Era um neguinho à toa que, desde moleque, tinha a manha de passar despercebido por qualquer lugar. Um cara que já nasceu camuflado, oculto, naturalmente invisível. Quase um vírus em forma de gente. Tinha tudo para ser mais um desses seres anônimos, que passam pela vida sem serem notados e sem deixar marcas. Um belo dia foi-se: passou. Ninguém sabe ninguém viu. Sumiu sem nunca ter sido. Ou estado. Tinha. Mas deu zebra. O malandro se tocou do lance. Cedo, percebeu a própria insignificância, sacou que aquela sua ausência de características, fatalmente o condenaria ao estranho destino de não ser nem estar. Nunca. Para sempre um vácuo ambulante. O fato é que, sem mais essa nem aquela, o pilantra se deu conta de que era totalmente inócuo, inodoro e incolor, quase abstrato para a sociedade. No veneno, não deu outra: fez disso uma arma. Sua vida passou, então, a ser uma espécie de “volta dos que não foram”. Uma seqüência de experiências e passagens que ele só poderia compartilh...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO