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POEMINHA DE SEGUNDA DE CARNAVAL (por Carlos Drummond de Andrade)

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA por Carlos Drummond de Andrade A bunda, que engraçada. Está sempre sorrindo, nunca é trágica. Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. A bunda basta-se. Existe algo mais? Talvez os seios. Ora – murmura a bunda – esses garotos ainda lhes falta muito que estudar. A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio. Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente. A bunda se diverte por conta própria. E ama. Na cama agita-se. Montanhas avolumam-se, descem. Ondas batendo numa praia infinita. Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz na carícia de ser e balançar Esferas harmoniosas sobre o caos. A bunda é a bunda redunda. Carlos Drummond de Andrade (Itabira MG 31/10/1902 - Rio de Janeiro RJ 17/08/1987) é  considerado o mais influente poeta brasileiro do século XX. Drummond possui mais de 50 livros publica...

BUMBUM DE CARNAVAL (por Joaquim Ferreira dos Santos)

publicado originalmente em O GLOBO em 29 de Fevereiro de 2012 Há questões misteriosas a se resolver no carnaval, como a de vender mais cerveja e ao mesmo tempo se fazer menos xixi, mas nada me impressiona mais do que o jeito como caminham, sem olhar para a frente, arrogantes e poderosas, as bundas femininas em sua gloriosa marcha rumo à apoteose dos sentidos e ao controle do mundo. Para onde vão? De onde vieram? Por que não me levam às suas líderes e me fazem escravo de seus caprichos? A cada ano elas desfilam maiores, ao mesmo tempo firmemente compactas, plenas de harmonias e com um desenho mais bem arrumado da fantasia intrínseca que a natureza, as academias de ginástica e a evolução da ciência lhes proporcionaram. Tempos atrás, Drummond falou da bunda engraçada, sempre sorrindo, nunca trágica. Depois, Jabor viu a da Juliana Paes na “Playboy” e, melancolicamente cético, disse que ela teria o mesmo destino do PT, um dia cairia. Isso foi há dez anos. O PT po...