Toda despedida exige maturação da distância para reinventarmos uma nova presença por magia da saudade. Alguns personagens de nossas caminhadas são tão presentes que imaginamos por comodidade estarão sempre ali, ao alcance da mão para nos saciar com seu fascínio. Wagner Parra era onipresente, sem ser íntimo; amigo sem ser próximo: havia uma identidade natural em nossas diferenças. Antiintelectualista, era inteligência empírica, libertário, longe de ser politicamente correto; duma sinceridade desconcertante, nunca indiscreto: era um beatnik, outsider sem maneirismos de ´porralouquice´ artificial: um artista da experimentação na vida e na criatividade. Impulsivo sem ser necessariamente aplicado: se tivesse que definir sua capacidade musical rara seria como mestre da intuição. Escrevo para nunca ver esquecido um DJ compositor de valor internacional que escolheu dedicar-se as noites do mar. Não tenho a menor vocação para hipocrisia: Parra não se reduz a um obituário elogioso...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO