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Showing posts with the label LEVA UM CASAQUINHO 606

O POETINHA DESTA SEGUNDA FEZ 99 ANOS DIA 24 DE MARÇO, E SEGUE ESCREVENDO POEMAS E DANDO EXPEDIENTE NA CITY LIGHTS, SUA LIVRARIA E EDITORA EM SAN FRANCISCO, CAL.

O OLHO DO POETA OBSCENO VENDO... O olho do poeta obsceno vendo vê a superfície do mundo redondo com seus telhados bêbados e pássaros de pau nos varais e suas fêmeas e machos feitos de barro com pernas em fogo e peitos em botão em camas rolantes e suas árvores de mistérios e seus parques de domingos no parque e estátuas sem fala e seus Estados Unidos com suas cidades fantasmas e Ilhas Ellis vazias e sua paisagem surrealista de pradarias estúpidas supermercados subúrbios cemitérios com calefação e catedrais que protestam um mundo à prova de beijo um mundo de tampas de privada e táxis caubóis de butique e virgens de Las Vegas índios sem terra e madames loucas por cinema senadores anti-romanos e conformistas c onformados e todos os outros fragmentos desbotados do sonho imigrante real demais e disperso entre esse pessoal que toma banho de sol [Tradução: Paulo Leminski] THE POET'S EYE OBSCENELY SEEING... The poet's eye osbcenely seeing sees the sur...

SAM AT THE CABARET (por Germano Quaresma)

Sam States, um médio empresário norteamericano, gostava de excursionar ao Brasil. Legítimo representante da classe média de seu país, ele tinha poucos prazeres na puta da vida: nada entendia de arte, museus o cansavam, e conhecer outras culturas pouco lhe interessava, haja vista que nem a de seu rincão reconhecia. No Brasil experimentava as duas coisas que amava em abundância, comida e sexo. Adorava as churrascarias e as putas brasileiras, que devorava em generosos rodízios. Ele está estendendo seus negócios pro cone sul, a ver se une agradável a útil. Pretende atuar em seu ramo, segurança privada. Sua empresa, a S.S. (Sam States) Security recruta brucutus dos bolsões de pobreza, pra reprimir movimentos sociais. Homem de parcos costumes, ele sempre frequenta os mesmos lugares onde foi bem atendido. Assim, suas tertúlias gastronômicas as realiza no JBS Grill, churrascaria de um tal Joesley, ouvindo um forrozão esperto cantado pelo irmão do dono, Wesley. Pra desafogar os...

NOVA ERA (por Alvaro Carvalho Jr)

O avião que levou o sr. Silva de São Paulo para Curitiba não tinha nada de sofisticado. Infinitamente diferente dos aviões a que ele está acostumado. Nada de serviço de bordo, poltronas de couro, adoráveis (e, às vezes, acessíveis) aeromoças, cardápio à la carte ou vinhos de rótulos inatingíveis para os simples mortais. Essa aeronave, um monomotor turbo hélice, não viaja a velocidades estonteantes e é considerada pelos pilotos da Polícia Federal, como um "trator": resistente, forte, sem sofisticação, eficiente. Assim, o sr. Silva encerra uma fase de luxo e glamour e cai na real, naquele Brasil ingrato que trata seus filhos como bastardos. Ironicamente, o sr. Silva constará da lista de passageiros desse quase ignóbil avião junto com nomes famosos. porém pouco recomendáveis. Fernandinho Beira-Mar é um deles. Mas a luta continua. Seus advogados continuarão a bater nas portas do Supremo Tribunal Federal apresentando recursos e apostando na fraqueza de alguns juízes, ...

JOÃO e JEREMIAS - A PORRA DA HISTÓRIA (um folhetim beat de JR Fidalgo - 10ª de 16 partes)

CAPÍTULO XVIII Após dois dias sem luz, João finalmente conseguiu arrumar algum dinheiro para solicitar à empresa de eletricidade que fosse feita a religação, o que só aconteceu um dia e meio depois. Quando, por fim, conseguiu ligar novamente o computador, encontrou novos textos de Jeremias em sua caixa postal Afinal, que sentido havia naquela dissertação sobre bocetas, assunto do último e-mail de Jeremias?  Que lugar aquilo poderia ocupar no enredo da história que Jeremias insistia em querer contar? A fragmentação dos textos, o frequente descompasso temporal das situações que descrevia, as charadinhas idiotas, tudo isso já tinha virado rotina, quer dizer, João já tinha se conformado com o fato de que, se ia continuar metido naquilo, quem determinava o ritmo era Jeremias, e não ele. Mas aquela história de bocetas… Tudo bem, ele também adorava bocetas, mas e daí? “E sobre o que é essa história?” “É difícil explicar.” “Mas você não tem nem uma vaga ide...