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FÁBIO CAMPOS ASSISTIU "DOIS CARAS LEGAIS", E GOSTOU BASTANTE DO QUE VIU



Se você assistiu Vicio Inerente e, como eu, saiu decepcionado do cinema a solução pode ser assistir a Dois Caras Legais.

O filme se passa na mesma época, parte da mesma premissa, mas consegue ser bem divertido, ao contrário do filme do Paul Thomas Anderson, que acaba sendo apenas um desfile de esquisitices.

Estamos Los Angeles de 1977 e somos apresentados aos dois personagens principais, uma espécie de leão de chácara, que recebe dinheiro para intimidar pessoas, um Russell Crowe bem relaxado, gordo, com aparência bem decadente e um detetive particular, que mora com a filha adolescente de 13 anos e se recupera da morte da esposa, o sempre bom, Ryan Gosling.

No inicio temos uma narração em off, que dá um tom interessante ao filme, mas é logo abandonada, usada somente como introdução aos personagens, o que acaba quebrando um pouco o ritmo, mas nada que comprometa o resultado.

Uma trama intrincada, que, obviamente, envolve a mítica indústria pornô do final dos anos 70, acaba juntando os dois numa investigação que vai ficando cada vez mais complicada, com detalhes resolvidos muitas vezes por pura sorte. Alias, é aí que está grande parte da graça do filme. Apesar do resultado da investigação ao final parecer exagerado, a trama se desenvolve de maneira bastante verossímil. Não existem super detetives, os dois são confusos, principalmente o personagem do Ryan Gosling, chamado a toda hora de o pior detetive do mundo (com razão) e muitas vezes esbarram sem querer nas pistas. Por incrível que pareça a mais sensata de todos é a filha de 13 anos, feita pela promissora Angourie Rice. Isso dá um sabor especial ao filme.

A direção e o roteiro são do Shane Black, roteirista dos Maquina Mortíferas, que sabe bem como desenvolver duplas improváveis na tela e com a ajuda do carisma dos dois astros cria mais um bom filme desse estilo. Os diálogos são espertos, sempre com uma boa dose de auto ironia, que combina com o descompromisso do filme e rende várias boas piadas, a maioria delas politicamente incorretas. Parece que Hollywood descobriu uma maneira de se livrar do politicamente correto, fazer filmes nos anos 70, onde tudo era permitido e, de quebra, evitar a cobrança dos ativistas por não se tratar da época atual.

O filme me rendeu boas risadas, pra mim a melhor comédia do ano, e ainda tirou o amargo de Vicio Inerente. Obviamente é mais prazeroso pra quem viveu a época, com referencias à cultura pop da época e um monte de musicas legais, mas uma boa opção para qualquer um que goste de uma comedia policial descompromissada.

O lançamento passou meio despercebido, provavelmente vai sair rápido dos cinemas, vale a pena ser descoberto.



DOIS CARAS LEGAIS
(The Nice Guys, 2016, 116 minutos)

Direção
Shane Black

Elenco
Russell Crowe
Ryan Gosling
Angourie Rice
Matt Bomer
Margaret Qualley
Kim Basinger


em cartaz nas Redes Roxy e Cinemark


Fábio Campos convive com filmes
desde que nasceu, 49 anos atrás.
Seus textos sobre cinema passam ao largo
do vício da objetividade que norteia
a imensa maioria dos resenhistas.
Fábio é colaborador contumaz
de LEVA UM CASAQUINHO.






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