MAR PROFUNDO Só mesmo um mergulho livre poderia me devolver a excelência do fôlego, a urgência de abrandar tormentas e emergir com alma, então tomei coragem e, sem nenhum lastro, fui descendo devagar. Eu já conhecia muitas daquelas belezas e para não me distrair me concentrei em buscar uma única estrela. À medida que descia, eu contemplava flores marinhas luminescentes, conchas que se abriam em ferimentos perolados. Um paraíso de cores e vidas. Cardumes de diversas espécies aproximavam-se do meu corpo e se afastavam delicadamente. Quanto mais eu imergia, mais a pressão aumentava. Mesmo sem contato com a vida eu vivia. Como boa profundista, tinha aprendido a enganar o corpo com certa técnica da apnéia. Enquanto há ar nos pulmões se respira. O tempo era curto, eu sabia, mas continuei descendo...sem medo. Era imprescindível encontrar a estrela. Agora, a luminosidade baixava e correntes marinhas muito frias pareciam congelar meus ossos. Vi algas vermelhas gigantes e seu bailado ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO