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Showing posts with the label DENISE MARINO

DIÁLOGOS INTESTINOS (por Denise Marino)

(foto: Denise Marino) – Daqui a pouco o sol vai se por... E amanhã nascerá novamente, configurando esse colar monótono de dias, um após o outro. Com os anos acontece a mesma coisa e mesmo assim as pessoas criam expectativas – pensei e esperei o contra-argumento. Porque a minha mente funciona assim, por meio do diálogo entre duas ou mais pessoas. Às vezes são três ou quatro, nem sempre educadamente; invariavelmente discordando. Mas, na maior parte das ocasiões conseguem chegar a um acordo e a uma conclusão provisória. E o contra-argumento veio: – Não é verdade. Um fato ou um conjunto de fatos faz um dia ou um ano diferente do outro. Concordei e inspirada por esse último pensamento deixei escapar para o motorista: – Pois é, daqui a alguns dias um novo presidente vai tomar posse... – Eu quero que ele morra! – respondeu o motorista. A resposta me surpreendeu, pelo conteúdo e pelo tom. Especialmente, por que, um segundo antes da pausa que engend...

FORMIGAS (por Denise Marino)

Uma cena ocorrida hoje, trouxe de volta uma velha imagem da infância. Fazia calor. Na parece branca da cozinha, uma fila de formigas se dirigia para algum lugar (as formigas, às vezes, parecem caminhar sem rumo). Fui até o armário e peguei o veneno que, talvez por pudor, insistimos em chamar “remédio”: remédio para formigas; remédio para mosquitos, remédio para baratas. O remédio, certamente, é para nosso alívio; não para o deles. Mas, enfim, apliquei uma carreirinha daquele veneno que já vem preparado numa espécie de seringa no parapeito da janela. É um veneno bonito: cor de rosa translúcido. Até eu me sinto atraída por ele, imagine as formigas! Acredito que elas tenham vontade de mergulhar. É o que eu sentiria se visse um riacho de gel cor de rosa, brilhante e transparente. Ainda mais num dia de calor. Imagino, além disso, que o sabor seja doce e com cheiro de doce. Irresistível. Algumas horas depois voltei à cozinha. O veneno havia escorrido pela par...

PROVÉRBIOS (por Denise Marino)

(Imagem: O semeador, Vincent Van Gogh) “Quem semeia vento colhe tempestade”. Provérbio conhecido. (Salvo engano está na Bíblia: curiosidade histórica) O que ele diz? 1. Justifica a existência das tempestades. ou 2. Indica a consequência de determinado comportamento. A maior parte das pessoas – e até o Google – responderão o óbvio: 2 (Dois!) (resposta dois!) O provérbio ensina sobre responsabilidade. Ensina que as pessoas colhem aquilo que plantam. Isto é, quem planta carinho, colhe carinho; quem planta compreensão, recebe compreensão; quem planta rancor, recebe rancor; e assim por diante. Até o Chico Buarque cantou com plena consciência e orgulho: “... Eu semeio o vento/ Na minha cidade/ Vou pra rua e bebo a tempestade...” Ou seja, o governador e candidato Geraldo Alckmin perdeu uma grande oportunidade de mostrar que está em sintonia com o que a maioria do povo pensa. Covarde! Molenga! Arregou! Perdeu Chuchu! Voltou atrás para fic...

O VISIONÁRIO UMBERTO ECO (por Denise Marino)

Em 2015, numa cerimônia na Universidade de Turim, Umberto Eco declarou: “As mídias sociais deram direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. (...) O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Muita gente torceu o nariz para o escritor italiano: “elitista” – pensaram. E alguns correram a defender o direito à voz dos excluídos da razão e do bom senso e a saudar a internet como um espaço democrático de comunicação e informação. Passados quase três anos, duvido que exista um único internauta ativo que, pelo menos três vezes por semana, ao deparar com certos posts em sua linha do tempo, não tenha exclamado com convicção: “imbecil!”, “idiota!!”. Dá para ouvir Umberto Eco em seu descanso eterno: - Tesoro, non te l´no detto? Mas o filósofo e professor de Semiótica não parou por aí. Ele criticou o excesso de informação, tão prejudicial qua...

DENISE MARINO ASSISTIU "PANTERA NEGRA" E COMENTA

Não entendo muito de gibis e nem da transposição de seus heróis para as telas do cinema. Mas, pelo pouco que sei, creio que se pode dizer que Pantera Negra é um clássico. Todos os clichês estão lá: batalhas estrambólicas, explosões, raios destruidores, efeitos especiais e os super poderes dos que querem proteger o mundo contra os que querem dominá-lo. Logo de início e do alto da minha pouca experiência chamou a atenção a referência à lenda do reino perdido de Atlântida. Ao menos, foi assim que Wakanda me pareceu: uma civilização superior, erigida com base no conhecimento e enriquecida pela exploração de um metal especial, o vibranium que, tal como o oricalco – o metal da montanha, mais brilhante do que o ouro – dava uma aparência especial aos artefatos de Atlântida. _ Sim, eu sei que Atlântida era uma ilha e que Wakanda, ao contrário, fica no coração do continente africano. Também sei que os super heróis de Atlântida são os aquáticos Namor (da própria Marvel) e o A...

DENISE MARINO ASSISTIU "A FORMA DA ÁGUA" E COMENTA

Penso que gostar ou não de um filme está relacionado a sua experiência de vida. Assim, por exemplo, se você nunca se apaixonou, não assista ao Forma da Água. Claro, não falo de paixões quaisquer, dessas que, às vezes, a gente tem por simples desejo ou falta do que fazer. Falo daquela paixão descoberta e definida pelos trovadores medievais: um encontro de almas que se reconhecem pelo olhar. Nesse encontro as palavras não têm a menor importância. Importam muito mais o silêncio dos olhos que se olham e o tempo dos corpos que se tocam, pois, eles conhecem a urgência. Mas, quem nunca se apaixonou assim, não vai compreender o amor entre a faxineira muda e a criatura subaquática com o corpo coberto de escamas. Não reconhecerão sequer a metáfora. Portanto, para esses nem adianta tentar explicar. Eles irão dizer que é apenas fantasia. De qualquer modo, A Forma da Água não é somente um filme de amor. Há quem ressalte as referências ao clássico O Monstro da Lagoa Negra,...