Skip to main content

TUBARÃO (um poema de Germano Quaresma)




TUBARÃO

Lá no fundo do mar, enquanto dorme a gente
Um triste penitente nada, olhos de vidro
Como eu, na madrugada, escrevo, renitente
Meu caro Tubarão, 'stamos mesmo fodidos.

Que sina o Criador nos deu, peixe doente,
Escrevo pra viver, coração comprimido
Escrevo enquanto nadas, seguimos em frente
Sou solidário à tua dor, monstro querido.

Tua sede por sangue, a minha por libido
Não nos deixam dormir, põem-nos em movimento
Levanto pra fumar um cigarro sentido

Enquanto segues cego pelo mar profundo.
Tens que nadar pra sempre, quieto, triste, lento -

Eu, se não escrever, também, meu peixe, afundo.


  1. Germano Quaresma, ou Manoel Herzog,
    nasceu em Santos, São Paulo, em 1964.
    Criado na cidade de Cubatão,
    trabalhou na indústria química
    e formou-se em Direito.
    Estreou na literatura em 1987
    com os poemas de Brincadeira Surrealista.
    É autor dos romances
    A Jaca do Cemitério É Mais Doce (2017),
    Dec(ad)ência (2016), O Evangelista (2015)
    Companhia Brasileira de Alquimia (2013),
    além dos livros de poemas
    6 Sonetos D’amor em Branco e Preto (2016)
    A Comédia de Alissia Bloom (2014).
    Este é seu mais recente trabalho publicado: 



Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.