por Francisco Russo para ADORO CINEMA Não é de hoje que o cinema japonês lida com o sobrenatural, seja em filmes de terror do porte da série Ringu (posteriormente refilmada como O Chamado) ou em dramas onde os espíritos não necessariamente sejam malignos. Para o Outro Lado encaixa-se neste segundo caso. O que surpreende de fato é como tal universo é enquadrado dentro da narrativa: da forma mais corriqueira possível, como se não houvesse qualquer diferenciação entre mortos e vivos. É esta a bela sacada de Kazumi Yumoto, autor do livro no qual o filme é baseado, que norteia boa parte do longa-metragem. Muito devido à estranheza natural que o espectador sente ao ver um homem, desaparecido há três anos, retornar para sua casa e contar à esposa que está morto. Mas ele está lá, pode ser tocado e interagir com as pessoas, como qualquer ser humano vivo. É na construção deste universo sem signos pré-estabelecidos que se baseia a narrativa, por vezes provocando e em outras ofe...
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