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Showing posts with the label Michel Butor

CAFÉ E BOM DIA #9 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Fugindo do rótulo polêmico que determina o que é "nouveau roman" -- estilo não muito claro para mim, cujo ponto de partida talvez tenha sido Nathalie Sarraute, ou Alan Robbe-Grille, ou Michel Simon -- acabo de ler "Passagem de Milão", um belo romance de Michel Butor que vem acompanhado do rótulo "nouveau roman". "Passagem de Milão" retrata a vida de um edifício em 24 horas. Nele, Butor aponta que a solidão é consequência de um mundo com valores em transformação. Mas, se ignorarmos até mesmo quem somos, como poderemos almejar o conhecimento do próximo e a compreensão recíproca? A impossibilidade do conhecimento do outro resulta na solidão irremediável dos homens, que Nathalie Sarraute já desenvolvera como tema, deixando uma reflexão ótima: Somos Planetas de um mesmo Sistema, mas absolutamente mudos uns com os outros. A insegurança, fruto da incapacidade de conhecer qualquer coisa em definitivo, faz com que o homemtome na...

CAFÉ E BOM DIA #6 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Lendo o artigo  "O Limbo dos Livros Esquecidos"  de Ana Lima Cecilio para a São Paulo Review, me ocorreu projetar o que estaria citado na obra de Otto Maria Carpeaux como importante ler, ou o resultado representativo da literatura nos 15 primeiros anos do século XXI. A lista da Nilsen sobre o mercado editorial aponta que em 2014 foram publicados 60 829 títulos no Brasil. Todos os tipos de livros. Não dá para ter ideia de tudo o que é publicado aqui no Brasil segundo Ana. Poucos, muito poucos tem edições de 3 mil exemplares, para apostar nesse número tem que ter muita coragem. A oferta em literatura contemporânea, poesia, ensaio, didáticos, acadêmicos, caça-níqueis, engraçadinhos, negócios, biografias, cartas, memórias, receitas, livros com fotos, de arte, infantis, literatura clássica é enorme. Enfim, a coisa é infinita, assusta. O caminho subsequente à publicação encontra um paredão, pois não há espaços culturais para divulgação. Ana usa a revista CULT c...

"O PAI MORTO" INICIA A PUBLICAÇÃO DA OBRA COMPLETA DE DONALD BARTHELME NO BRASIL

É no mínimo estranho que nenhum dos livros de Donald Barthelme tenha sido traduzido e publicado no Brasil. Sua prosa minimalista alegórica certamente teria tido uma boa acolhida entre os leitores brasileiros nos Anos 70 e 80, época em que ele ganhou projeção na cena literária americana ao faturar o National Book Award. Colegas de geração seus, como John Barth e Raymond Carver, foram muito bem recebidos por aqui, em traduções nem sempre muito cuidadosas. Talvez não fosse o momento certo, ou seus direitos de publicação estivessem muito caros na época, vai saber... Agora, nesse momento estranho em que muitos leitores brasileiros se afirmam "encantados" com David Foster Wallace, que teve este ano seu "Graça Infinita" traduzido para o português e editado pela Companhia das Letras, parece que chegou a hora. Até porque na medida em que David Foster Wallace nunca escondeu que Donald Barthelme foi uma de suas maiores influências literárias, começa a fazer sentido ...