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PHILIP ROTH COMENTA OS 6 MELHORES LIVROS DE SEU BOM AMIGO SAUL BELLOW

(texto publicado originalmente em The New Yorker, em Janeiro de 2002, com tradução de José Marcos Macedo) A REVOLUÇÃO DE "AUGIE MARSH" A transformação do romancista que publicou "Dangling Man" em 1944 e "The Victim" em 1947 no romancista que publicou "As Aventuras de Augie March" em 1953 é revolucionária. Bellow subverte tudo: escolhas composicionais fundadas em princípios narrativos de harmonia e ordem, um etos romanesco em dívida com "O Processo", de Kafka, e "O Duplo" e "O Eterno Marido", de Dostoiévski, bem como uma perspectiva moral que mal se pode dizer derivada do prazer do brilho, cor e plenitude da existência. Em "Augie March", uma concepção bastante grandiosa, categórica e arrojada tanto do romance quanto do mundo que o romance representa se desprende de todo o tipo de censura auto-imposta, os princípios de composição do novato são subvertidos e, tal como o personagem Cinc...

FRENTE AMPLA, UMA ANEDOTA (por Marcelo Rayel Correggiari)

“(...) É mais provável que essas hipóteses sejam verdadeiras, salvo na presença de uma outra condição, que define o problema real de lei e ordem: atos contrários às normas permanecem sem punição. A ausência crescente de punições efetivas, se estas existirem, é o significado real da erosão da lei e da ordem. Ela não apenas descreve o fenômeno com mais precisão do que a transgressão de normas ou a falta de conhecimento a respeito, como também retira dele os fatores conjunturais e fortuitos. Se as violações das normas não são punidas, ou não são mais punidas de forma sistemática, elas tornam-se, em si, sistemáticas. Conforme prosseguimos com o desenrolar dessas afirmativas, atingimos rapidamente o campo traiçoeiro, porém fértil, da anomia (...). Uma menor prontidão em aplicar as punições pode tornar-se parte integrante de um clima social prevalecente. Existe a desistência deliberada de punições, no caso de réus primários ou jovens. Existe o processo inteiro de amolecimento das ...

ALEGORIAS DO INTENSO RUMOR QUE SE OUVE (por Ademir Demarchi)

O vozerio está intenso, as notícias chegam mudando o sentido das coisas a cada hora, de tal modo que o que se entendia como uma realidade aceitável e possível na semana passada, hoje, visão envelhecida, deixou de valer totalmente ou sofreu uma mudança importante que altera o modo como podemos ver as coisas. Lendo os jornais constatamos que estamos no olho do furacão que está em todos os lugares, e isso vale para aqui, ali, lá e para o Planeta. Trata-se, verdadeiramente, sugere a mídia, de um furacão multifacetado e ambíguo, uma medusa andrógina e colorida de víboras ciclópicas e brilhantes que coloca a todos no limite da angústia e da opressão, a um passo de uma crise de nervosa e estresse. Daí talvez o pendor de muitos de buscar nas religiões das prateleiras de credos um conforto estofado e colorido como um sofá das casas Bahia. Todos odeiam apaixonadamente e amam odiosamente a ponto de alguém já ter constatado que todo esse ódio gerará muitos cânceres prolíficos, cujo tratamen...

O REI DA VELA REVISTO (por Flávio Viegas Amoreira)

Rever o “Rei da Vela” sempre acresce -- imagino a maturação da peça para quem viveu 1968 e agora reassiste! Se teve imensa função durante aquele abjeto governo Costa e Silva e sob a Guerra do Vietnã não seria noutra ocasião maior impacto: nem durante a reabertura de Geisel, as Diretas Já ou na ascensão de Lula em 2002 depois do governo FHC, nunca o espetáculo-manifesto foi tão útil para reflexão das tramas do capitalismo, os tentáculos do imperialismo e a manutenção da desigualdade sócio-econômica no Terceiro Mundo. Oswald foi quase pedagógico no texto-fonte e a adaptação ainda carrega nas tintas desse didatismo visceral dessa distopia insistente de opressão e parasitismo do mercado institucionalizado. Se falávamos em economia de mercado hoje trabalhamos com idéia mais perversa:   sociedade de mercado, coisificação pelo consumo, descartabilidade do ser pelo horror econômico. A caricatura faz emergir o paroxismo dos personagens e da práxis selvagem do colonialismo brasileir...