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CAFÉ E BOM DIA #10 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)


Chuva, Café e Leitura, Nelson de Oliveira fala.

Tome-se a poesia, por exemplo.

Na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil 3” (Instituto Pró-livro/Imprensa Oficial, São Paulo, 2012), temos os seguintes poetas citados entre os 25 autores brasileiros mais admirados:

Carlos Drummond de Andrade (5º lugar)
Vinícius de Moraes (8º lugar)
Cecília Meireles (12º lugar)
Manuel Bandeira (16º lugar)
Fernando Pessoa (18º lugar)
e Mário Quintana (23º lugar).

Pergunto: Será que os brasileiros estão lendo assim tanta poesia?

A resposta, na verdade, tem a ver com os livros didáticos.

Esses poetas aparecem com frequência nesses livros, e em vários contextos, nem todos ligados ao ensino de literatura. E é significativo que todos estejam solidamente encastelados no cânone. Nada de poetas novos.

E esses poetas estão na companhia, na mesma lista, do Monteiro Lobato (por conta da TV), Maurício de Souza, Ziraldo e Pedro Bandeira. Todos autores amplamente lidos nas escolas.

Essa lista daria panos para muitas mangas, com a presença de outros autores, numa verdadeira salada de frutas:

Paulo Coelho (3º lugar)
Zíbia Gasparetto (9º lugar)
Augusto Cury (10º lugar)
Chico Xavier (13º lugar)
Padre Marcelo Rossi (14º lugar)
e Silas Malafaia (24º lugar)

Os demais autores citados são do cânone:

Machado de Assis (2º lugar)
Jorge Amado (4º lugar)
José de Alencar (7º lugar)
Érico Veríssimo (11º lugar)
Paulo Freire (17º lugar)
Clarice Lispector (19º lugar)
Ariano Suassuna (20º lugar)
Graciliano Ramos (21º lugar)
e Mário de Andrade (22º lugar)

Ou seja: dos autores vivos não há presença de nenhum dos que estão no campo de apreciação da crítica contemporânea.

Há, portanto, uma profunda dissociação entre o que o campo literário (no sentido dado ao termo por Bourdieu) privilegia, e o que aparece na preferência dos leitores.

O que leva, simplesmente, a uma reformulação da pergunta: de que literatura se está falando?

Da que entra no radar das forças dominantes do campo literário?

Ou da que, por uma ou outra razão, é efetivamente lida no Brasil?

Resposta:______________________


Não me importo de mudar planos, conto a quarta mudança por problemas fora de domínio.

Com um temporal lavando as partes mais íntimas da alma o jeito é buscar alternativa ao som das chuvas.

Daí a opção foi revisar alguns filmes do Jacques Tati que foi nascido filho de pai russo e mãe francesa, e que antes de se dedicar ao cinema foi um destacado atleta do Racing, um dos principais clubes parisienses.

Muito alto, tinha 1,87m, foi um bom jogador de rugby, futebol e tênis.

Ele chegou ao cinema em 1932, como ator e roteirista, realizando uma série de curta-metragens.

Em longa-metragem sua estréia foi como ator em "Sylvie et le fantôme", do diretor Claude Autant-Lara.

Sua carreira de cineasta começa em 1947 com "Jour de féte", que no Brasil teve o título de "Carrossel da Esperança", e que contava as desventuras de um carteiro francês de uma aldeia que tentava incorporar os conceitos dos serviços postais norte-americanos, então os mais eficientes do mundo.

O filme recebeu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 1949 e o Grande Prêmio do Cinema Francês em 1950.

O filme seguinte, "As Férias do Sr. Hulot", rodado em 1951 na praia de Saint-Marc, na Bretanha, levou um ano para ser concluído, mas ao chegar aos cinemas foi um estrondoso sucesso.

Ganhou o Prêmio Louis Delluc e o Grande Prêmio da Crítica Internacional em Cannes, em 1953.

É um filme que sempre me encanta.

Em 1957, 'Jacques Tati inicia a realização de "Meu Tio", considerado o seu filme mais lírico e que se transformou em um grande sucesso mundial, tornando-o milionário.

O filme é apresentado em estréia mundial a 9 de maio de 1958 no XI Festival de Cannes, que lhe atribui o Prêmio Especial do Júri.

"Meu Tio" recebeu consagração mundial ao conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1959.

E a chuva continua limpando a cidade.

E lá vou eu, teimosamente postar poemas nas Redes Sociais, com minha xícara de café ao lado de uma fatia de pizza amanhecida, desejando a todos um bom dia.



Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta
é poeta e proprietário
da banca de livros usados
mais charmosa da cidade de Santos,
situada na Rua Bahia sem número,
quase esquina com Mal. Deodoro,
ao lado do EMPÓRIO SAÚDE HOMEOFÓRMULA,
onde bebe vários cafés orgânicos por dia,
e da loja de equipamentos de áudio ORLANDO,
do amigo Orlando Valência.



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