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SAUDAMOS OS 56 ANOS DE WAGNER PARRA COM UM BELO TEXTO DE FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA

Toda despedida exige maturação da distância para reinventarmos uma nova presença por magia da saudade. Alguns personagens de nossas caminhadas são tão presentes que imaginamos por comodidade estarão sempre ali, ao alcance da mão para nos saciar com seu fascínio. Wagner Parra era onipresente, sem ser íntimo; amigo sem ser próximo: havia uma identidade natural em nossas diferenças. Antiintelectualista, era inteligência empírica, libertário, longe de ser politicamente correto; duma sinceridade desconcertante, nunca indiscreto: era um beatnik, outsider sem maneirismos de ´porralouquice´ artificial: um artista da experimentação na vida e na criatividade. Impulsivo sem ser necessariamente aplicado: se tivesse que definir sua capacidade musical rara seria como mestre da intuição. Escrevo para nunca ver esquecido um DJ compositor de valor internacional que escolheu dedicar-se as noites do mar. Não tenho a menor vocação para hipocrisia: Parra não se reduz a um obituário elogioso...

JOÃO E A ESCOLA DE BABEL ou SEVEN NATION ARMY (A Viagem e a Cura #4 - por Beth Soares)

Sete da manhã. Lá estava eu, pronta para o primeiro dia de aula em terras estrangeiras. A gente tem mania de achar que, porque virou adulto, nada mais pode ser motivo para causar insegurança. Se eu levasse isso a sério, teria que admitir meu notório fracasso em virar gente grande. Eu e Isabella, minha parceira de escola, pegamos o trem tão pontual quanto lotado (de pessoas muito bem-educadas que, ao invés de nos acotovelarem e empurrarem, pediam licença calmamente, respeitando nossa velocidade). A primeira parte da viagem nos levaria até a estação Waterloo, uma espécie de Sé, que nós, paulistas, conhecemos tão bem. De lá, um ônibus nos levaria até o outro lado da ponte, para Holborn, nossa parada para o número 2 da Southampton Place, onde ficava nossa escola, a Stafford House. Aqui, um parêntese: todos os dias, bem no meio da Ponte Waterloo (nome dado em homenagem à famosa batalha que levou o exército britânico à vitória sobre o francês Napoleão), pela janela do ôni...

OS CHINESES E A MONALISA (Crônicas Além do Quintal #4 por Marcus Vinícius Batista)

Ela estava lá, de sorriso enigmático e privacidade nula. Reconheço que, no Museu do Louvre, em Paris, meu interesse era maior pelas esculturas gregas, pinturas do século 19 e por outras obras do Renascimento. Mas era impossível escapar da aura da Monalisa. Todos os setores tinham placas que indicavam onde o quadro mais famoso do museu estava exposto. A Monalisa é a única obra que possui roteiro próprio. E a quantidade de pessoas nos corredores funciona como as migalhas de pão que te levam à casa de doces. Conforme você se aproxima dela, ainda sem vê-la, você ouve em inúmeros idiomas o nome da Gioconda. O tratamento era de celebridade. Ao entrar no pavilhão dela, inúmeros quadros nas paredes, dois com mais de cinco metros de altura. Chocantes, paralisantes. E a Monalisa no centro! É a única obra com quatro seguranças exclusivos. A única com um vidro à prova de balas. A única com uma grade de proteção, que te coloca, na melhor das hipóteses, a dez metros dela. O problem...

EDUARDO CAVALCANTI COMENTA OS DESVIOS DE 'BOHEMIAN RHAPSODY" EM PRÓXIMA PARADA

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

O FILME DESTE FIM DE SEMANA É "BOHEMIAN RHAPSODY" (por Fábio Campos)

O que não falta por aí são cinebiografias chapa branca e fantasiosas, mas confesso que há tempos não assistia uma como Bohemian Rhapsody, a biografia do Queen, focada em Freddie Mercury. A musica do Queen é empolgante. A vida de Freddie é rica, os envolvidos tem um ótimo currículo; Bryan Singer –- que assina o filme, apresar de ter sido demitido antes do final -– tem ótimos trabalhos no currículo. O roteirista Anthony McCarten vem de duas boas cinebiografias: Teoria de Tudo e O Destino de Uma Nação . E Rami Malek vem conseguindo cada vez mais destaque a cada filme de que participa. Tudo apontava para algo, no mínimo razoável, mas o resultado é extremamente decepcionante, um filme totalmente impreciso, superficial e ruim. Claro que para condensar a vida de alguém em pouco mais de duas horas, o recurso mais utilizado é simplificar algumas coisas e criar alguns ganchos inexistentes para manter a continuidade e para que a plateia possa acompanhar melhor a história. Com...

NOSSA CORRESPONDENTE EM MADRID JULIANA ROSANO TRAZ UM CONTO SOBRE SUA RECENTE VISITA À CRACÓVIA

Na varanda daquele a partamento, às margens do Rio Vístula, no centro do Kazimierz – o bairro judeu de Cracóvia, apoiada na grade, pensando como aquele preciso instante poderia ser o momento mais feliz da sua vida. Nada mais tomar um trago da copa de vinho branco que o seu anfitrião amavelmente deixou como cortesia, ele se aproximou por trás, a agarrou pela cintura. As mãos dele passearam pela agora fina cintura dela, sentiu os ossos marcados das costelas, enquanto beijava o pescoço. Ela respirou fundo e simplesmente todos os seus sonhos eram agora realidade. De repente, ela se girou e os seus lábios se encontraram no beijo mais doce que quiçá houvesse existido. Ele tinha os braços entrelaçados nos dela, olhando-a fixamente, como ele costumava fazer antes de que estivessem juntos. Mas agora, ela já não tinha vergonha de olhar para ele e aqueles dois pares de olhos verdes se refletiam entre si. - Se eu te disser uma coisa, você não vai ficar bravo comigo? – ela perguntou ...