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PARA FÁBIO CAMPOS, "TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME" MERECEU CADA OSCAR QUE GANHOU.

“Três Anúncios Para um Crime” era, desde o início, o meu favorito ao Oscar no último domingo. Mereceu cada Oscar que ganhou. Mas ganhou menos estatuetas do que merecia. Acho o filme muito mais impactante que “A Forma da Água” – que é muito bem executado, mas carece de originalidade, justamente um dos pontos forte de Guilhermo Del Toro. Vê-lo premiado justamente por esse filme não deixa de ser algo irônico. Em “Três Anúncios”, Mildred -- a sempre excelente Frances McDormand, vencedora do Oscar de Melhor Atriz deste ano  –-, inconformada com o estupro e assassinato da filha, resolve alugar três outdoors numa estrada secundaria que passa pela cidade fictícia de Ebbing, no Missouri, para questionar o trabalho da policia quanto à investigação do crime, que permanece sem solução. Isso vira o estopim que desencadeia uma série de eventos que sacodem a pequena cidade. Mildred nunca se coloca como a pobre mãe que perdeu a filha. Ao contrário, é uma figura desagradável,...

ESTREIA NA CIDADE UM DOS GRANDES FAVORITOS NA NOITE DO OSCAR DESTE ANO

por Ricardo Vieira Lisboa de Lisboa para Despojado dos acessórios que intimidam um civil e dos que pertencem ao género que os marinheiros utilizam para ganhar coragem, o Tapageuse transformava-se num animal tímido. Numa briga tinham-lhe partido o nariz com um garrafão. Um nariz direito talvez o tornasse insonso. O garrafão dera o último retoque à obra-prima. Este rapaz, que para mim representava a sorte, no torso tinha um SEM SORTE tatuado com maiúsculas azuis. Contou-me a sua história. Era curta. Aquela aborrecida tatuagem resumia-a. (…) E a seguir, com uma caneta de tinta permanente risquei a tatuagem funesta. Por baixo tracei uma estrela e um coração. Ele sorria. Mais a pele do que o resto do corpo lhe dizia que se encontrava em segurança, o nosso encontro não era como os outros a que estava habituado, encontros rápidos onde o egoísmo mata a fome. (“O Livro Branco”, Jean Cocteau) Naquele que é o seu mais pessoal e confessional escrito, “O Livro Branco”, Jean...

QUINTA, 19hs, TEM "SHORT CUTS" NO CICLO ROBERT ALTMAN NO CINECLUBE PAGU - MISS

SHORT CUTS: QUANDO ROBERT ALTMAN CONSEGUIU FAZER A VIDA CABER NUM FILME por Rodrigo de Oliveira para PAPO DE CINEMA Uma mosca na parede. Era como o diretor Robert Altman queria que os espectadores se sentissem ao acompanhar um de seus filmes. Éramos, afinal de contas, testemunhas de cenas tão particulares, tão corriqueiras e naturalistas, que não raro nos sentíamos intrusos. Como se não pudéssemos estar ali, ao lado de um casal em crise, ou de uma família disfuncional, sem chamar a atenção para nossa presença. Este sentimento de imersão em vidas tão próximas da realidade era um dos predicados mais destacáveis da carreira do cineasta norte-americano, conhecido até então por clássicos como o satírico M.A.S.H. (1970) e o múltiplo Nashville (1975). Na década de 1990, o diretor nos brindou com dois de seus melhores trabalhos: o crítico e divertido O Jogador (1992) e o magistral Short Cuts: Cenas da Vida. Ambos são excepcionais, ainda que seja inegável a contribuição maior deste úl...