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CAFÉ E BOM DIA #50 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

A ARTE É CULTURA DA LIBERDADE - Ao contrário da maioria dos grandes escritores de sua geração, Octavio Paz nunca sucumbiu ao canto de sereia do marxismo; e, mesmo nos anos 50 e 60, quando o dilema dos intelectuais à sua volta parecia ser a escolha entre o comunismo e o fascismo, Paz - junto com Albert Camus - teve a coragem de combater as correntes em voga. Apesar da hostilidade que seus adversários ideológicos provocaram em torno dele, Paz continuou pregando a superioridade da cultura da liberdade contra seus inimigos. As revistas que ele editou, principalmente a que ele dirigiu nos últimos 20 anos, Vuelta, sempre foram uma tribuna cívica a partir da qual a censura, o dogmatismo, a ditadura, o terrorismo político ou intelectual foram condenados e a tolerância, o pluralismo e a escolha democrática, defendidos. COLINA DOS ASTROS Aqui os antigos bebiam o fogo Aqui o fogo inventava o mundo Ao meio dia As pedras abrem-se como frutos A água abre as pestanas E a luz desliza pela...

BOFETADA DO PASSADO: GENETON MORAES NETO CONVERSA COM MÁRIO QUINTANA

(publicado originalmente  no Blog do Geneton no G1) GENETON MORAES NETO: Qual deve ser o primeiro compromisso da agenda da vida de um poeta? MÁRIO QUINTANA: "O primeiro compromisso deve ser: não parar de poetar. Não parar de viver intensamente” O senhor diz que gosta de fazer projetos a longo prazo, para “desafiar o diabo". Que último desafio o senhor lançou? “O último desafio foi uma viagem – gorada – a Paris. O próximo, já em execução, é aprender a falar inglês. Eu era apenas tradutor de francês da Editora Globo. Aprendi, sozinho, a língua inglesa numa gramática, para traduzir. Mas apenas lia o que estava escrito, sem saber a pronúncia. Agora, estou lidando com um curso de inglês da Inglaterra por meio de fitas cassete. O primeiro tradutor de Virginia Woolf no Brasil fui eu. A tradução foi bem recebida pela crítica”. O escritor Erico Verissimo dizia que “Quintana é um anjo que se disfarçou de homem”. O senhor tem algum reparo a fazer à observação? “Tenho. Semp...

CAFÉ E BOM DIA #7 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Fiodor Dostoievski por Steve D Hammond Durante toda a sua permanência na Rússia, Míchkin vai-se deparando com pessoas de todos os tipos, especialmente com gente que crê ser ele portador de uma doença chamada de idiotia (origem do título).  Todavia, Míchkin não se importa com o que pensam as pessoas as seu respeito.  Ele trata a todos com muita deferência e consideração, mesmo àquelas que querem tirar proveito dele, especialmente quando sabem que ele receberá a herança prometida pelo amigo.  Míchkin é um tipo de gente em extinção.  Ao ler a sua trajetória, ficamos com raiva dele, por ser ele exatamente o oposto do que somos.  Quando em nossa sociedade o ideal é ter todos os tipos de vantagens mesmo às custas do prejúizo alheio, Míchkin nos ensina sobre o valor do altruísmo e de pensar no outro com nobreza de alma.  Mesmo sabendo que está sendo abusado, ele trata ao abusador com respeito.  O ser humano é retratado tal como ele é, chei...