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CALLING DOCTOR LOVE #60 (por Odorico Azeitona, MD)

Caro Dr. Love: Como praticamente todo garoto criado em fazenda, minha iniciação sexual foi com animais: vacas, cabritas, mulas, porcas e até galinhas. E, ao contrário do que muitos de vocês podem pensar -- por preconceito urbano e por desconhecimento do modo de vida rural -- não há nada de errado em manter relações sexuais com outras espécies. Durante muitos anos tive uma "vida normal", com mulher e filhos, mas de dois meses para cá não aguentei mais, larguei todos eles lá em Uberaba e voltei para o fazenda onde fui criado para usufruir do aconchego proporcionado principalmente pelas porquinhas, que eu amo demais. Estou feliz, Dr. Love. Me julguem, se quiserem. Só não venham estragar minha felicidade. (Moacir F, Ituiutaba MG)     Caro Moacir: Você está certo. Quem nunca se relacionou  com animais de fazenda  não sabe o que é amor. Sua opção é clara e digna de respeito. Da minha parte, nada a opinar. Seja feliz com suas porquinhas. Divirta-se e Bo...

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

OLD BLUE EYES (uma reminiscência de Carlão Bittencourt)

Para meu amigo Tom Figueiredo “Nada mais me impressiona. Eu já fui a todas as festas” Danuza Leão Tesão não se explica. Senão, complica. A frase, apesar da rima pobre, vale ouro. E serve para todos. Do rico ao pobre, passando pelo remediado. Sem tesão não dá. A vida fica brocha. Joe Andreolli se lembrava disso diariamente ao chegar na agência. Afinal, ali o bloco da fealdade tinha apenas uma representante: a porta-bandeira Marcinha. Fora essa indefectível exceção, as outras eram ótimas. Ou quase. Redator premiado em propaganda, respeitado crítico de cinema do Estadão, poeta, Joe estava na força dos trinta anos. Testosterona, músculos e neurônios a todo vapor. Além disso, gozava de uma vantagem extra: estava solteiro. Melhor, impossível. Bom de prosa e verso, Joe Andreolli não perdoava. Quando as moças davam fé, já tinha rolado cama. A estratégia deu certo com todas. Quer dizer, todas menos Maria Lúcia. Morena, esguia, bonita, intelig...

A FILHA DA LAVADEIRA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

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O HORROR... O HORROR... O HORROR... (por Alvaro Carvalho Jr)

Os helicópteros bombardeavam a pequena aldeia de pescadores implacavelmente ao som de Wagner, enquanto o tenente coronel Bill Kilgore, interpretado por Robert Duvall, sorria e, de revolver na cintura completamente fora dos padrões militares formais e usando um arrogante chapéu de cowboy, incentivava seus soldados a surfarem nas belas ondas das praias locais, também violentamente bombardeadas. Era a guerra do Vietnam. Essa é uma das mais impactantes cenas do consagrado (e maravilhoso...) "Apocalypse Now, filme de Francis Ford Coppola que mostra o mais negro lado da moral humana. O final antológico apresenta um Marlon Brando no papel do ensandecido Walter E. Kurtz definindo com clareza, frieza e certeza as loucuras humanas que chocam e surpreendem cada um de nós: O Horror!...O Horror! ...O Horror! Mas, e isto é uma constatação, Coppola não conseguiria criar um mundo de horrores, ou circo, pior e mais cruel do que aqueles que nossos políticos criaram e nos fazem engoli...