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CAFÉ & BOM DIA #52 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Em O artista na prisão, Albert Camus fala sobre Oscar Wilde, argumentando que o artista não pode viver alheio a vida. Quando se trata daqueles que, devido ao nascimento ou à inclinação, conseguem apenas ter uma ideia horrível da felicidade, segundo a expressão de Saint-Just, então a dor é, para eles, uma das faces da verdade, embora seja a menos nobre; e a verdade do escravo vale mais do que a mentira do senhor. A grande alma de Wilde, elevada acima da vaidade pelo sofrimento, aspirava contudo àquela felicidade orgulhosa que lhe restava encontrar para além da infelicidade. “Depois”, dizia Wilde, “precisarei aprender a ser feliz”. Não o foi. O esforço em direção à verdade, a simples resistência a tudo que, na cadeia, arrasta o homem para baixo, bastam para exaurir a alma. Wilde não produziu mais nada depois da A balada da prisão de Reading, e conheceu sem dúvida a indizível infelicidade do artista que conhece os caminhos do gênio, mas que não tem mais forças para segui-lo. A misé...