UM HOMEM E O SEU CARNAVAL Deus me abandonou no meio da orgia entre uma baiana e uma egípcia. Estou perdido. Sem olhos, sem boca sem dimensão. As fitas, as cores, os barulhos passam por mim de raspão. Pobre poesia. O pandeiro bate É dentro do peito mas ninguém percebe. Estou lívido, gago. Eternas namoradas riem para mim demonstrando os corpos, os dentes. Impossível perdoá-las, sequer esquecê-las. Deus me abandonou no meio do rio. Estou me afogando peixes sulfúreos ondas de éter curvas curvas curvas bandeiras de préstitos pneus silenciosos grandes abraços largos espaços eternamente. do livro Brejo das Almas (Companhia das Letras publicado originalmente em 1934) Carlos Drummond de Andrade (Itabira MG 31/10/1902 - Rio de Janeiro RJ 17/08/1987) é considerado o mais influente poeta brasileiro do século XX. Drummond possui mais de 50 livros publicados entre crônicas e poesia. O valo...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO