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DUAS VISÕES DISTINTAS SOBRE "TRUMBO", A CINEBIOGRAFIA MAIS ESPERADA DO ANO

COMO DALTON TRUMBO CONSEGUIU SOBREVIVER À CAÇA ÀS BRUXAS EM HOLLYWOOD por Roberto Bueno para OBSERVATÓRIO DO CINEMA Roteirista e crítico de cinema têm algumas coisas em comum, como viver do que escreve. Porém, enquanto o primeiro escreve belíssimas histórias com as palavras, o segundo as usa para atacar as histórias criadas. Após a Segunda Guerra, com o inicio e o aprofundamento da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, quaisquer pessoas que tiveram ou tivessem algum tipo de contato com o Partido Comunista era considerada uma traidora. Hollywood não escapou incólume desta perseguição insana aos ditos infiltrados na sociedade norte-americana. Uma lista negra – a do título – foi criada com o nome de inúmeros profissionais das mais diversas áreas do cinema. Muitos dos que lá trabalhavam tiveram suas carreiras interrompidas, e até destruídas por causa disso. Trumbo  é a cinebiografia de um dos maiores roteiristas da indústria cinematográfica dos Est...

DUAS VISÕES CRÍTICAS SOBRE "ANOMALISA", NOVO FILME DO FABULOSO CHARLIE KAUFMAN

"ANOMALISA": UMA PEÇA CHAVE DO MAGNÍFICO UNIVERSO TEMÁTICO DE CHARLIE KAUFMAN por Caio Coletti para OBSERVATÓRIO DO CINEMA Quando encaramos mais um filme com a assinatura de Charlie Kaufman, 17 anos depois de Quero Ser John Malkovich , já sabemos o que esperar. Cada uma das obras do roteirista (e agora diretor) mergulha em um mundo muito específico de metalinguagem e reflexões existenciais que foram se tornando cada vez mais angustiantes com o tempo. A meditação sobre as idas e vindas do amor em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças , as ansiedades artísticas de Adaptação , tudo culminou no fundamentalmente exasperador (e pessimista, e terrivelmente belo) Sinédoque, Nova York , em 2008. Talvez justamente por isso Kaufman tenha demorando tanto tempo para moldar sua obra seguinte, que sai agora, quase 8 anos depois de Sinédoque , e abraça uma técnica cinematográfica inédita na filmografia do diretor (a animação stop-motion), adaptando para o cinema de maneira...

LEVA UM CASAQUNHO RESGATA "FRANK & ERNEST", TIRA CLÁSSICA DE BOB THAVES

FRANK & ERNEST é uma tira cômica criada e desenhada por Bob Thaves em 1972 e publicada em 1.200 jornais pelo mundo afora. Aqui no Brasil, ficou popularizada pelo Jornal da Tarde e, mais adiante, pelo Caderno 2 do Estadão. Os nomes Frank e Ernest são homófonos dos termos em inglês "frank" (honesto) e "earnest" (sério). C ada tira consiste de uma única cena com os dois personagens dialogando em tempos e espaços distintos. Com a morte de Bob Thaves em 2006, aos 81 anos de idade, FRANK & ERNEST passou a ser desenhada por seu filho, Tom Thaves, que a mantém ativa até os dias de hoje.

BANDA DA DIVISA, CARNAVAL ESPONTÂNEO (por Carlão Bittencourt)

1. O Bairro Divisa é aquilo que separa uma coisa da outra. A alegria da tristeza. A ética da safadeza. O morro da cidade. O samba do pagode. Na Baixada Santista, Divisa é aquele pequeno e simpático bairro que, em vez de apartar, une Santos a São Vicente. No final dos anos 60, porém, a Divisa fazia bem mais do que isso. Ela unia também a classe média e média baixa do pedaço à classe “média média” paulistana que, graças à explosão imobiliária e ao FGTS, se apossara dos milhares de modestos apartamentos de temporada que o bairro oferecia. Ali, conviviam em paz e harmonia, manicures e peruas, estivadores e aposentados, ratos de praia e honestos pais de família, desinibidas em geral e lavadeiras, malandros e estudantes, surfistas e mulheres cigarras em férias com os filhos, dançarinas de boite e gatinhas, músicos e comerciantes, além de muitos outros tipos que compunham a variada fauna local. Unida pelo bairro, toda essa gente dividia o fantástico visual da Ilha Urubuqueçaba e ...

NÓS QUE AMÁVAMOS TANTO SANTOS! (por Ignácio de Loyola Brandão)

  Publicado originalmente no ESTADÃO em 18 de Outubro de 2014 Quando vi o mar em Santos tinha 21 anos. Um dos sonhos de minha vida. Ver o mar. Adorei Santos, não era só o mar, eram os bondes, os bares, os jardins à beira da praia, o incrível hotel Parque Balneário, os canais. Em 1959, Samuel Wainer mandou-me para lá para ser chefe de reportagem da sucursal da Última Hora. Mudei-me para o Hotel Martini, no José Menino. Adorava aquela praia deserta todos os dias e o bonde que me levava ao centro. Queria morar em Santos, tinha tanta mulher bonita na praia aos domingos. Era uma cidade ícone para nós do interior. No Teatro Independência, vi o grupo Oficina ganhar o primeiro prêmio de direção (Zé Celso) em festival amador com A Incubadeira. Com o passar dos anos, perdi a cidade de vista. E subitamente, a recupero com um livro, Aquele tempo Passou, de Lygia de Carvalho (Editora Scortecci). Santos nas décadas de 40 e 50. Delícia para uma geração, curiosidade para outra. ...

2 VISÕES DISTINTAS SOBRE "CREED", A BOA ESTREIA DE ROCKY BALBOA COMO TREINADOR

SYLVESTER STALLONE SE REINVENTA ATRAVÉS DO GRANDE PERSONAGEM DE SUA CARREIRA por Carlos Cirne para COLUNAS E NOTAS O jovem Adonis Johnson (Michael B. Jordan) tem, além do fardo do nome, um histórico de vida turbulento. Órfão, vive mudando de lar em lar, até que é acolhido por Mary Anne Creed (Phylicia Rashad), viúva de seu pai biológico, o lutador Apollo Creed (Carl Weathers, do filme “Rocky um Lutador”, de 1976), que faleceu antes de seu nascimento. Criado como filho por Mary Anne, Adonis acaba por decidir se dedicar ao boxe, herança paterna, para desespero de sua mãe. Ruma então para a Filadélfia, à procura de Rocky Balboa (Sylvester Stallone) que, além de haver conhecido, lutado e se tornado o melhor amigo de seu pai, é o único que provavelmente poderia treiná-lo a contento. E o único que não quer fazê-lo. O resto da história você já conhece. Basta pegar o primeiro filme da série “Rocky”, substituir Burgess Meredith por Stallone e este por Michael B. Jordan, ...