"O homem não necessita apenas de um assassinato. Ele também necessita de uma sólida refeição." Esta frase é de Alfred Hitchcock. Que também disse esta: "Certos filmes são pedaços de vida. Os meus são pedaços de bolo." Sempre que a ocasião permitia, ele arrumava um jeito de enfiar metáforas culinárias em suas conversas e entrevistas. Glutão e gourmet, para Hitchcock, comer era tão prazeroso quanto matar alguém diante das câmeras e oferecer à platéia os mais deliciosos bolos deste mundo, envenenados de charme, malícia e perversidade. Prazeroso e calmante. Quando seus pais o deixavam sozinho em casa, o pequeno Alfred aplacava o medo do escuro e eventuais fantasmas atacando a geladeira e devorando fatias de carne assada. "Só aquilo me acalmava", revelou no prefácio de uma coletânea de contos de terror de Edgar Allan Poe. Bulimia e frisson não freqüentam o mesmo capítulo apenas nos compêndios de psicanálise. Na vida e na obra de Hitchcock tamb...
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