presidente se chamava Pepe Mujica e, além da modestíssima residência, possuía apenas um fusca 87. Somente dois policiais faziam a sua segurança e normalmente o acompanhavam no carro presidencial, um Corsa sedan. Mujica tinha um passado revolucionário, de esquerda, mas quando chegou ao poder, diferente de outros presidentes muito próximos, continuou pobre. O país que ele governava era considerado o mais seguro e menos corrupto de toda a America Latina. O sistema de saúde funcionava perfeitamente e o de educação era modelo: cada um dos 300 mil alunos da rede pública tinha um computador pessoal doado pelo governo. Mujica possuía uma visão social tão justa e corajosa que chegou a vender inúmeros pré...

QUAL É O SEU SIGNO?

por José Luiz Tahan Nunca fui muito na onda da astrologia, sempre com um pé atrás com aquelas previsões que diziam sobre a fase que enfrentávamos em nossas vidas. Hoje não mudei, com um agravante, acredito um pouco menos nos livros de astrologia. Para falar mais diretamente, acredito menos nas vendas deste gênero. Acho que já se passaram mais de 20 anos, quando me lembro que os esotéricos estavam no auge, e dentro da categoria, os livros de horóscopo. Muitos deles eram sérios (uma coisa é ser descrente, outra é ridicularizar o gênero) e as pessoas também, apenas não participo do movimento. Naquele tempo os livros das editoras Cultrix e Pensamento eram o carro-chefe da turma dos astros, ajudavam a pagar aluguéis e claro que simpatizávamos com os clientes, sempre ávidos por novidades da área. O problema era o nosso total distanciamento com a crença, quando chamados a dar opiniões sobre os títulos falávamos algo como “Esta editora é muito tradicional, séria...” Fazíamos t...

POEMINHA DE SEGUNDA: A LUA FOI AO CINEMA, de Paulo Leminski

A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando apagam, ninguém vai dizer, que pena! Era uma estrela sozinha, ninguém olhava para ela, e toda a luz que ela tinha cabia numa janela. A lua ficou tão triste com aquela história de amor, que até hoje a lua insiste: – Amanheça, por favor! Paulo Leminski Filho (1944-1989) foi um grande escritor,  poeta, tradutor e professor brasileiro. Sua obra poética está reunida num único volume, publicado 3 anos atrás pela Companhia das Letras. Foi também faixa-preta de judô.

BOFETADA DO PASSADO: O QUE ELES DISSERAM ANTES DO ÚLTIMO SUSPIRO

por Sérgio Augusto (publicado originalmente  pelo ESTADÃO  em 15 de Junho de 1996 ) Ainda vão dizer que a morte nunca mais foi a mesma depois que o psicodélico Timothy Leary a curtiu numa boa, via Internet. Ao contrário de Woody Allen, ele não só não temia a morte como adorou estar vivo quando ela bateu à sua porta. Como ela há muito se anunciara, sobrou tempo para Leary bolar suas últimas palavras com o mesmo capricho de quem vai, não para os campos elíseos, mas para a entrega do Oscar. Na hora h, preferiu ser breve: "Why not? Yeah!" (Por que não? Sim!). Breve, impávido, mas nada brilhante. Em seu lugar, Woody Allen talvez dissesse algo mais inteligente ou mais engraçado. "Rosebud", por exemplo. Ou, então, "Misericórdia divina, será que Rico chegou ao fim?" (Quase todo mundo sabe que "Rosebud" foi a última coisa que o personagem de Orson Welles em Cidadão Kane pronunciou antes de morrer. Poucos, no entanto, ainda se le...