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Showing posts with the label Café e Bom Dia

CAFÉ E BOM DIA #31 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Guillermo Cabrera Infante nasceu em Gibara, Cuba, em 1929. Jornalista, crítico de cinema e escritor, chegou a ser preso pelo governo de Fulgencio Batista. Depois da revolução de 1959, participou do Conselho Nacional de Cultura. Foi adido cultural de Cuba em Bruxelas entre 1962 e 1965, quando rompeu com o regime de Fidel Castro. Ganhador do prêmio Cervantes de 1997, é autor de romances, contos e ensaios. Naturalizado britânico, morreu em Londres em 2005. Entre suas obras de ficção destacam-se Três tristes tigres, Havana para um infante defunto e A ninfa inconstante. Esse grande autor em FUMAÇA PURA, livro que me despeço, passo para as mão do Professor Ronaldo conta que quando os navegantes espanhóis descobriram a América, uma imagem imediatamente os surpreendeu: a de indígenas aspirando, de uma forma que prenunciava o charuto e o cigarro, a folha de uma planta mais tarde batizada como tabaco. Ao longo desses 500 anos, cercado de controvérsias, foi alvo de execrações, restrições, pr...

CAFÉ E BOM DIA #30 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Ao envelhecer, Dorothy Parker afastou-se dos círculos intelectuais onde um dia chegou a ser considerada “a mulher mais espirituosa dos EUA”. E a mais amarga, também: morreu aos 73 anos, sozinha num quarto de hotel. Sua morte pegou de surpresa muitas pessoas que a imaginavam morta há muito tempo. Quando morreu, em seu testamento, para desespero de Lilian Hellman sua amiga e espécie de protetora de Dorothy (alguns dizem que ela esperava ser herdeira da amiga, fosse do que fosse) e espanto de todos os demais, havia deixado tudo o que possuia, para Martin Luther King (e a causa negra), a quem não conhecia e , ele, jamais sequer ouvira falar dela. Dorothy apoiou muitas causas da esquerda nos Estados Unidos. E chegou a ser alvo de investigações por supostas ligações com o comunismo. A tal Comissão Mc Carthy de investigações “antiamericanas”. Suas cinzas ficaram vinte anos num escritório jurídico, sem que ninguém as reclamasse. Coisas de Dorothy. Dorothy que certa vez, ao escolher seu ep...

CAFÉ E BOM DIA #28 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Pensamos de Mais e Sentimos de Menos Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos. O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.O avião e a rádio (INFORMÁTICA) aproximaram-...

CAFÉ E BOM DIA #27 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Não, não tenho os mais de 45 livros de Charles Bukowski publicados em vida e após a morte, nem lá perto, mas tenho uma boa e essencial colecção da sua obra há muitos anos na minha estante. Bukowski faleceu em San Pedro, Califórnia, em 1994, aos 73 anos de idade. Para a quantia de cigarros e charutos que fumou enquanto bebia litros de cerveja, vinho e outras substâncias celestiais mas mortais, nada mal. Ou então tudo não passou de uma pose bem urdida ao longo da vida, deixou as mais atrevidas, corajosas e indecentes páginas na literatura norte-americana de todos os tempos, nem Hunter S. Thompson se tornou a sua sombra na literatura da maldição, e Henry Miller parecerá um menino de escola dominical ao seu lado. Escreveu ao mesmo tempo dos Beat, a que alguns críticos ainda tentam associa-lo, mas ele só derramou desprezo sobre esses que ele chamava de oportunistas, os que desfrutaram do recém-descoberto amor que a Academia esquerdizada passou a dedicar a todo e qualquer rebelde intele...

CAFÉ E BOM DIA #26 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Conhecer sem referências. A Terra é um pequeníssimo ponto no Universo. É um pequeno fragmento do sistema solar. O sistema solar é um pequeno fragmento da Via Láctea. E a Via Láctea é um pequeno fragmento dos muitos milhões de galáxias reveladas pelos telescópios modernos. Neste insignificante ponto do cosmos há um breve interlúdio entre dois longos períodos estéreis em vida. Neste breve interlúdio, há outro ainda mais curto que contém o homem. Se o homem é realmente o objetivo do Universo, o prefácio parece um pouco longo demais. Superestimar a importância de nosso planeta sempre foi um dos defeitos dos teólogos de todos os tempos. É importante aprender a não se aborrecer com opiniões diferentes das suas, mas se dispor a trabalhar para entender como elas surgiram. Se depois de entendê-las ainda lhe parecerem falsas, então, poderá combatê-las com mais eficiência do que se você tivesse se mantido simplesmente chocado. Quão frágil e inerme é a razão! No entanto, é nosso único instrum...

CAFÉ E BOM DIA #24 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Desinformação quase sempre e às vezes até mesmo ma fé têm provocado alguns equívocos na literatura de todos os tempos. Durante algum tempo se disse que Shakespeare nunca existiu e que a obra a ele atribuída era na verdade de Francis Bacon. Nunca houve um Homero, a Bíblia foi reescrita pelos apóstolos, Heródoto não foi um, mas vários historiadores. Confusões que foram talvez esclarecidas mas outras acabam por ser aceitas como verdades. Três equívocos recentes que estão quase se transformando em verdades, com a ajuda da internet. Envolvem três poemas: um que não é de Brecht, outro que não é de Borges e um terceiro que não é de Garcia Marquez. Alguns outros casos desfilam pomposos. O certo é que o poema em prosa atribuído a García Márquez assemelha-se bastante no tema piegas e no estilo cafona a outro, também erradamente atribuído a Borges desde 1987: Instantes. O escritor gaúcho Moacir Scliar sente-se parcialmente responsável por essa divulgação no Brasil, por ter encont...

CAFÉ E BOM DIA #23 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

VOCÊ CONHECE ESSE TEXTO? NÃO, NÃO CONHEÇO! "Música é número, a adoração do número, é álgebra ressonante.  Mas a própria essência do número não conterá um elemento de mágica, um toque de feitiçaria?  A música é uma teologia do número, uma arte austera e divina, mas uma arte em que todos os demônios estão interessados e que, entre todas as artes, é a mais susceptível ao demoníaco.  Pois ela é ao mesmo tempo código moral e sedução, lucidez e embriaguez, um apelo ao mais intenso estado de alerta e um convite ao mais doce sonho de encantamento, razão e anti-razão - em suma, um Mistério com toda a iniciação e os ritos educativos que desde Pitágoras foram parte integrante de todos os mistérios.  E os sacerdotes e mestres da música são os iniciados, os preceptores desse ser duplo, a totalidade demoníaco-divina do mundo.  Vida, humanidade e cultura. (Thomas Mann) Meus olhos não podem ver tudo. Daí escolho os que podem escrever o que não posso ver. Os te...

CAFÉ E BOM DIA #22 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Dia lindo, dias perfeitos.  Desocupadamente, entre um e outro bate papo abro, leio um texto curto de Bukowski intitulado "Notas de um Candidato a Suicídio" (Charles Bukowski  claro que não tem explicação para quem tem bom gosto e quem não tem) "O que pra um homem é água, pra outro é fogo.  Não consigo atinar com o motivo da popularidade de Faulkner, dos jogos de beisebol, Bob Hope, Henry Miller, Shakespeare, Ibsen, as peças de Tchekov.  G. B. Shaw me faz bocejar do princípio ao fim.  Tolstói, idem, Guerra e Paz, pra mim, é o maior fracasso desde O Capote, de Gogol.  De Mailer, já falei.  Bob Dylan me dá impressão de canastronice, ao passo que Donovan parece ter classe mesmo.  Simplesmente não dá pra entender. boxe, futebol profissional, basquete, são coisas que têm dinamismo.  O Hemingway do início era bom.  Dos foi um garoto danado.  Sherwood Anderson, de cabo a rabo.  O Saroyan do início.  Tênis e óper...