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CAFÉ E BOM DIA #1 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

O amor é um sentimento verborrágico: amantes se desmancham em juras infinitas, elogios desmesurados e declarações repetidas.  Histórias de amor são talvez as mais frequentes e mais permanentes da história da literatura.  O amor se expressa em fórmulas; “eu te amo” é um arranjo que não admite variações.  Seria possível, então, mapear a expressão do amor ao longo do tempo?  O que isso nos diria sobre o amor em si? Em "Fragmentos de um Discurso Amoroso", Barthes não assume como tarefa analisar o amor, mas a forma como ele se expressa e a cristalização do discurso a respeito dele.  Desde Shakespeare até Proust, o autor identifica os diversos clichês pelos quais os amantes se expressam tomando exemplos de clássicos da literatura e da filosofia. O que esse mapeamento diz sobre o amor, o discurso ou nossa relação com a linguagem?  Se existimos e, principalmente, nos relacionamos através da linguagem, o que as formas escolhidas para comunic...

MAIS LINDA DO QUE NUNCA EM 'GRACE DE MÔNACO", NICOLE KIDMAN SALVA O FILME

por Francisco Russo  para Adoro Cinema Na teoria, era o conto de fadas da vida real.  Uma das mais populares estrelas de Hollywood, endeusada pelos fãs e dona de um Oscar na estante, se casando com o príncipe de um país mínimo, mas reconhecido mundialmente como ícone do luxo e da riqueza.  O casamento de Grace Kelly com o príncipe Rainier III chamou a atenção de boa parte do planeta, em 1956.  Afinal de contas, se contos de fadas já encantam no mundo da fantasia, imagina quando surge uma (aparente) chance dele se materializar entre os mortais. Consciente deste impacto, o diretor Olivier Dahan tomou para si este deslumbramento ingênuo para narrar um episódio marcante da vida de Grace e Rainier.  Tudo segundo sua ótica, como revela o alerta inicial de que a história a ser contada é apenas inspirada em eventos reais.  E, como acontece em todo conto de fadas, resolveu facilitar as coisas.  De um lado, está o príncipe envolv...

TOM COURTENAY E CHARLOTTE RAMPLING NUM DRAMA CONJUGAL DESCONCERTANTE

por Chico Marques O que você faria se, na véspera do seu 45° aniversário de casamento, você recebesse a notícia que sua antiga namorada, que morreu soterrada com menos de 20 anos de idade num acidente quando fazia alpinismo, e cujo corpo nunca fora encontrado, finalmente apareceu no fundo de um vale nevado que descongelou?  Pior, seu corpo permaneceu sem sinais de envelhecimento, com sua beleza preservada pelo congelamento prolongado, como se todos esses 45 anos simplesmente não tivessem passado. Esse é o ponto de partida desconfortável de "45 Anos", um drama conjugal sombrio de Andrew Haigh, com Tom Courtney e Charlotte Rampling interpretando o casal de sexagenários que dribla há anos os problemas relacionados relacionados ao envelhecimento e os desgastes comuns a todo casamento prolongado, como rotinas entediantes, saúde debilitada e desinteresse sexual.  Como comemorar o envelhecimento quando, do nada, ressurge do passado uma paixão de juventude com a ...

AS DESVENTURAS DO ROCK PAULISTANO (1984) UM TEXTO ANTOLÓGICO DE PEPE ESCOBAR

por Pepe Escobar Tudo agora gira em torno do Rock in Rio. As gravadoras produzem volumosos press-books divulgando os feitos das estrelas que vão aterrissar nestes trópicos. A garotada voa atrás dos ingressos. Heavy por heavy, na Europa e EUA só se ouve heavy. Aqui no verão, a fritura de cabeças e corpos será em escala nunca vista. Por acaso, no meio do caldeirão, teremos uma eleição (?) para presidente. No dia 16 de janeiro, algo terá mudado - ou não - e poucos irão saber. Porque no dia anterior , a TV só terá dado o incêndio de watts de AC/DC ou outra luminária heavy. A Globo vai cobrir o Rock in Rio com um esquema mais complexo do que utilizado nas Olimpíadas. No Rio e São Paulo, em diversos círculos ligados ou não à indústria da música, este é um assunto viral no momento. Muita gente está preocupada. Enquanto o circo pega fogo... Os fatos continuam se avolumando. Não há nenhuma banda paulista incluída na programação do Rock in Rio. Será no mínimo ridículo - inclus...

"MUITO BARULHO POR NADA": UM TRIUNFO CINEMATOGRÁFICO DE KENNETH BRANAGH

por Chico Marques De todas as comédias de William Shakespeare adaptadas ao cinema, "Muito Barulho Por Nada", dirigido e interpretado por Kenneth Branagh, é disparado a melhor. Branagh, hoje um especialista em filmes de ação para Hollywood, já nos brindou com cinco incursões sensacionais pela obra do grande dramaturgo inglês, sempre atuando brilhantemente como diretor e ator, e apresentando-se como um novo Laurence Olivier, ou coisa que o valha. Convencendo alguns e outros nem tanto. Mas jamais obtendo atitudes indiferentes como resposta a seu trabalho. A primeira dessas incursões shakespearianas foi a premiadíssima "Henrique V", onde Branagh surpreendeu de forma estremamente positiva com o ritmo da ação que conseguiu imprimir ao filme, dando ao texto original -- que não é alterado em momento algum -- uma agilidade impressionante e um alto  gabarito cinematográfico que só serviu para valorizar ainda mais a obra do grande dramaturgo. Tivemos sete ...