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EDUARDO CAVALCANTI APRESENTA O OUTRO LADO DA DÉCADA DE 80 EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

SATORI EM BAGDÁ (por JR Fidalgo)

Absurdo não é viver nessa guerra sem fim, mas sim sentir que não há nada a fazer sobre isso. Você está nas cordas. Os socos em sequência fazem você beijar a lona. O gosto do sangue se mistura à sensação de pedaços de dentes se mexendo de um lado para o outro na boca. Ainda assim você se levanta antes do juiz gordo e careca conseguir contar até dez. Dessa vez, vai ser diferente. Você vai, enfim, descobrir um jeito de acabar com a porra dessa guerra. Mas logo você percebe que a coisa ficou ainda mais violenta. Então tenta arrancar as entranhas com as mãos. Apesar da dor insuportável, não consegue parar. Na guerra não há espaço para compaixão. É privilégio para fracos, covardes, desertores. E eles vivem te assegurando que você não é um deles. E eles sempre têm razão, porque já lutaram em mais guerras do que o número de anos que você já viveu até hoje. E você descobre que já não se lembra mais quantos anos já viveu até hoje. Tudo passou muito rápido. No momento, porém, isso ...

TRANSFERÊNCIA DE PEPINO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Um dos prazeres das férias para um merceeiro sem filhos é a paz encontrada na ‘padoca’ da esquina. Porque morar ao lado de um dos clubes mais famosos do mundo que recebe centenas de ‘candidatos a Neymar’, mais duas escolas estaduais, duas particulares e uma municipal, tudo num raio de 50 a 100 metros, é passar a maior parte do ano em eterno turbilhão. Chega essa época do ano, das tais ‘férias’, e um sossego impera em cada centímetro de chão. Uma belezura! Sem filas, sem pais fazendo filas duplas em boa parte das ruas do bairro, uma tranquilidade que esse envelhecido merceeiro já tinha perdido o costume. Que tesão! Paz! Uma coisa... Tudo geladinho, no ponto, dentro do tempo cronológico. Uma maravilha! Sim, porque a algazarra, nessa época do ano, empurramos para os chamados ‘bairros da orla’. Três meses que nós, cá no fundão da ilha, mandamos nossas boas energias de força & fé, mais nossas extremas-unções para os(as) cidadãos(ãs) moradores(as) dessas locali...

BELLE AND SEBASTIAN - TODA POESIA (por Flávio Viegas Amoreira)

Qual gênero estilo tendência atmosfera!? Do rock que mais se aproxima da poesia livre que fazemos para encantar meiga e profundamente o mundo? Sem pestanejar ! Belle and Sebastian !  minha nossa trilha feita para acariciar esse planeta e seus seres com toda doce estranheza duma canção ou poema....Revendo o lindo filme ´´Hoje eu quero voltar sozinho´´ deparei com toda ternura rascante dessa peça ´´There´s Too Much Love´´  ilustrando os amores assim assim tão Belle and Sebastian de viver.....com a internet a poesia a literatura o rock ´indies´ se tornaram quase continente ser cotidianamente redescoberto por almas atentas ao encantamento:  fazemos aquilo que denomino ´arqueologia digital´ a fuçar melodias esquecidas do folk dos anos 70 que iriam germinar em garagens obscuras de Seattle, Dublin e na exótica Escócia passando pela efervescência de Berlin..... não seria também o ´indie´ do grupo um preâmbulo para o delicioso movimento ´hipster´: gosto que me enrosco da trans...

GOYA, NÃO VAMOS A FLORIANÓPOLIS (por Marcus Vinicius Batista)

Eu o avistei enquanto esperava na fila do sorvete. O caminhar era lento, balançando para os dois lados, como o faz há 26 anos, quando o conheci no demolido prédio da Comunicação, na Pompéia, em Santos. O andar é compatível com a serenidade que, às vezes, abafa a pressão das redações jornalísticas onde convivemos por mais de 10 anos. Nunca o vi gritar com alguém, mesmo quando as notícias ferviam. Ricardo Goya estava acompanhado de três primos. Como ele não me viu, matei os filtros sociais e gritei: — Goya, vai subir! A Ponte vai subir! Meus filhos me olharam assustados. Minha esposa me cutucou para chamar minha atenção pelo escândalo no meio do shopping center. Goya reagiu com o riso curto de sempre (“hehe”) e veio em minha direção. Não nos encontrávamos há um ano. Desde que sai das redações e passei a militar no Jornalismo de outras formas, nossos encontros ficaram mais esporádicos. Após o abraço, engatamos uma conversa sobre futebol. A Ponte Preta, time de cora...

ADEUS BRASIL (por Beth Soares)

Hoje acordei com um soco no estômago. Uma dor de cabeça insistente me fez permanecer na cama por mais tempo. Agora percebo que talvez fosse o prelúdio do que eu veria dali a instantes. Ontem eu soube que o Programa Mais Médicos deixaria de atuar no Brasil, por conta das declarações do eleito. Desisti de adjetivar a palavra “declarações”, porque nenhum adjetivo traduz com exatidão o que eu penso sobre o que ele fala, assim como mais nenhum é capaz de definir o que eu penso do próprio. O fato é que fiquei profundamente incomodada. De um jeito que detesto estar. Então, passei o dia tentando não pensar nisso. Assim que li a notícia pela primeira vez, levantei-me da minha cadeira, no trabalho, e fui conversar com uma colega, a Silvana, uma portuguesa de Guimarães, sobre uma cidade linda na terra dela chamada Aveiro, na qual descobri haver um curso de edição de livros, que se tornou meu mais novo sonho. Aquela era a maneira de fugir da minha atual realidade. Era também a tradução...