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UM POEMINHA SAFO DE UM PARNASIANO BEM SACANA: OLAVO BILAC

 


DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!


Na inconsciência bruta do meu desejo

Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.


Em suspiros de gozos infinitos

Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.


No seu ventre pousei a minha boca,

– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…


Olavo Bilac (1865-1918) foi um poeta, contista e jornalista brasileiro. Escreveu a letra do Hino à Bandeira brasileira. É membro fundador da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº 15. Foi  um dos principais representantes do Movimento Parnasiano que valorizou o cuidado formal do poema, em busca de palavras raras, rimas ricas e rigidez das regras da composição poética.
Estudou Medicina e depois Direito, sem concluir nenhum dos cursos. Dedicou-se à poesia e ao jornalismo, e publicou seus primeiros poemas em 1883. Em 1914, nomeado pelo governo de Venceslau Brás, viajou pelo Brasil fazendo campanhas cívicas
em prol da alfabetização e do serviço militar obrigatório. Para ele, o poeta deveria trabalhar as palavras minuciosamente, procurando a perfeição formal, a pureza linguística e a elegância do vocabulário.





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