As festas natalinas parecem conceder uma autorização especial. Um passe para que se sofra de amnésia das mágoas inexistentes do resto do ano. Um acordo para que se finja tolerar o outro, símbolo do insuportável quando a normalidade é reinstalada. Esta autorização especial seria uma espécie de concessão de princípios antes abandonados. Seríamos transformados em cobaias temporárias de valores que ocupariam prateleiras de artefatos arqueológicos. Mas o Natal talvez esteja divorciado deste passaporte ecumênico. O Natal talvez esteja flertando com outra data, o Carnaval, quando tudo pode, quando tudo é permitido desde que se enterrem as transgressões na quarta-feira de Cinzas. Natal e Carnaval são primos irreconciliáveis. São de naturezas e origens diferentes. A incompatibilidade de gênios se reforça quando importamos, como um Frankstein esquizofrênico, os exageros da folia para o Natal. As festas de final de ano viraram um Carnaval de consumo, período em que comprar se const...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO