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NA SEGUNDA TEMPORADA DA SÉRIE "THE DEUCE", MAIS UM PASSEIO NOTURNO PELO BAS-FOND NOVAIORQUINO DOS ANOS 70 (por Fábio Campos)

Tive o primeiro contato com uma produção do David Simon em Treme , a série que iniciou em 2010 e retratava a tentativa de volta à normalidade dos habitantes de Nova Orleans depois da passagem do furacão Katrina, em 2005. Logo depois assisti à excelente mini serie baseada num caso real Show Me A Hero , de 2015. Nas duas produções é nítida a preocupação em retratar ao máximo a realidade com toda a sua complexidade de forma quase documental, cobrindo a realidade de uma grande variedade de personagens sempre com foco seus respectivos ambientes. Com isso, além da esfera pessoal, são retratados em detalhes ambientes como a policia, os políticos, os músicos, os empreiteiros e vários outros, que vão formando um mosaico cada vez mais interligado e complexo. O que eu não sabia é que a sua obra prima tinha sido lançada em 2002 e durou até 2008 -- a série The Wire , que usa os mesmos elementos com maestria. Ano passado, Simon se voltou ao ambiente da prostituição na Nova York dos ano...

CELEBRAMOS OS 56 ANOS DE NASCIMENTO DO GRANDE WAGNER PARRA COM UM TEXTO SAUDOSO DE MARCELO RAYEL CORREGGIARI

Sem Conserto para o Sol Mirada 2014. No serviço oficial de táxi do evento, tremenda sexta-feira, encerramento interno do festival que terminava no domingo seguinte, um DJ contratado para animar a festa. O motorista, sujeito rústico e sem o refinamento linguístico, verbal, para as novidades que entravam e saíam de seu veículo ao longo do evento (um festival ibero-americano de teatro), adquiriu naquele cliente com uma mesa de mixagem, dois CDJs e um monte de caixas de discos, além dos CDs, a confiança necessária para “... abrir o coração e matar a curiosidade...”. Curiosidade, sim! É de conhecimento geral que o mundo das artes possui forte presença LGBTI e, no teatro, não seria muito diferente. Naquele ano, inclusive, “Valmor & Cacilda”, do Uzyna Uzona, tinha entrado na programação. Vai que o pobre do motorista tinha prestado serviço para o Zé Celso?!? Ao descarregar o material de trabalho na porta do Sesc, o motorista não titubeou: não dava para deixar a oportunidade d...

SAUDAMOS OS 56 ANOS DE WAGNER PARRA COM UM BELO TEXTO DE FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Toda despedida exige maturação da distância para reinventarmos uma nova presença por magia da saudade. Alguns personagens de nossas caminhadas são tão presentes que imaginamos por comodidade estarão sempre ali, ao alcance da mão para nos saciar com seu fascínio. Wagner Parra era onipresente, sem ser íntimo; amigo sem ser próximo: havia uma identidade natural em nossas diferenças. Antiintelectualista, era inteligência empírica, libertário, longe de ser politicamente correto; duma sinceridade desconcertante, nunca indiscreto: era um beatnik, outsider sem maneirismos de ´porralouquice´ artificial: um artista da experimentação na vida e na criatividade. Impulsivo sem ser necessariamente aplicado: se tivesse que definir sua capacidade musical rara seria como mestre da intuição. Escrevo para nunca ver esquecido um DJ compositor de valor internacional que escolheu dedicar-se as noites do mar. Não tenho a menor vocação para hipocrisia: Parra não se reduz a um obituário elogioso...

JOÃO E A ESCOLA DE BABEL ou SEVEN NATION ARMY (A Viagem e a Cura #4 - por Beth Soares)

Sete da manhã. Lá estava eu, pronta para o primeiro dia de aula em terras estrangeiras. A gente tem mania de achar que, porque virou adulto, nada mais pode ser motivo para causar insegurança. Se eu levasse isso a sério, teria que admitir meu notório fracasso em virar gente grande. Eu e Isabella, minha parceira de escola, pegamos o trem tão pontual quanto lotado (de pessoas muito bem-educadas que, ao invés de nos acotovelarem e empurrarem, pediam licença calmamente, respeitando nossa velocidade). A primeira parte da viagem nos levaria até a estação Waterloo, uma espécie de Sé, que nós, paulistas, conhecemos tão bem. De lá, um ônibus nos levaria até o outro lado da ponte, para Holborn, nossa parada para o número 2 da Southampton Place, onde ficava nossa escola, a Stafford House. Aqui, um parêntese: todos os dias, bem no meio da Ponte Waterloo (nome dado em homenagem à famosa batalha que levou o exército britânico à vitória sobre o francês Napoleão), pela janela do ôni...

OS CHINESES E A MONALISA (Crônicas Além do Quintal #4 por Marcus Vinícius Batista)

Ela estava lá, de sorriso enigmático e privacidade nula. Reconheço que, no Museu do Louvre, em Paris, meu interesse era maior pelas esculturas gregas, pinturas do século 19 e por outras obras do Renascimento. Mas era impossível escapar da aura da Monalisa. Todos os setores tinham placas que indicavam onde o quadro mais famoso do museu estava exposto. A Monalisa é a única obra que possui roteiro próprio. E a quantidade de pessoas nos corredores funciona como as migalhas de pão que te levam à casa de doces. Conforme você se aproxima dela, ainda sem vê-la, você ouve em inúmeros idiomas o nome da Gioconda. O tratamento era de celebridade. Ao entrar no pavilhão dela, inúmeros quadros nas paredes, dois com mais de cinco metros de altura. Chocantes, paralisantes. E a Monalisa no centro! É a única obra com quatro seguranças exclusivos. A única com um vidro à prova de balas. A única com uma grade de proteção, que te coloca, na melhor das hipóteses, a dez metros dela. O problem...

EDUARDO CAVALCANTI COMENTA OS DESVIOS DE 'BOHEMIAN RHAPSODY" EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.