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40 ANOS DE CARREIRA NESTE FIM DE SEMANA NO SESC-BELENZINHO (por Guilherme Arantes)



Há exatos 40 anos eu havia saído do grupo Moto Perpétuo, e ainda morava com meus pais na Alameda Campinas, pertinho da Gazeta.

Estava matriculado na Fau USP (Arquitetura), onde não tinha passado do primeiro ano em matérias importantes, como Cálculo 1, Hidráulica 1, Fundamentos Sociais (Leo Huberman, Eric Hobsbawn), estava perdido mesmo...

Eu trabalhava na SEBES como estagiário de Arquitetura na Secretaria de Bem Estar Social, fazendo consertos e reparos nas creches de Itaquera, Guaianazes, São Miguel, creches atoladas de bebês, cheias de problemas...

Eu andava muito angustiado.

Meu pai brigava todos os dias porque eu queria mesmo a musica.

Juntei uns trocados e fiz uma fita de rolo, em 7,5 polegadas, no Estudio Pauta, na Major Quedinho, um estudio de 1 Canal, do querido Luiz Arruda Botelho, que se tornaria um amigão e incentivador...

Nessa fita, estavam "Meu Mundo e Nada Mais", "A Cidade e a Neblina", "Antes da Chuva Chegar", "Pégaso Azul", "Nave Errante", "Descer a Serra", "Não Fique Estática", "Lamento lhe Encontrar Triste", "Águas Passadas", entre muitas outras músicas inéditas, só com piano e voz.

Fizemos várias cópias, eu e o técnico, o querido "Black" Claudinho -- me lembro como se fosse hoje...

Deixei cópias na Philips, na RGE, na RCA, na Continental, e por fim fui me aventurar na Som Livre, na Rua Augusta, perto da Estados Unidos, onde fui recepcionado pela Sueli, secretária do Antonio Paladino.

Quem ouviu a fita foi o Otávio Augusto, cantor e compositor conhecido como Pete Dunaway, que nada prometeu, disse apenas pra eu deixar meu telefone.

Sem grandes ilusões, só me restava esperar...


Fui então para o Guarujá, por volta do dia 11 de Dezembro, com a mamãe, com o papai, com a Ana e com a Heloisa, pois já eram férias, e lá passaríamos o Natal e o Ano Novo...

No meio de Janeiro de 76, mamãe me pediu pra ir pra SP apanhar contas de água, luz, telefone.

Ao abrir a porta do apartamento, o telefone estava tocando.

Atendi: era a Sueli, da Som Livre. "Meu Mundo e Nada Mais" havia entrado na trilha da novela Anjo Mau, e eu precisaria gravar IMEDIATAMENTE.

Três dias depois, a gente gravaria nos estudios da Gazeta o meu primeiro compacto: "Meu Mundo e Nada Mais" no lado A e "Pégaso Azul" no Lado B. O LP só gravaríamos se o compacto fizesse sucesso.

Como tudo deu certo, fomos para o Rio, eu e o querido Otavinho, meu produtor, no mês de Junho.

O LP sairia no segundo semestre, agora com a adição de "Cuide-se Bem", que eu fiz em Maio.


Agora, estamos celebrando tudo isso neste show no SESC Belenzinho, dias 18, 19 e 20 de Dezembro, dedicado ao disco de estréia, o LP de 1976. 

Adivinhem qual é o repertório?

Acertaram: o daquela fita.

Há exatos 40 anos, eu não sabia o que iria acontecer na minha vida, daí, deixo um abraço a todos que conhecem esta história. 

Por essa minha história, e tantas outras, de pessoas comuns como eu: NUNCA DESISTAM DOS SONHOS E NUNCA PENSEM QUE A VIDA É SÓ ISSO QUE SE VÊ.

Como diz o sábio e magistral Paulinho da Viola: "Que a vida não é só isso que se vê/É um pouco mais/Que os olhos não conseguem perceber/E as mãos não ousam tocar/E os pés recusam pisar...

EM FRENTE, QUE É VIDA QUE SEGUE !!!!

GUILHERME ARANTES
ÁLBUM
18, 19 e 20 de Dezembro
21 horas
SESC-BELENZINHO

Comments

  1. Parabéns pela persistência e pelos 40 anos de trabalho. Gosto muito das suas músicas.

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